Graphic novel presta homenagem a personalidades da cultura brasileira como Carolina Maria de Jesus, Maria da Penha e Leila Diniz, entre outras

A história do século XX no Brasil é repleta de personagens que impulsionaram as transformações necessárias para o avanço dos ideais progressistas na sociedade. A historiografia oficial celebra essas personalidades de muitas maneiras – e o que se percebe é que os feitos e esforços feitos por homens impõem-se sobre as conquistas promovidas pelas mulheres.

A ressignificação dessa história e o resgate das biografias de algumas dessas protagonistas é a principal motivação do livro “D.I.V.A.S Brasileiras”, de Guilherme Smee e Eduardo Ribas, obra que reúne o perfil de dez mulheres reais transpostas para uma narrativa em quadrinhos, distribuída em dez capítulos.

Com o artifício de recursos narrativos místicos, muito comum nas histórias de super-heróis, “D.I.V.A.S Brasileiras” conta a história da fictícia organização Damas Intrépidas Vigiando Amorosamente a Sociedade, em torno da qual algumas personagens históricas mobilizaram-se para combater um vírus chamado 1D3O-LOG14D-GEN, alegoria para “ideologia de gênero”.

Começando em 1914, com a história de Nair de Teffé, “a primeira-dama brasileira mais vanguardista da história”, como indica o livro, o arco narrativo da HQ se estende até os tempos atuais, com Maria da Penha, passando por personagens como a pintora Anita Malfatti e a modelo Roberta Close.

“Decidimos produzir uma HQ com os perfis de mulheres brasileiras porque percebemos que existe pouca oferta de histórias em quadrinhos que abordam este tema que não seja de uma forma ultrapassada e calcada demais no didatismo. Por isso, buscamos colocar na nossa HQ uma representante para cada década do século XX”, explica o roteirista Guilherme Smee.

As ilustrações de Eduardo Ribas evocam o universo dinâmico, kitsch e farsesco das histórias de super-heróis, tornando a leitura divertida e envolvente. A edição conta com notas biográficas da Professora Doutoranda Natania Aparecida da Silva Nogueira, integrante da Associação de Pesquisadores em Artes Sequenciais, historiadora e pesquisadora do feminismo e do feminino nas histórias em quadrinhos. “Tentamos buscar um meio termo entre fatos reais das vidas dos personagens e algumas licenças poéticas”, completa Smee.

D.I.V.A.S Brasileiras (148 páginas, colorido, 14,8 x 21 cm) terá lançamento oficial durante a CCXP Worlds, um dos maiores eventos de cultura pop do mundo, que acontece de 4 a 6 de dezembro, pelo site www.ccxp.com.br.

A obra está à venda por R$ 30 no site www.epicdoo.com e foi um dos projetos selecionados pelo Prêmio Funarte Descentrarte 2020. Parte da tiragem será doada para o Sistema Estadual de Bibliotecas do Rio Grande do Sul, que conta com quase 600 bibliotecas no estado.

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