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Abraço fraternal: Caio Majado, Daniel Esteves e Will
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Daniel Esteves e Cadu Simões
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Leonardo Melo e Laudo Ferreira
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Stand do Quarto Mundo no FIQ 2009
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Alex Mir, Mario Cau e Will em palestra sobre Quadrinhos Independentes durante o São Paulo Comic Fair de 2010
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Will
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Arte divulgada para oficializar o fim do coletivo

Há 10 anos surgia no Brasil um coletivo que iria mudar a cena dos quadrinhos independentes em todo território nacional. O Quarto Mundo surgiu para resolver alguns problemas complicados do mercado por meio da união de diversos artistas e até hoje é considerada uma das principais ações efetiva e concreta para formar o cenário dos independentes tão bem falado e comentado que temos hoje.

O Impulso HQ conversou com membros fundadores do grupo e também com outros profissionais que vivenciaram o surgimento do Quarto Mundo para entender melhor como surgiu, como era o mercado independente na época e por que o grupo coletivo ao fim.

Para entender a criação do Quarto Mundo é necessário compreender que há 10 anos o mercado de quadrinhos independentes no Brasil era outro. De acordo com Daniel Esteves, um dos membros do coletivo, “o Quarto Mundo uniu quadrinistas independentes de diversos lugares do Brasil, em prol da resolução de alguns problemas imediatos desse tipo de produção. Divulgação, alcance e distribuição das publicações, participação com estandes nos incipientes eventos da época (em 2007 a realidade era muito diferente da atual), troca de serviços e parcerias, discussões sobre rumos, formatos, ideias de publicações”.

O espírito coletivo e a alegria sempre foram marcas nas ações do grupo, e Esteves, que hoje é um dos roteiristas de quadrinhos mais premiados do Brasil, explicou como funcionavam “politicamente” as decisões: “O Quarto Mundo não interferia editorialmente nas publicações dos autores, que seguiam sendo de responsabilidade de cada autor/editor, ou minigrupo que participava do coletivo. Formalmente o Quarto Mundo não era uma editora, nem uma distribuidora de quadrinhos.”

Em cinco anos, o Quarto Mundo esteve presente em vários eventos nacionais Rio Comic Con, Fest Comix, Maratona Devir, Gibicon, Salão de humor de Piracicaba, mas o coletivo realmente estreou durante o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) em outubro de 2007. Afonso Andrade, coordenador do FIQ, falou para o Impulso HQ qual foi o Impacto do Quarto Mundo no evento.

“O Quarto Mundo vai surgir em um momento que o FIQ estava se reestruturando, buscando uma presença maior dos quadrinistas independentes. Isto se casou com a ideia do Quarto Mundo de ser um coletivo que reunisse gente de todo o país e criasse uma rede de distribuição do quadrinho independente. Para o cenário do quadrinho brasileiro o Quarto Mundo foi importante porque quebrou com o modelo de coletivo de quadrinhos que existia até então que era baseado ou na proximidade geográfica das pessoas ou nas afinidades criativas. Então possibilitou uma maior visibilidade, presença e circulação do quadrinho independente em um tempo que a as redes sociais ainda engatinhavam”, disse Afonso.

Sendo um fruto de conversas que se centravam nos problemas que os autores independentes da época enfrentavam, conversamos com Cadu Simões, roteirista de quadrinhos e membro do Quarto Mundo, para entender quais foram as maiores dificuldades e barreiras do coletivo.

“Acho que a maior dificuldade do Quarto Mundo foi a distribuição. Nos propomos a criar uma rede nacional de distribuição de quadrinhos independentes mas falhamos nesse objetivo. E na verdade, é algo grande demais para que autores independentes consigam fazer. Se até uma empresa multinacional como a Panini tem dificuldade em distribuir seus quadrinhos, imagine então nós”, explicou Cadu.

Se tornando um grupo tão grande, claro que notícias sobre conflitos internos e divergência de decisões e opiniões vieram à tona. Sendo um coletivo, o Quarto Mundo também agregava grupos menores ou publicações já conhecidas no cenário dos independentes que em algum momento decidiram se desligar da iniciativa, é o caso da revista Café Espacial, editada por Sergio Chaves e Lídia Basoli.

Conversamos com Sergio Chaves para entender melhor o que motivou essa decisão de se desligar do Coletivo.

“Foi uma decisão que a Lídia e eu tomamos para nos dedicarmos exclusivamente aos projetos editoriais da própria Café Espacial, que passou a nos consumir cada vez mais, ano após ano. Diante da pouca disponibilidade de tempo na época, decidimos nos desligar do Quarto Mundo, já que não conseguiríamos nos empenhar tanto quanto se espera de um trabalho em grupo”, revelou o editor, que também deixou claro que a saída não foi motivada pelas divergências.

“Quanto aos conflitos, teria sido muita imaturidade se tivéssemos interrompido por qualquer coisa assim, já que é algo natural em trabalhos coletivos e fundamental para o amadurecimento de todos os envolvidos. Fico feliz por ter participado do Quarto Mundo durante seus 3 primeiros anos. Entre erros e acertos, o Quarto Mundo é responsável pelo avanço do cenário de quadrinhos na última década”, disse Sergio.

Mas se o coletivo era tão forte e estava movimento o cenário inteiro de quadrinhos independentes, por que chegou ao fim? Quem fala mais sobre isso é Will, quadrinista premiado e uma das figuras mais queridas do grupo. “No final a organização do coletivo acabou recaindo sobre poucos membros, estes ficaram sobrecarregados com as demandas do que precisava ser feito. Naturalmente chegou-se a conclusão que o melhor seria encerrar as atividades do grupo para evitar o desgaste entre os participantes”, revelou Will.

A própria mudança que o Quarto Mundo estava possibilitando também foi decisiva para os encerramentos das atividades do coletivo. “Outro fator importante é que em 5 anos de atividades o mercado sofreu transformações. Transformações que o próprio grupo ajudou a fomentar. Levando-nos a refletir se um coletivo gigante como era o Quarto Mundo ainda era viável. A decisão de terminar foi quase unanimidade entre os membros que realmente atuavam naquele momento facilitando bastante o processo”, conta Will.

Inegável dizer que essa reunião de autores “alguns começando, outros que faziam quadrinhos há algum tempo e alguns poucos mais veteranos, que tentaram resolver alguns complicados problemas do mercado”, como comenta Daniel Esteves foi fundamental para o que vivemos hoje quando se refere à boa produção de quadrinhos independentes no País. Apesar de Daniel Esteves revelar para o Impulso HQ, que ele acredita que “o grupo falhou em tentar resolver maior parte dos problemas” ele acredita que o coletivo ajudou de forma decisiva no surgimento desse atual momento fantástico que os quadrinhos nacionais se encontram.

Quem está de acordo com essa afirmação final é Paulo Ramos, professor e jornalista. “O Quarto Mundo foi a concretização de dois movimentos que havia na época. O primeiro era a necessidade de criação de histórias em quadrinhos mais autorais, experimentando novos estilos e temáticas. O segundo era o da autopublicação, mostrando que era possível lançar quadrinhos nacionais no país à margem do circuito editorial oficial. Gerou-se um efeito dominó: quanto mais publicavam, mais incentivam outros a seguir o mesmo caminho. Foi uma das bases do cenário que temos hoje no país.", disse Paulo para o Impulso HQ.

Festa 10 anos Quarto Mundo

Alguns dos antigos membros do Quarto Mundo resolveram comemorar os 10 anos de fundação do grupo com uma festa no dia 28 de outubro com Feira de Quadrinhos Independentes com ex-integrantes do coletivo e convidados, debates com grandes nomes dos quadrinhos nacionais, exposições, lançamentos e foodtrucks.

A comemoração será das 10 às 23hs na escola HQ em FOCO (Rua Coelho Barradas, 153, Vila Prudente) com entrada gratuita. A programação completa pode ser conferida na página do evento no Facebook.

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/10/quarto-mundo.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/10/quarto-mundo-150x150.jpgRenato LebeaunotíciasquadrinhosAfonso Andrade,Cadu Simões,Daniel Esteves,Paulo Ramos,Quarto Mundo,Sergio Chaves,WillAbraço fraternal: Caio Majado, Daniel Esteves e Will Daniel Esteves e Cadu Simões Leonardo Melo e Laudo Ferreira Stand do Quarto Mundo no FIQ 2009 Alex Mir, Mario Cau e Will em palestra sobre Quadrinhos Independentes durante o São Paulo Comic Fair de 2010 Will Arte divulgada...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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