Últimos dias de “Meu amigo, Charlie Brown”
Por Mariá Coelho | 28 maio de 2010Pois é gente! Como foi anunciado aqui no Impulso HQ, os quadrinhos Peanults, de Robert Shultz, foram para os palcos como um incrementado musical da Broadway: “Meu Amigo, Charlie Brown”.
Esse final de semana é o último! Eu sugiro que vocês não percam.
Eu fui ver e gostei horrores! Tudo na peça remete ao mundo dos quadrinhos.
O cenário é como se fosse um desenho, os personagens estão superbem caracterizados. O que mais me agradou foi que algumas cenas eram como tirinhas de jornal: curtas, com pequenos diálogos e com uma “moral da história” no final; que, na maioria das vezes, nos roubava risadas.
O roteiro é bem fragmentado. Não conta uma história com começo, meio e fim. São várias cenas que mostram diversas situações da vida de Charlie Brown e de seu amigos. Há também momentos em que cada personagem canta sua música e nessas horas a iluminação, mais a dança, mais a beleza do canto dos atores cria um verdadeiro show.
A peça foi classificada como infantil, mas, de acordo com o produtor Ricco Antony, ela tem atraído pessoas de diversas idades. Acontece que as crianças se divertem com as danças, com as músicas, com os personagens infantis, mas não acompanham o enredo.
Schulz, o “pai” dos Peanuts, criou um grupo de crianças para discutir o cotidiano no que ele pode apresentar de mais banal, porém são personagens muito reflexivos e, por vezes, até irônicos. Lino é um personagem que vive citando dados históricos e científicos para explicar qualquer coisa.
Schroeder toca Beethoven no seu pianinho de cauda longa. Sally chega a citar Shakespeare. Charlie Brown vive falando sobre seu estado deprimido. São crianças bem exóticas, no mínimo!
Acredito que a Lucy é a mais normal de todos. Sempre apaixonada, mandona como irmã mais velha, preguiçosa com os deveres da escola e bem esquentadinha. Ela faz a festa das crianças quando dispara seus gritos no meio dos cantos.
Outro personagem que ganha o carisma de todos é o cão Snoopy. É muito engraçado ver uma pessoa vestida de Snoopy. Achei ótimo eles não terem enchido o ator com uma cabeça de Snoopy feito de espuma, nem obrigá-lo a andar de quatro todo o tempo. Afinal ele é um cão que dança, canta, sapateia e lati nas horas vagas.
Como a peça é um musical, ela conta com vários números de dança e canto entre as cenas “normais”. Tudo bem afinado, bem coreografado, com incríveis efeitos de iluminação e ao som de uma orquestra. Acho que é essa magnitude toda que se refere à Broadway. Essas cenas lembram bastante a versão que fizeram dos Peanuts para a televisão.
A produção da peça se preocupou com cada detalhe para que a referência aos quadrinhos fosse latente. Isso pode – se ver no encarte da peça, que é em forma de revistinha. Além do mais os personagem não só usam as roupas e o cabelo iguais aos dos desenhos, mas todos os gestos foram inspirados nas posições que os desenhos costumam aparecer nas tirinhas. É mesmo muito capricho!
Neste fim de semana, por ser o último, há uma promoção: levando uma lata de leite você paga meia – entrada. O que é uma bela ajuda, já que a inteira é 60 reais!
É isso! Em suma, “Meu amigo, Charlie Brown”, é uma peça que não só usa os personagens de uma série de quadrinhos como mote, mas que se debruça na sua linguagem. Vai lá vê!
MEU AMIGO, CHARLIE BROWN – Um Musical da Broadway
Local: Teatro Shopping Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569 – 6º Andar)
Telefones: (11)3472.2226 – 2229 – 2230
Temporada: Até 29 de maio de 2010
INGRESSOS:
Preços: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia) Apresentando na bilheteria uma lata de leite em pó paga-se meia entrada.
Duração: 75 minutos
Lotação: 600 lugares
Classificação Etária: livre
Vendas pelo telefone: (11)4003-1212
Vendas pela internet: www.ingressorapido.com.br
Grupos: (11) 3472-2227 – Com Betania de segunda a sexta das 10:00 às 18:00
Tags: Broadway, Charlie Brown, Peanults, Ricco Antony, Robert Shultz, Shopping Frei Caneca, Snoopy






