Posts com a Tag ‘Heavy Metal’

Entrevista Philippe Druillet – terceira parte

Por Renato Lebeau | 25 julho de 2008

A seguir a terceira parte da entrevista.
Agradecimentos a Joaquim Ghirotti, realizador da entrevista.

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Pergunto a Philippe como ele descobriu que queria ser um artista, e como percebeu que essa era, por assim dizer, sua vocação.

“Bem, venho de uma família extremamente pobre, preferia ter vindo de uma rica. Eu comecei a trabalhar cedo, com 16 anos, mas sempre tive paixão pelo desenho. Cheguei a Espanha com um ano, e meu pai morreu quando eu tinha oito anos”, ele diz.

“Morei esses oito anos em Figueiras, antes de voltar da França, pois meu pai havia apoiado o nazismo durante a ocupação Francesa, era um dos colaboradores, não podíamos voltar. Figueiras é a cidade de Salvador Dalí, quando eu era pequeno desenhava e as pessoas me falavam “mais tarde você vai ser como o Salvador Dalí, um bom começo” (risos).

E a imagem sempre foi algo muito forte para mim, sempre teve um poder muito grande, a imagem tinha uma força muito grande sobre nós. As crianças de hoje estão o tempo todo na internet, em vídeo games, um desenho não diz muito a elas.

Nunca me esqueço dos dois primeiros filmes que vi e o poder de sua imagem sobre mim. Um deles foi “O Sepulcro Indiano” de Fritz Lang, outro, uma adaptação de Shakespeare que jamais consegui identificar. Essas imagens me deixaram impressionado. Fiquei fascinado com a idéia de desenhar algo.

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Entrevista Philippe Druillet – segunda parte

Por Renato Lebeau | 24 julho de 2008

A seguir a segunda parte da entrevista.
Como eu disse no primeiro post referente a entrevista, a cada dia eu colocarei uma parte.
Mais uma vez, agradecimentos a Joaquim Ghirotti.

Entrevista – Segunda Parte

A obra mais célebre de Druillet provavelmente é La Nuit, uma espécie de saga punk, sobre um grupo de motociclistas violentos em um futuro apocalíptico, feita nos anos 70.

O álbum começa festivo, mostrando que o grupo é de personagens excessivos e hedonistas; eles se drogam, tem tatuagens e cabelos compridos, dançam e cantam ao som de “Brown Sugar” dos Rolling Stones e vivem em um mundo que lembra muito os cenários da série de filmes Mad Max.

A violenta celebração das personagens gradualmente chega ao fim quando Druillet começa a matar eles, um por um, de forma cada vez mais violenta, fazendo com que a narrativa culmine em uma catarse apocalíptica e destruidora na qual o próprio universo se desintegra, destruindo a tudo e a todos; sua esposa na época, Nicole, sofria de câncer.

A doença a consumiu gradualmente enquanto Philippe fazia o álbum, desenhando à noite. No final, sua sanidade já estava no limiar da razão: ele colou fotos da esposa nas páginas, muitas delas nus delicados, enquanto desintegrava o mundo de seus personagens e os matava um a um, até implodir tudo e dissolver seu último e desesperado personagem em traços que evanescem, no último quadrinho, tentando assim, claro, matar também sua própria dor.

Trata-se de uma das obras de quadrinhos mais pessoais, épicas, dolorosas e experimentais já feitas. Um trabalho de arte inigualável, grandioso e extremamente sincero. Algo jamais feito antes ou desde então.
A obra virou um filme underground, nos anos 80.

Jamais foi publicada no Brasil. Assim como toda obra de Druillet.

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Entrevista Philippe Druillet – primeira parte

Por Renato Lebeau | 23 julho de 2008

É com grande orgulho que a equipe do Impulso Hq publica esse post.

Essa edição da entrevista na íntegra é EXCLUSIVIDADE, online, no Impulso HQ, mas parte dela já saiu no + SOMA.

Eu agradeço imensamente a Joaquim Ghirotti, que fez a entrevista e disponibilizou-a para o blog.

Na entrevista com Philippe Druillet, um dos maiores quadrinhistas Franceses vivos, o leitor poderá saber mais sobre esse grande artista, que é um dos ícones da Revista Heavy Metal, e como está a sua atual produção.

Eu dividi a entrevistas em partes, devido ao material ser de grande qualidade, e ter fotos do ateliê e de algumas obras.

Para entrar em contato com Joquim Ghirotti entre em contato pelo e-mail ou acessem o blog.

Então sem mais delongas fiquem com a entrevista na íntegra.

Entrevista – Primeira Parte

Agradecimentos especiais a Camila Caligari e Pierre de Kerchove no seu indispensável auxílio na realização dessa entrevista. Muito obrigado!

Philippe Druillet é um dos mais importantes quadrinhistas Franceses vivos, mas curiosamente sua carreira é alvo de pouco destaque fora da França.

Junto com Moebius e Jean-Pierre Dionnet, Druillet fundou a revista METAL HURLANT em 1975. A revista foi levada dois anos depois para os Estados Unidos com o nome de Heavy Metal, chegando inclusive a ter uma edição Brasileira, que durou alguns anos.

O exercício feito por esses franceses levou ao surgimento de toda uma geração de quadrinhos feitos para adultos, que se espalhou pelo mundo, misturando-se ao Underground Norte Americano e resultando em revistas como EPIC, 1984, FANTAGOR, FEVER DREAM, ANDROMEDA, SKULL, SLOW DEATH e muitas outras.

No Brasil, tivemos publicações como as revistas PORRADA, CIRCO, CHICLETE COM BANANA e ANIMAL que procuraram explorar exatamente o espírito iniciado pela Hurlant. É possível dizer que não teríamos o trabalho da editora Conrad, hoje em dia, exceção feita aos mangás, se não fosse por Druillet, Dionnet e Moebius.

Druillet é acima de tudo um artista multimídia. Fez séries de animação em 3D como Nosferatu e Xcalibur, vídeo games como Ring, baseado no ciclo dos anéis de Richard Wagner, desenha móveis objetos de decoração para os Bancos Benjamin e Edmond de Rothschild, de Lugano e Genébra. George Lucas lhe pediu pessoalmente que fizesse uma ilustração de um cartaz para Star Wars.

Fez desenhos animados e filmes, seu álbum La Nuit foi musicado e transformado em uma ópera rock pelo grupo ProtonBurst. Em 1985 fez o projeto do Metro La Villette, a pedido de Jack Lang, ministro da cultura.
E acima de tudo, Druillet publicou dezenas e dezenas de histórias em quadrinhos.

Mas ele sempre foi menos internacional, menos celebrado e requisitado do que Moebius, talvez seu irmão gêmeo “negativado”, no sentido de que Druillet é muito menos comercial e sua arte é mais específica, presa as suas próprias características e ao seu estilo, tão pessoal.

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Heavy Metal sem novo filme

Por Renato Lebeau | 11 julho de 2008

Filme baseado nas HQs da revista Heavy Metal, anunciado em março, não tem mais estúdio.

Depois do anuncio da Paramount, em março, que estava se associando com a produtora de animação Blur Studio e David Fincher (Se7en, Zodíaco) para realizar um longa-metragem animado inspirado na revista cult de fantasia e ficção científica Heavy Metal, a Paramount decidiu desistir da idéia, segundo o site norte-americano Hollywood Insider, o motivo é o teor adulto de Heavy Metal, que nas palavras da revista “a idéia de David Fincher é arriscada demais para o grande público”.

Fincher e Tim Muller, o dono do Blur Studio, procurarão outras empresas para financiar o investimento.

A idéia é preservar o conteúdo erótico e violento da publicação lançada nos EUA em 1977, mas existe desde 1974, onde era publicada na França por Moebius cujo nome era Métal Hurlant.

Nos EUA a revista se tornou o espaço “alternativo” para autores americanos como Walter Simonson e Howard Chaykin, entre outros.

O filme seria oito a dez histórias separadas, de vários gêneros, cada uma dirigida por um diretor.

Fincher e Eastman dirigiriam um episódio cada. Steve Niles (30 Dias de Noite), Joe Haldeman (The Forever War) e Neal Asher (Gridlinked), eram outros nomes envolvidos no longa.

Heavy Metal já teve duas adaptações animadas, em 1981 e 2000.