Selecionada pelo Rumos Itaú Cultural, a HQ Monstrans: experimentando horrormônios está programada para ser lançada no ano que vem, mas, aproveitando o mês do Orgulho LGBTQIA+, o idealizador do projeto, Lino Arruda, realiza uma série de atividades para que o público possa acompanhar a criação da revista autobiográfica. Nela, o artista compartilha um pouco da sua experiência com a lesbianidade e transmasculinidade

A partir do dia 18 de junho, o quadrinista Lino Arruda inicia uma série de publicações em seu Instagram (@monstrans_HQ), para mostrar o processo de criação de Monstrans: experimentando horrormônios, uma revista em quadrinhos autobiográfica na qual ficcionaliza experiências pessoais e tece pontes entre deficiência, lesbianidade e transmasculinidade.

Contemplada pelo Rumos Itaú Cultural 2017-2018, a HQ está prevista para ser publicada em 2021, mas, desde já, o público pode acompanhar vídeos sobre o desenvolvimento do projeto, participar de lives e sorteios de zines, além do lançamento do site do artista, no Dia do Orgulho LGBTIA+, 28, que conta com uma aba inteiramente dedicada ao Monstrans.

Para começar, Lino realiza um sorteio das zines Quimer(d)a, Anomalina e Novo corte de peitos, no dia 18. Outra ação parecida acontece no dia 25, com sorteios de gravuras, também de trabalhos anteriores. Nos dias 22 e 29, ele compartilha vídeos explicando alguns dos desenhos presentes em Monstrans.

Um deles é sobre uma das histórias encontrada na HQ, que conecta pontos entre a lesbianidade e a transmasculinidade. Ele exemplifica uma cena em um restaurante com a sua então namorada, quando o dono do local os abençoou, em árabe, celebrando o amor dos dois. “A minha parceira gostou muito daquela interação, mas eu não tinha como receber aquilo, nessa cidade onde em toda a minha adolescência lésbica fui expulsa de bares e restaurantes naquele mesmo bairro”, conta. “Para mim estava evidente que essa benção se sustentava em uma premissa falsa de que eu era um cara cis-heterossexual.”

Em outro, com ilustrações na introdução da revista, Lino explica a metáfora que faz do cravo, sujo e malquisto, mas também de resistência e de contaminação das culturas dissidentes. “Cultivar um corpo indesejado e contaminar outros através dessa contação de histórias, é principalmente um projeto para alimentar a comunidade”, afirma.

Nos dias 23 e 26, ele participa de lives, ambas às 19h. Na primeira, o tema em discussão é Representando transmasculinidades: criação de roteiros, personagens e imagens, com o ator e roteirista Lui Castanho (@luicastanho), da companhia circense trans Fundo Mundo.

O bate-papo da segunda perpassa os desdobramentos do projeto, com o @genipapos, perfil de Geni Núñes, indígena guarani, mestre em psicologia social e doutoranda em estudos raciais e de gênero. Dois dias depois, 28, às 19h, o artista lança seu site, também com loja online (www.linoarruda.com), onde o público terá acesso a todas as informações sobre a criação de Monstrans, além dos demais trabalhos de Lino. A HQ estará pronta no ano que vem, com previsão de lançamento em locais de atendimento às pessoas trans em várias cidades do país.

Monstrans

O livro é composto por três anedotas reais intercaladas a uma base narrativa ficcional que dá unidade à história. Enquanto elas descrevem fragmentos individuais de desidentificação, ininteligibilidade e negociação subjetiva, a base narrativa é o espaço de elaboração dessas memórias. A trajetória de Lino é ressignificada, desde as primeiras experiências desumanizantes, até a apropriação do estigma “monstruoso” e a autodeclararão de uma estética-outra, que emerge junto a temporalidades-outras e formas-outras de afetar-se.

Na primeira fábula, o autor reconta o que chama de história de origem de sua deficiência congênita nas pernas, supostamente relacionada a um acidente de carro que sua mãe sofreu quando estava grávida.  Recombinando diagnósticos médicos e inventando outros, enreda a deformação física do próprio corpo nas tramas de masculinidade feminina e de lesbianidade que coloriam suas primeiras experiências.

Na segunda, imagina pontes entre as experiências lésbicas e as transmasculinas, muitas vezes narradas como antagônicas. A história se desenvolve com um tom surrealista, a partir da perspectiva de um personagem transmasculino que, aflito pela própria passabilidade cis-heterossexual, colapsa em uma alucinação de memórias assombradas pela fantasmagoria da lésbica que ele já não é, mas que, por outro lado, também não pode deixar de ter sido.

Por fim, na terceira e última, intitulada Eu ainda fui, Lino ilustra a ocasião em que viu seu avô pela última vez, em seu leito de morte no hospital. Surpreendido pelo fato de que o parente não era capaz de reconhecê-lo – devido às alterações provocadas pela testosterona – e na contracorrente de seu desejo pela masculinidade, evocou as memórias da infância e da adolescência, o histórico da filiação familiar e até mesmo seu documento de identidade antigo, com a esperança de poder se despedir do avô como neta que ele havia sido.

Sobre o Rumos Itaú Cultural

Um dos maiores editais privados de financiamento de projetos culturais do país, o Programa Rumos, é realizado pelo Itaú Cultural desde 1997, fomentando a produção artística e cultural brasileira. A iniciativa recebeu mais de 64,6 mil inscrições desde a sua primeira edição, vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas mais de 1,4 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa.

Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de 7 milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados.

Na edição de 2017-2018, os 12.616 projetos inscritos foram examinados, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 40 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passaram por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 21 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição. Foram selecionados 109 projetos, contemplando todos os estados brasileiros.

Quadrinista Lino Arruda realiza uma série de atividades mostrando processo de produção da HQ Monstranshttps://impulsohq.com/wp-content/uploads/2020/06/foto_Lino.jpghttps://impulsohq.com/wp-content/uploads/2020/06/foto_Lino-150x150.jpgRenato LebeaunotíciasquadrinhosGeni Núñes,Lino Arruda,Lui Castanho,Monstrans,Rumos Itaú CulturalFacebook Twitter Instagram Youtube Selecionada pelo Rumos Itaú Cultural, a HQ Monstrans: experimentando horrormônios está programada para ser lançada no ano que vem, mas, aproveitando o mês do Orgulho LGBTQIA+, o idealizador do projeto, Lino Arruda, realiza uma série de atividades para que o público possa acompanhar a criação da revista autobiográfica. Nela,...O Impulso HQ é um site e canal no YouTube dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!