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A existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 3

Por Gazy Andraus | 2 dezembro de 2009

Fig. 8-LeProcessus-Mathieu-trechop44

Figura 8

Nas páginas seguintes há uma mescla destas técnicas: foto, escultura e desenhos, mostrando o passeio surreal e metalinguístico do personagem num mundo “alternativo” em que ele também vê as páginas da HQ na qual ele vive, com desenhos acabados ou não, em passagens quadrinhizadas já vividas pelo personagem assombrado.

Caminhando perturbado, mas resignado, por fim, nosso herói reconhece, numa das pranchas da HQ do artista, seu quarto, e resolve “descer e entrar” nele, novamente (fig. 8).

Na página 45 surge mais um capítulo, mas também referenciado como 5o, que se chama “o circuito se fecha”:

Nesta página, um único e grande quadro mostra Jacquesfacques de costas na cama, despertando. Na página seguinte ele se depara com seu outro eu, e na página 46, repetem-se os 5 últimos quadros da página 8, e a p. 47 se mostra idêntica a p. 9, culminando na página 48 (fig. 9), que seria idêntica à 10ª. página não fosse por sua leitura espiralada até o centro da página, em escala reducional de quadros, como se estivesse repetindo todo o percurso já lido da HQ, aludindo a um destino cíclico (e espiralado?).

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A existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 1

Por Gazy Andraus | 19 novembro de 2009

Fig. 1- MarcAMathieu-HQ

Figura 1

A múltipla realidade paralela da existência (in)consciente de Julius Corentin – Parte 1

Neste último 6º. FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, que aconteceu em Belo Horizonte no mês de outubro de 2009, havia um autor francês que acabou não vindo ao evento. O que foi uma pena, pois o trabalho de Marc-Antoiune Mathieu, cujo nome apareceu na primeira lista desse último FIQ, é um dos melhores que já vi no cenário da BD (HQ, como são conhecidas na França) contemporânea, em matéria de criatividade, em meio a tanta falta de originalidade generalizada pelo mundo.

Além disso, seus trabalhos trazem em pauta uma crítica à burocratização, em específico na obra “Le Processus” (com o personagem principal Julius Corentin Acquefacques, prisioneiro dos sonhos).

Pois senão, vejamos o que este, um de seus vários álbuns, tem a nos dizer.

“Le Processus [1] ”  (fig. 1) é uma obra em narrativa seqüencial dividida em 5 partes, mais um prólogo, dividido da seguinte maneira:

0) Prólogo;
1) A intrusão fatal;
2) A usina dos sonhos;
3) O pesadelo do teto;
4) Em busca do sonho perdido;
5) O infra-sonho ou a ultra-realidade [2];

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