Posts com a Tag ‘Joaquim Ghirotti’

Entrevista Philippe Druillet – nona parte

Por Renato Lebeau | 4 agosto de 2008

A seguir a nona e última parte da entrevista com Philippe Druillet.

Nesse trecho ele revela os seus planos para o futuro e em quê ele está trabalhando atualmente.

Mais uma vez agraeço a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista, que sem ele essa série de posts não seria possível.
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O que o futuro reserva para Philippe Druillet?

“Eu tenho uns quarto ou cinco projetos atualmente, tenho uma exposição à caminho, aqui em Paris, talvez uma seqüência pra Salammbô, estou trabalhando em um filme, e talvez esse novo quadrinho, mas não acho que farei muito mais quadrinhos, sem grandes pretensões, eu acho que já disse tudo.

Mas, talvez, quem sabe fazer a última aventura de LoneSloane, um testamento. Tenho um projeto de filme que seria uma opera em 3D, no qual eu seria co-realizador, estamos fazendo, mas não é certeza de que o filme aconteça, estamos levantando a produção. Tenho vários projetos ao mesmo tempo.

Quadrinhos são algo muito particular, eu fiz muito, é algo muito difícil, é um trabalho de monge, (aponta para uma ilustração original de Yragael na parede, gigantesca e intricada, desenhada em uma folha A3) te desgasta muito, cansa, então quero passar para outras coisas.

Gosto de design de móveis, é fabuloso, vai rápido e eu gosto disso. Mas tenho o desejo desse último álbum de quadrinhos, como os músicos que falam de seu último disco. Fiz muito disso, não tenho mais vontade de fazer a mesma coisa por tanto tempo. É complicado por que quando você embarcou em um quadrinho, é ótimo, por que você vê as coisas evoluindo gradualmente.

Agora estou trabalhando no álbum Delirius II, mas o roteiro não me convence, é bom, mas me cansa um pouco, não sei se vai sair.

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Entrevista Philippe Druillet – oitava parte

Por Renato Lebeau | 1 agosto de 2008

A seguir a oitava parte da entrevista.

Agradecimentos a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista.
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O que você acha de AleisterCrowley? Já praticou magia?

Druillet fica sério.

“Interessei-me, mas são seitas, eu conheço, é perigoso, você pode conhecer mulheres de outra maneira (risos).

É perigoso, muito perigoso. É outro mundo, é selvagem. Eu fui pego há 30 anos. Quando perdi minha esposa, quando fiz La Nuit fui um pouco longe nesse domínio, e para falar como uma criança, me dei conta que estava perdendo minha alma, e precisava voltar ao mundo humano, à realidade.

Se eu fosse muito longe, não estaria mais no meu mundo. Foram pesquisas muito difíceis, Lovecraft fala disso. Eu conheço pessoas em Paris, é verdade. Mas não, é muito perigoso… É totalmente desestabilizante nos planos social e criativo. O mundo é feito de coisas que vemos, com nossos olhos, e o outro mundo nós não vemos.

Os dois estão lado a lado. Não temos a chave para passar para o outro, não sei se a morte é uma chave, mas quando se entra nesse domínio, você irá sentir perigo. Eu pratiquei alguns rituais na época, que me trouxeram muitos problemas, você não controla; você é comido.

Você deve ter muita força e conhecer aquilo com o que lida à fundo para se proteger. Se você chama certas coisas, essas coisas podem não te largar. E para responder a pergunta efetivamente, em 1976, 77 eu fui muito longe nesse domínio. Mas parei, decidi voltar a realidade.

Alguns anos depois me casei com outra mulher e tivemos um filho, e abandonei esse tipo de pesquisa. Fui muito longe, muito longe.”

Qual é a sua experiência com drogas?

“Muito simples, para falar bem francamente, já tomei tudo que existe no planeta, com exceção de ácido, pois vi muitas pessoas se dando mal com isso, gente se jogando por janelas e coisas assim.

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Entrevista Philippe Druillet – sétima parte

Por Renato Lebeau | 31 julho de 2008

A seguir a sétima parte da entrevista.

Agradecimentos a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista.
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O trabalho de Druillet é tomado por imagens místicas, figuras religiosas profanas e deuses antigos. Tanto Yragael como Vuzz e LoneSloane são personagens cercados de simbolismos herméticos, as histórias populadas por “padres loucos” (Yragael) magos doentios, homossexuais e violentos (Vuzz) e deuses negros (LoneSloane). sua arte transmite uma sensação grandiosa, remetendo a símbolos místicos, magia, cabala, magia do caos. Ídolos enterrados no tempo ao lado de grandiosas e assustadoras estatuas povoam seus mundos, tomados por bárbaros e magos.

Eu já havia escutado que o próprio Druillet colocava o que Austin Osman Spare chamou de “sigils”, símbolos mágicos que devem ser carregados de poder através de rituais, em meio aos detalhes barrocos e complexos de seus quadros. Assim, a intenção do “sigil” iria se espalhar no inconsciente de quem lesse seus livros, tendo a magia carregada por centenas de milhares de leitores. Era hora de confirmar se o boato era verdade.

Pergunto a Druillet se ele tem alguma visão metafísica do mundo, se ele tem uma visão espiritual de sua existência e se já praticou magia, como tenho ouvido por rumores, há anos.

“Não sou religioso, ao menos não da maneira vista tradicionalmente. Não sou também contra a religião, mas sim contra os fanáticos, sejam eles católicos, judeus ou muçulmanos. Eu respeito as pessoas que tem uma crença, como algo pessoal, mas quando as pessoas tentam fazer disso um instrumento de poder, é terrível. Na Bíblia há uma frase que é terrível, “Crescei e multiplicai-vos”, isso quer dizer “O quão mais forte vocês forem, o quão maiores vocês forem, mais vocês irão destruir as outras religiões e os que forem diferentes de vocês”.

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Entrevista Philippe Druillet – sexta parte

Por Renato Lebeau | 30 julho de 2008

A seguir a sexta parte da entrevista.

Agradecimentos a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista.
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Pergunto então, como foi a produção de La Nuit, um de seus álbuns mais pesados e simbólicos.

“Eu sou um desenhista lírico, faço meus roteiros como se fossem partituras musicais. La Nuité a história da morte de minha mulher.Trabalhei dia e noite, escutando Doors, Stones e Jimi Hendrix, completamente drogado. Escutava ópera também.

Por isso em meus álbuns como Salammbôe La Nuit costumo citar minhas influências musicais. Isso é muito importante para mim. Foi um momento muito pesado para pois perdi minha primeira mulher, e eu achei que seria meu último álbum, pois era sobre o fim do relacionamento com a pessoa com a qual eu construí essa época da minha vida, e real. Os meus primeiros seis álbuns eram minha adolescência meu começo e ele para com a morte da pessoa com a qual transcrevi essa parte da minha vida, ente parei por alguns anos.

Só voltei com GAIL. La Nuit acabou se tornando um álbum Cult, pela primeira vez coloquei a idéia da morte em um álbum de quadrinhos, no mundo da banda desenhada, o que era impossível antes. Fiz um álbum totalmente destrutivo, que foi abraçado por “hardrockers”, quando o grupo de metal ProtonBurst fez a sua apresentação de La Nuit, com projeções do álbum, tocando músicas tiradas dele, e eu me vi cercado de 1500 cabeludos tatuados, cheios de pregos, olhei ao redor e pensei “Eu criei isso!” (risos).

Ver esses cabeludos era ver meu quadrinho vivo. Fiquei com eles a madrugada inteira, bem, se colhe o que se semeia (risos). Acho que é meu álbum mais importante, e eu sabia que havia um público para esse tipo de trabalho. Em 1976 quando o álbum foi lançado, não vendeu praticamente nada.

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Entrevista Philippe Druillet – quinta parte

Por Renato Lebeau | 29 julho de 2008

A seguir a quinta parte da entrevista.

Agradecimentos a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista.
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E a fundação da Metal Hurlant, a revista que iniciou os quadrinhos adultos no mundo?

“Metal Hurlant é Moebius, Druillet e Dionnet. A revista virou uma lenda, e agora na França saem livros e matérias sobre ela, sempre. Tudo começou com as L’echo de savannes. Bretécher, Mandrika e Gotlib são os nomes importantes. Em 1974 a L’echo de Savannes se afunda pois o distribuidor foge com o dinheiro. O conceito de Metal Hurlant vem de NikitaMandrika.

Nós, Dionnet, Druillet e Moebius decidimos fazer o título viver. Foi uma explosão de inteligência e talento. Como editor, Dionnet achava sempre novos autores e artistas. Mas na época éramos muito jovens, não tínhamos como gerenciar dinheiro ou da gestão de uma editora… Passamos nosso tempo a falir, era um pesadelo. Tornou-se uma revista maldita, e acabamos vendendo-a.

De qualquer forma foi a primeira revista de quadrinhos francesa editada nos EUA, como Heavy Metal, e teve quinze edições Européias. Era monstruoso, tinha edições na Alemanha, Itália, Espanha, Grécia… Uma coisa inacreditável. Nós inventamos um novo conceito de quadrinhos, como fez a Pilote, na época.

Metal Hurlant correspondia as necessidades de uma nova geração, que precisava de algo de novo. Queríamos criar nossa própria revista sem estar prisioneiros de quem quer que seja. Goscinny, o grande criador da banda desenhada moderna, o criador de Asterix, era o editor da Pilote e me dava liberdade lá, mas os outros não me entendiam, me consideravam um louco. Vimos que não tínhamos mais futuro na Pilote e tínhamos que criar nossa própria revista. Isso trouxe relações tensas, coisas que acontecem mesmo, e que Dionnet conheceu quando Metal Hurlant foi comprada.

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Entrevista Philippe Druillet – quarta parte

Por Renato Lebeau | 28 julho de 2008

A seguir a quarta parte da entrevista.

Agradecimentos a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista.

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O editor da minha primeira história se chamava Terre Vague, e foi o mesmo de Barbarella. Era um lançamento com tiragem limitada, para colecionadores, para uma elite, só para quem já conhecia. E eu queria fazer uma história em quadrinhos de qualidade, um trabalho em um suporte popular que fosse revolucionário.

Nessa época eu trabalhava na revista Pilote, que era líder de vendas. Vendíamos mais de 200 mil cópias por semana, e eu já desenhava. A gente era líder nas universidades, nas escolas, numa classe de 40 alunos tinham 4 que liam, e a revista passava pela classe inteira. Nós sabíamos, na época, que nós éramos lidos por entre 800 mil a um milhão de pessoas por semana.

“Culturalmente, antes de 68, a França era um país subdesenvolvido.”

Pergunto-lhe como foi conhecer a obra de Lovecraft, esse escritor norte americano que influencia tantas pessoas, não só autores, como Neil Gaiman e Alan Moore, como bandas e músicos.

“Eu tinha 14 anos quando descobri Lovecraft. Eu caí num mundo de maravilha, eu li tudo e tive o choque da minha vida. Era algo totalmente inacreditável. Conheci sua obra em livrarias, através de um grupo de pessoas que eram como que anarquistas, que gostavam de literatura fantástica, cinema e nós trocavamos informações, eles eram marginais, como as pessoas da resistance, mas agora isso se acabou.”

“Quando conheci Lovecraft foi como se uma porta se abrisse para mim” afirma Druillet.

Na França sou conhecido como o ilustrador Lovecraftiano por excelência. O universo dele me influenciou muito. Construi em cima dele o início de meu trabalho. Fiz 17 páginas do livro que ele inventou, oNecronomicon, o livro dos mortos de Alhazred, (livro imaginário com informações ocultas criado por Lovecraft, constantemente citado em suas histórias) nunca fiz mais do que isso e hoje em dia elas existem no mundo inteiro. Alguns filmes já as usaram como parte de sua abertura.

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Entrevista Philippe Druillet – terceira parte

Por Renato Lebeau | 25 julho de 2008

A seguir a terceira parte da entrevista.
Agradecimentos a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista.

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Pergunto a Philippe como ele descobriu que queria ser um artista, e como percebeu que essa era, por assim dizer, sua vocação.

“Bem, venho de uma família extremamente pobre, preferia ter vindo de uma rica. Eu comecei a trabalhar cedo, com 16 anos, mas sempre tive paixão pelo desenho. Cheguei a Espanha com um ano, e meu pai morreu quando eu tinha oito anos”, ele diz.

“Morei esses oito anos em Figueiras, antes de voltar da França, pois meu pai havia apoiado o nazismo durante a ocupação Francesa, era um dos colaboradores, não podíamos voltar. Figueiras é a cidade de Salvador Dalí, quando eu era pequeno desenhava e as pessoas me falavam “mais tarde você vai ser como o Salvador Dalí, um bom começo” (risos).

E a imagem sempre foi algo muito forte para mim, sempre teve um poder muito grande, a imagem tinha uma força muito grande sobre nós. As crianças de hoje estão o tempo todo na internet, em vídeo games, um desenho não diz muito a elas.

Nunca me esqueço dos dois primeiros filmes que vi e o poder de sua imagem sobre mim. Um deles foi “O Sepulcro Indiano” de Fritz Lang, outro, uma adaptação de Shakespeare que jamais consegui identificar. Essas imagens me deixaram impressionado. Fiquei fascinado com a idéia de desenhar algo.

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Entrevista Philippe Druillet – segunda parte

Por Renato Lebeau | 24 julho de 2008

A seguir a segunda parte da entrevista.
Como eu disse no primeiro post referente a entrevista, a cada dia eu colocarei uma parte.
Mais uma vez, agradecimentos a Joaquim Ghirotti.

Entrevista – Segunda Parte

A obra mais célebre de Druillet provavelmente é La Nuit, uma espécie de saga punk, sobre um grupo de motociclistas violentos em um futuro apocalíptico, feita nos anos 70.

O álbum começa festivo, mostrando que o grupo é de personagens excessivos e hedonistas; eles se drogam, tem tatuagens e cabelos compridos, dançam e cantam ao som de “Brown Sugar” dos Rolling Stones e vivem em um mundo que lembra muito os cenários da série de filmes Mad Max.

A violenta celebração das personagens gradualmente chega ao fim quando Druillet começa a matar eles, um por um, de forma cada vez mais violenta, fazendo com que a narrativa culmine em uma catarse apocalíptica e destruidora na qual o próprio universo se desintegra, destruindo a tudo e a todos; sua esposa na época, Nicole, sofria de câncer.

A doença a consumiu gradualmente enquanto Philippe fazia o álbum, desenhando à noite. No final, sua sanidade já estava no limiar da razão: ele colou fotos da esposa nas páginas, muitas delas nus delicados, enquanto desintegrava o mundo de seus personagens e os matava um a um, até implodir tudo e dissolver seu último e desesperado personagem em traços que evanescem, no último quadrinho, tentando assim, claro, matar também sua própria dor.

Trata-se de uma das obras de quadrinhos mais pessoais, épicas, dolorosas e experimentais já feitas. Um trabalho de arte inigualável, grandioso e extremamente sincero. Algo jamais feito antes ou desde então.
A obra virou um filme underground, nos anos 80.

Jamais foi publicada no Brasil. Assim como toda obra de Druillet.

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Entrevista Philippe Druillet – primeira parte

Por Renato Lebeau | 23 julho de 2008

É com grande orgulho que a equipe do Impulso Hq publica esse post.

Essa edição da entrevista na íntegra é EXCLUSIVIDADE, online, no Impulso HQ, mas parte dela já saiu no + SOMA.

Eu agradeço imensamente a Joaquim Ghirotti, que fez a entrevista e disponibilizou-a para o blog.

Na entrevista com Philippe Druillet, um dos maiores quadrinhistas Franceses vivos, o leitor poderá saber mais sobre esse grande artista, que é um dos ícones da Revista Heavy Metal, e como está a sua atual produção.

Eu dividi a entrevistas em partes, devido ao material ser de grande qualidade, e ter fotos do ateliê e de algumas obras.

Para entrar em contato com Joquim Ghirotti entre em contato pelo e-mail ou acessem o blog.

Então sem mais delongas fiquem com a entrevista na íntegra.

Entrevista – Primeira Parte

Agradecimentos especiais a Camila Caligari e Pierre de Kerchove no seu indispensável auxílio na realização dessa entrevista. Muito obrigado!

Philippe Druillet é um dos mais importantes quadrinhistas Franceses vivos, mas curiosamente sua carreira é alvo de pouco destaque fora da França.

Junto com Moebius e Jean-Pierre Dionnet, Druillet fundou a revista METAL HURLANT em 1975. A revista foi levada dois anos depois para os Estados Unidos com o nome de Heavy Metal, chegando inclusive a ter uma edição Brasileira, que durou alguns anos.

O exercício feito por esses franceses levou ao surgimento de toda uma geração de quadrinhos feitos para adultos, que se espalhou pelo mundo, misturando-se ao Underground Norte Americano e resultando em revistas como EPIC, 1984, FANTAGOR, FEVER DREAM, ANDROMEDA, SKULL, SLOW DEATH e muitas outras.

No Brasil, tivemos publicações como as revistas PORRADA, CIRCO, CHICLETE COM BANANA e ANIMAL que procuraram explorar exatamente o espírito iniciado pela Hurlant. É possível dizer que não teríamos o trabalho da editora Conrad, hoje em dia, exceção feita aos mangás, se não fosse por Druillet, Dionnet e Moebius.

Druillet é acima de tudo um artista multimídia. Fez séries de animação em 3D como Nosferatu e Xcalibur, vídeo games como Ring, baseado no ciclo dos anéis de Richard Wagner, desenha móveis objetos de decoração para os Bancos Benjamin e Edmond de Rothschild, de Lugano e Genébra. George Lucas lhe pediu pessoalmente que fizesse uma ilustração de um cartaz para Star Wars.

Fez desenhos animados e filmes, seu álbum La Nuit foi musicado e transformado em uma ópera rock pelo grupo ProtonBurst. Em 1985 fez o projeto do Metro La Villette, a pedido de Jack Lang, ministro da cultura.
E acima de tudo, Druillet publicou dezenas e dezenas de histórias em quadrinhos.

Mas ele sempre foi menos internacional, menos celebrado e requisitado do que Moebius, talvez seu irmão gêmeo “negativado”, no sentido de que Druillet é muito menos comercial e sua arte é mais específica, presa as suas próprias características e ao seu estilo, tão pessoal.

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