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	<title>Impulso HQ &#187; entrevista</title>
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		<title>Entrevista: Sebastião Seabra</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 11:17:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Por: Túlio Vilela*
O Impulso HQ continua sua série de entrevistas com nomes do quadrinho nacional. Desta vez, o desenhista Sebastião Seabra comenta a respeito dos editores brasileiros de quadrinhos que aplicam calotes nos desenhistas.
Seabra fala disso e muito mais, especialmente do amadorismo e das picaretagens cometidas por muitos pretensos editores de quadrinhos brasileiros.
Para quem não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10698" title="abertura" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/abertura2.jpg" alt="abertura" width="400" height="400" /></p>
<p><strong>Por: </strong>Túlio Vilela*</p>
<p>O Impulso HQ continua sua série de entrevistas com nomes do quadrinho nacional. Desta vez, o desenhista Sebastião Seabra comenta a respeito dos editores brasileiros de quadrinhos que aplicam calotes nos desenhistas.</p>
<p>Seabra fala disso e muito mais, especialmente do amadorismo e das picaretagens cometidas por muitos pretensos editores de quadrinhos brasileiros.</p>
<p>Para quem não conhece, Sebastião Seabra é um desenhista veterano, que já trabalhou para grandes jornais, agências de publicidade e para muitas editoras, tanto de livros didáticos quanto de quadrinhos. Desenhou centenas de páginas de histórias em quadrinhos eróticas e de outros gêneros. Também desenhou graphic novels para uma editora da Bélgica.</p>
<p>Atualmente, Seabra está envolvido numa série de projetos que estão sendo desenvolvidos em seu estúdio em Araraquara, cidade do interior paulista.</p>
<p>Isso e muito mais você vai saber melhor nesta entrevista exclusiva ao Impulso HQ.</p>
<p><strong>Impulso HQ: Atualmente você é freelancer ou está empregado em alguma editora, agência de publicidade ou jornal?<br />
Sebastião Seabra: </strong>Sempre trabalhei como freelancer&#8230; Já há trinta e cinco anos. Comecei aos dezesseis anos de idade na Folha de São Paulo (passando em seguida para o jornal Notícias Populares) desenhando tiras diárias de aventura, romance e cômicas.</p>
<p>Até poucos meses atrás eu lecionava, fazia charge política e caricatura para jornais, ilustração publicitária, etc, mas parei com tudo isso e voltei a me dedicar apenas aos quadrinhos.</p>
<p><span id="more-10697"></span><img class="aligncenter size-full wp-image-10699" title="01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/012.jpg" alt="01" width="398" height="600" /></p>
<p><strong>IHQ: Uma das qualidades que mais chama a atenção no seu trabalho é o seu conhecimento de anatomia, especialmente o desenho de belas mulheres. Como você desenvolveu sua técnica de desenho? Você cursou alguma escola de desenho ou é autodidata mesmo?<br />
S.S.: </strong>Sou autodidata. Quando fui morar em São Paulo, em 1969, aos onze anos, eu sabia de antemão que seria um desenhista de quadrinhos. Sabia também, apesar de não manter contato com ninguém da área ou outro leitor de quadrinhos , que teria de saber anatomia humana para me tornar um ilustrador.</p>
<p>Naqueles idos de 1970, em minhas andanças pelo centro da cidade, uma das livrarias que mais me chamava a atenção era uma filial da Editora Tecnoprint, na esquina da rua Conselheiro Crispiniano com a Avenida São João.</p>
<p>Entrei lá e me deparei com a edição em livro de bolso de Desenho e Anatomia, de Victor Perard. Um dos melhores livros do gênero! Daquele diai em diante me debrucei em suas páginas, copiando de tudo um pouco, assimilando&#8230;</p>
<p>Outra coisa fundamental para minha formação foram as aulas com modelo vivo todas as quintas à noite na Pinacoteca do Estado. Uma antiga namorada me levou lá. Os desenhos de lindas mulheres, o nu, talvez venham dai.Uma semana uma garota posava, na semana seguinte posava um rapaz&#8230;  Poses de cinco, dez, quinze minutos.</p>
<p>Quando entendi o mecanismo da coisa eu passei a pular a semana do rapaz. Minha namorada não gostou muito. Perdi a namorada, mas aprendi sobremaneira as nuances do corpo feminino. Ou pelo menos continuo me esforçando pra aprender.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10700" title="09" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/092.jpg" alt="09" width="400" height="400" /></p>
<p><strong>IHQ: Antes de trabalhar com desenho você chegou a ter algum outro tipo de emprego?<br />
S.S.:</strong> Aos dezoito, dezenove anos trabalhei oito meses, empregado, batendo cartão, numa firma de cartões de natal e namorados. Lá aprendi a mexer com fontes, corpo de letras, diagramação, etc. Também ajudava nos desenhos de um ou outro cartão de natal.</p>
<p><strong>IHQ: Na época em que ainda havia pequenas editoras brasileiras investindo em quadrinhos nacionais (terror, eróticos&#8230;), era possível o desenhista viver de quadrinhos ou pelo menos se sustentar com dignidade?<br />
S.S.: </strong>Jamais foi possível viver com dignidade no Brasil desenhando apenas quadrinhos. Ainda hoje é assim. A situação não mudou um milímetro. O que um editor médio brasileiro paga por uma página razoável de quadrinhos gira em torno de 10 ou 15 dólares. Sempre foi assim.</p>
<p>O editor de quadrinhos no Brasil não tem cérebro pra essa função! Agora, imagine você, se um jovem desenhista perde o dia todo para fazer uma página razoável de quadrinhos (texto, letras, desenho e arte-final) pra ganhar míseros 10 dólares por página!</p>
<p>Mesmo trabalhando para quem pagava melhor por uma boa página (mais ou menos o dobro dessa quantia) era inviável.</p>
<p>Quem paga mais, tipo 50 dólares exige um padrão de fora que muitos desenhistas não tem como competir. Assim, dá no mesmo. A produção cai ou ele é obrigado a dividir o trabalho com outras pessoas. Ou seja, nunca se pagou o suficiente.</p>
<p>A grande produção de quadrinhos sempre foi feita por desenhistas em início de carreira, adolescentes, ou seja, uma mão de obra ávida e barata, que não precisa de mais que alguns trocados no bolso para ir vivendo.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10701" title="08" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/082.jpg" alt="08" width="398" height="600" /></p>
<p>Quiçá muitas vezes se alegra apenas com a publicação do seu trabalho.</p>
<p>O principal problema com a produção de histórias em quadrinhos no Brasil, além do baixo pagamento, é a falta de continuidade e a insegurança dos pagamentos. Os tradicionais calotes. Na maioria das vezes você trabalha esse mês sem saber se terá trabalho no mês seguinte, e recebe sabe-se Deus quando.</p>
<p>É uma coisa bem irracional.Sem continuidade não se cria profissional algum. Tampouco mercado.</p>
<p>Olha só como a coisa é tacanha. Um fato comum no mercado paulista é o editor lançar um título, o primeiro número e &#8220;ver&#8221; se ele vende&#8230; Caso esse título não venda, ele cancela e cria outro&#8230; Assim por diante.</p>
<p>O editor não investe em nada, não cria nada, nem artista, nem títulos, nem conceitos!</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10702" title="05" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/052.jpg" alt="05" width="398" height="600" /></p>
<p><strong>IHQ: Você ficou conhecido por desenhar quadrinhos eróticos e pornôs. Já sentiu vergonha por ter produzido esse tipo de material? Teve problemas com a família por causa disso?<br />
S.S.: </strong>Vergonha nunca senti, apenas sempre achei o material muito medíocre graficamente. O problema com a família é permanente, mas não se toca nesse assunto. É tabu. É como um vírus do computador que mantemos em quarentena. Sexo é tabu na sociedade brasileira e talvez ainda seja por muitos anos.</p>
<p><strong>IHQ: Por que você assinava alguns quadrinhos com o seu nome e outros com o pseudônimo de Sebastião Zéfiro?<br />
S.S.:</strong> Nem sempre sei explicar isso corretamente&#8230; Talvez um total desprezo pelo que eu fazia e, sabia, não o fazia corretamente. Talvez pelo fato de paralelo a isso, na época, estar ilustrando livros didáticos e religiosos.</p>
<p>Na minha mente infantil e pretensiosa, alguém poderia ligar meu nome aos quadrinhos eróticos e me causar algum embaraço&#8230;Pura tolice! Claro! Se ainda hoje ninguém sabe da existência de revistas miseráveis, com miseráveis tiragens, naquela época muita menos.</p>
<p>Há pouco tempo vi uma matéria num programa de quadrinhos na tevê, onde as pessoas se perguntavam se o Mozart Couto teria feito quadrinhos eróticos. E é gente da área! Imagine só!</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10703" title="03" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/032.jpg" alt="03" width="398" height="600" /></p>
<p><strong>IHQ: Na sua opinião, o seu trabalho na área de quadrinhos eróticos tem mais em comum com os catecismos de Carlos Zéfiro ou com as obras de desenhistas italianos como Milo Manara e  Serpieri, o criador de Druuna?<br />
S.S.: </strong>Rá! Rá! Rá! Rá! Rá! Meu trabalho na época era sujo e medíocre, como de boa parte dos autores de histórias em quadrinhos eróticas, tosco até não poder mais! Fruto de uma formação tosca e de pagamentos pra lá de toscos também.</p>
<p>Enfim, uma “tosqueira” só, que é o meio editorial de quadrinhos no Brasil! Na Europa, há todo um clima editorial, artístico e financeiro que permite que floresçam artistas do nível de um Serpieri e de um Milo Manara.</p>
<p><strong>IHQ: Você já desenhou quadrinhos de terror?<br />
S.S.: </strong>Sim, uma vez ou outra me encomendaram uma história em quadrinhos de terror, mas, habituado a fazer apenas histórias eróticas meu desenhos ficaram bem&#8230; Toscos!</p>
<p>Saiu material meu de terror na Press [editora paulista fundada pelo jornalista e desenhista Franco de Rosa, que na década de 1980 lançou muitas revistas em quadrinhos de terror, eróticas e de humor, dentre as quais, o primeiro gibi de Níquel Náusea, o divertido rato criado por Fernando Gonsales], na D&#8217;Arte [editora paulista fundada por Rodolfo Zalla, desenhista argentino radicado no Brasil, que durante anos publicou as revistas Calafrio e Mestres do Terror], numa editora obscura do interior paulista (nem me recordo onde) e uma história em quadrinhos inédita que vendi pra Escala.</p>
<p>Atualmente, a partir dos últimos meses de 2008, voltei a fazer apenas histórias em quadrinhos, e estou ilustrando um belo texto de terror do editor independente Alex Mir, além de duas séries de super-heróis, uma tira cômica, e mais uma ou outra coisa&#8230; Com o tempo tudo aparecerá no mercado.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10704" title="04" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/043.jpg" alt="04" width="398" height="600" /></p>
<p><strong>IHQ: Como surgiu a oportunidade de desenhar aquela história com um grupo de super-heróis brasileiros que saiu num daqueles almanaques da Phênix, aquela editora do Tony Fernandes e do Vanderlei Felipe? Há chance daqueles personagens voltarem?<br />
S.S.:</strong> Tony Fernandez e Vanderley Felipe, meus amigos idealistas e loucos, me honraram com um convite para fazer e publicar história em quadrinhos na então recém criada editora Phênix. De início, o Tony me pediu um &#8220;Batman&#8221;.</p>
<p>Em seguida, solicitei ao Marcos Ramelo, um amigo meu aqui de Araraquara e promissor desenhista, que também fizesse algo para colaborar na revista do Tony.</p>
<p>Ele tinha idéias e fôlego pra desenhar. Participei na arte-final e em uma ou outra coisa mais&#8230;</p>
<p>Sempre há chances de voltar. Basta ter alguém pra bancar a produção, é claro! Sem encomenda e pagamento não há trabalho.Eu mesmo não finalizo nenhuma das minhas novas histórias do Vingador Mascarado.</p>
<p>Simplesmente, porque não tenho encomenda, compromisso. Não é racional parar o que estou fazendo (trabalho encomendado e pago, com datas de entrega) para perder tempo com histórias em quadrinhos pelas quais nem sei quando poderei receber um pagamento e nem quando serão publicadas.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10705" title="06" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/062.jpg" alt="06" width="398" height="600" /></p>
<p><strong>IHQ: Como foi a experiência de produzir quadrinhos para o mercado europeu?<br />
S.S.:</strong> Foi boa! Na época, o dólar estava em alta e a ilusão de que se ganhava bem era grande. Não confiei na possibilidade de produzir pra eles, tampouco na minha capacidade, e demorei um pouco pra começar a fazer isso.</p>
<p>Aliás, foi um bocado disso tudo que fez com que eu não participasse mais ativamente das atividades da Art &amp; Comics [estúdio de propriedade de Hélcio de Carvalho, proprietário da Mythos Editora, que agencia o trabalho de desenhistas brasileiros para editoras dos Estados Unidos].</p>
<p>Apesar da insistência e da extrema gentileza do Hélcio em me convencer a fazer testes para o mercado americano, não me sentia capaz.</p>
<p>Além disso, eu já estava produzindo para a agencia belga COMU, e, ao mesmo tempo, achava inacessível desenhar pra Marvel.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10706" title="02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/022.jpg" alt="02" width="398" height="600" /></p>
<p><strong>IHQ: Quais diferenças e semelhanças você percebe entre desenhar quadrinhos para editoras brasileiras e produzir ilustrações para editoras de livros didáticos e agências de publicidade?<br />
S.S.: </strong>Bom, quando a situação exige a gente trabalha pra qualquer um, mas, para as editoras, quando há períodos de trabalho contínuo é bem agradável e criativo. As diferenças: para as editoras de quadrinhos trabalha-se com certa liberdade e criatividade, apesar do pouco pagamento.</p>
<p>Nos livros didáticos, o trabalho é um tanto técnico e maçante, e nas agências de publicidade perde-se tempo demais. As semelhanças é que, hoje em dia, todos eles pagam muito mal.</p>
<p><strong>IHQ: Você prefere quando seus desenhos a lápis são finalizados a nanquim por você mesmo ou por outros artistas?<br />
S.S.: </strong>Não sou do tipo chato e pretensioso que se preocupa tanto com seu lápis&#8230; Mas, infelizmente, nunca tive sorte com arte-finalistas e, de uns anos pra cá, que minha arte-final se firmou e melhorou um pouco, nunca vi razão para dividir o trabalho com alguém que iria finalizar pior do que eu e num prazo muito maior.</p>
<p>O dia em que aparecer um arte-finalista que trabalhe mais rápido e melhor do que eu sobre meus lápis, eu recapitulo.</p>
<p><strong>IHQ: É verdade que você teve problemas com uma editora que não queria pagar royalties pela republicação daquelas revistas de ensinar a desenhar que você produziu? Como terminou essa história?<br />
S.S.:</strong> Não deu em nada. Essa gente simplesmente nos ignora. Não nos atendem tampouco respondem e-mails. Pelo que me contaram, o sujeito recebeu mais “queixas” de outros autores, além das minhas, mas ao invés de atender às reivindicações lógicas de seus respectivos colaboradores, optou por cortar toda a produção daquelas revistas.</p>
<p>Uma típica reação de “Corone”. “Vocês não querem as migalhas, pois irão ficar sem nada!” Quer saber do pior? Em 2008 cometi a bobagem de fazer outra revista Como Desenhar pra outro deles. E o fiz, acredite, porque me deram ótimas referencias do sujeito!</p>
<p>Não adianta! É um mercado muito grosseiro! Editam revistas como se fossem secos e molhados, pra encalhar e depois vender em porta de bar e farmácia, por 1,99&#8230;</p>
<p>Em 1930, os americanos já editavam gibis pra vender! E vendiam-se milhões de cópias. Eram revistas pensadas, planejadas. É o caso do cinema nacional que a gente viveu até há pouco tempo. Por que diabos o diretor do filme estaria preocupado com a qualidade do que ele fazia, se o que interessava, a verba da Embrafilme, já estava no bolso dele?</p>
<p>Se o filme desse lucro ou não, pouco importava. Nos Estados Unidos quem financia os filmes quer lucro. Quem faz gibis também.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10707" title="07" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/072.jpg" alt="07" width="398" height="600" /></p>
<p><strong>IHQ: Como tem sido a experiência de vender apostilas de desenho pelo correio? Você apenas envia as apostilas ou chega a acompanhar o progresso dos alunos como faz o Joe Kubert com aqueles cursos de correspondência dele?<br />
S.S.: </strong>Muito gratificante!Pena que mal tenho tempo de cuidar disso. Faço tudo sozinho, desde a produção/criação, até a impressão, dobrar colocar em envelopes e ir levar ao correio. Chega a ser cômico, mas é legal! Pretexto pra parar de desenhar e dar um passeio até a agência de correio.</p>
<p>O relacionamento com os leitores é excelente! Sempre. Todos são extremamente educados e sempre que podem me escrevem para uma pergunta ou outra. Enfim, é uma relação de amizade e cavalheirismo.</p>
<p><strong>IHQ: Você acredita que com esta volta do crescimento da economia [a entrevista foi feita antes da recente crise econômica mundial que teve início nos Estados Unidos] e com o sucesso alcançado por alguns desenhistas brasileiros nos Estados Unidos, é possível que desenhistas brasileiros encontrem oportunidade de trabalhar e viver de quadrinhos produzindo para o mercado nacional?<br />
S.S.: </strong>Impossível!Enquanto o “pseudo-editor de quadrinhos tupiniquim” tratar o trabalho do desenhista de quadrinhos como se fosse um “bico” a mais, não haverá uma produção de quadrinhos nacional em grande escala.</p>
<p>Pensa assim: um desenhista brasileiro está acostumado a ganhar, digamos, 100 dólares por página para fazer uma bela página à lápis para a DC ou para a Marvel. Esse profissional produz, no mínimo, vinte e duas páginas por mês, coisa de mais ou menos uma página muito bem feita por dia&#8230; Total: 2.200 dólares ou algo em torno de 4.400 reais&#8230; Que editora pagaria essa quantia por apenas uma fase, no caso, o lápis, de uma página em quadrinhos aqui no Brasil?</p>
<p>E você viu que dei um exemplo bem baixo.Não pagariam nem pela página completa (roteiro, desenho, arte-final, letras&#8230;).</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-10708" title="curso_online_seabra" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2010/02/curso_online_seabra.jpg" alt="curso_online_seabra" width="400" height="400" /></p>
<p>O editor brasileiro nunca pagou e jamais pagará o mínimo necessário para um profissional fazer uma página digna por dia. Ele sempre pagou e sempre pagará como se esse trabalho fosse um bico a mais&#8230; Apenas uma renda extra para o profissional. O paradoxo é que essa bela página a lápis toma todo o dia do desenhista, ou mais.</p>
<p>A solução seria um contrato com porcentagem sobre as vendas, royalties, mas, se esse mesmo editor já paga a contragosto as migalhas, por que diabos toparia ceder o osso? Bom, na verdade, esse lance de alguns editores oferecerem royalties como parte do pagamento já vem ocorrendo aqui e acolá&#8230; Mas é um fenômeno recente.</p>
<p><strong>IHQ: Muitíssimo obrigado pela entrevista. O que você gostaria de dizer aos admiradores do seu trabalho que estão lendo esta entrevista? Mais uma vez, muito obrigado pelo seu tempo e atenção.<br />
S.S.:</strong> Mais uma vez, eu que agradeço, Túlio. Quanto aos leitores do meu trabalho, o que posso dizer é que seguirei fazendo o que eu quero e, na medida do possível, o melhor que eu conseguir fazer, brigando contra os moinhos de ventos de sempre e &#8211; pior &#8211; sem um “Sancho Pança” pra fazer a minha arte-final, limpar meus esboços, apontar meus lápis&#8230;<br />
_____________________<br />
<strong><br />
*Túlio Vilela, formado em história pela USP, é professor da rede pública do Estado de São Paulo e um dos autores dos livros “Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula” (Editora Contexto), “Quadrinhos na educação” (Editora Contexto) e “Muito além dos quadrinhos” (Devir).</strong></p>
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		<title>Entrevista: Gabriel Rocha &#8211; Lagarto Negro</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 12:07:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Gabriel Rocha é criador do Lagarto Negro, que em 2008 completou 10 anos na ativa!

Rod Gonzalez: Poderia nos dar uma pequena biografia sua?
Gabriel Rocha: Você pode encontrar uma biografia minha no site Bigorna (clique aqui).
Vai perceber que não é muita coisa!
R.G.: Recentemente seu maior personagem, o Lagarto Negro, comemorou 10 anos de criação. Existe algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7080" title="lagarto_negro_01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_01.jpg" alt="lagarto_negro_01" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Gabriel Rocha é criador do Lagarto Negro, que em 2008 completou 10 anos na ativa!<br />
<strong><br />
Rod Gonzalez: Poderia nos dar uma pequena biografia sua?<br />
Gabriel Rocha:</strong> Você pode encontrar uma biografia minha no site Bigorna (<a href="http://www.bigorna.net/index.php?secao=biografias&amp;id=1121807452">clique aqui</a>).<br />
Vai perceber que não é muita coisa!</p>
<p><strong>R.G.: Recentemente seu maior personagem, o Lagarto Negro, comemorou 10 anos de criação. Existe algo programado para comemorar a data?<br />
G. R.: </strong>Sim, há algumas previsões para comemoração dos 10 anos de criação do Lagarto Negro. Estão todos em andamento e sem definição de lançamento. Talvez a comemoração se prolongue por 2009. O bom de entrevistas na internet é que podemos divulgar os hiperlinks! Então <a href="http://www.lagartonegro.com.br/noticias_037.php">clique aqui,</a> e para ver a mais próxima de realização é a de iniciativa do Lucasi, noticiada, <a href="http://www.lagartonegro.com.br/noticias_040.php">clique aqui</a>.</p>
<p>O Lagarto Negro já fez uma breve aparição em uma edição extra de Vigilantes e Raicais,<a href="http://lucasiart.blogspot.com/2008/10/extra-parte-01.html"> clique aqui</a></p>
<p>Vale dizer que todas essas HQs possuem um elemento em comum, que é a iniciativa dos autores envolvidos, aos quais sou muito grato pela gentileza em ceder seus talentos ao desenvolvimento destes trabalhos. Muito obrigado, pessoal!</p>
<p><span id="more-7079"></span><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7081" title="lagarto_negro_02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_02.jpg" alt="lagarto_negro_02" width="398" height="600" /></a></p>
<p><strong>R.G.: O personagem e um dos super-heróis mais famosos do Brasil, quantas HQs do Lagarto Negro já foram produzidas?<br />
G. R.:</strong> É nada! Só quem conhece é a gente! Eheheheheh! E não estou escrevendo isso por modéstia de qualquer espécie! É a pura verdade! Quem sabe um dia&#8230;?! Foram produzidas poucas HQs. Uma boa parte está inédita, ou perdida. Tudo minha culpa! Abandonei o personagem por volta de 2002 e larguei tudo que estava em andamento.</p>
<p>Agora é complicado recuperar, mas muita coisa está voltando! Tenho uma listagem aqui, no final dessa página (<a href="http://www.lagartonegro.com.br/lagartonegro.php">clique aqui</a>).</p>
<p>A listagem não inclui novas HQs, e precisa ser atualizada.</p>
<p><strong>R.G.: Existem HQs inéditas?<br />
G. R.: </strong>Posso afirmar que, no momento, existem mais HQs inéditas em estado de produção do que HQs terminadas e já publicadas ou divulgadas. A produção de novas HQs é lenta devido ao processo de produção. As pessoas me procuram com idéias para desenvolver o personagem, eu costumo dar carta branca e fica tudo por conta dos colaboradores.</p>
<p>Estou cada dia mais liberal com essas coisas e algumas HQs já são feitas até mesmo sem meu conhecimento! Em geral, os colaboradores trabalham nessas HQs em seu tempo livre, e a verdade é que tempo livre é espécie em extinção. Estamos todos cada vez mais escravos da vida moderna e impedidos de nossas próprias iniciativas.</p>
<p>É preciso ter compreensão quanto a isso. Não vou atrás de ninguém com chicote porque assumiu algum tipo de responsabilidade em fazer uma HQ com Lagarto Negro. Não é nem justo e nem sadio.</p>
<p>Simplesmente prefiro deixar o barco correr solto para depois ter a surpresa de ver o personagem em alguma nova HQ! Dia de gibi novo, quem não gosta?</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7082" title="lagarto_negro_03" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_03.jpg" alt="lagarto_negro_03" width="398" height="600" /></a></p>
<p><strong>R.G.: Recentemente você revelou que o personagem foi inspirado no Horácio (do Mauríco de Sousa). Nada mais acertado, afinal os dinossauros não deixam de ser os antigos lagartos. O que você têm a dizer aos que insistem em compará-lo ao Aracnidio estrangeiro?<br />
G. R.: </strong>Pior que ninguém acredita nisso! Uma das minhas HQs inéditas narra o processo criativo completo de elaboração do Lagarto Negro. Era para ser mais uma matéria-que-ninguém-lê lá do site, mas acabou virando roteiro, justamente por que conta uma história.</p>
<p>Já sabem, né? Vai demorar para ficar pronta! O que dizer aos que comparam ao Silver-Spider? Denorex!!!! Se parece, então parece mais não é! O que acho mais engraçado é que ninguém se liga no cinto de utilidades!</p>
<p>Hahahahahahah! E olha que está lá desde o começo! E o Lagarto Negro não gruda que nem chiclete, não foi mordido por merda nenhuma radioativa, não cuida de tia velha, não mora em caverna, não tem filme no cinema e nem balança em cipó de Tarzam.</p>
<p>Houve um tempo em que isso me incomodava e resolvi modificar o visual da máscara. Criei uma enquete no site, e constatei que muita gente se incomoda realmente com o visual da máscara. Isso é um problema real.</p>
<p>Mas a maioria optou por manter o personagem do jeito certo, do jeito que é. E assim permanece. Não sei o que está escrito aqui, pois não sei nada de inglês, mas gostei das figurinhas e vou compartilhar com essa entrevista (<a href="http://kirbymuseum.org/blogs/simonandkirby/archives/category/periods/7-freelance/archie">clique aqui</a>).</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_04.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7083" title="lagarto_negro_04" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_04.jpg" alt="lagarto_negro_04" width="398" height="600" /></a></p>
<p>O Lagarto Negro foi criado para ser personagem de quadrinhos do gênero super-heróis, e possui muitas características comuns ao gênero. Normal. A bendita santa-imaculada-originalidade-sagrada-da-divina-fonte-criativa, pelo qual as pessoas tanto se auto-flagelam por aí, é só um fetiche ignorante.</p>
<p>Guardadas as devidas proporções, pois nunca fiz nada que se compare ao trabalho do mago inglês, quem é que pode dizer, por exemplo, que os personagens da Charton Comics são mais originais que os “Homens-Vigias”?!</p>
<p><strong>R.G.: Você foi um dos responsáveis pela revista Impacto, que publicava Lagarto Negro, Velta, Redentor e outros. Gostava muita da revista, conte-nos sobre a experiência e sua avaliação de porque não deu certo.<br />
G. R.: </strong>O Crânio, do Francinildo Sena, seria a capa do número 3. Emir, Marcos Franco e Francinildo são algumas das pessoas com quem mantenho bom relacionamento até hoje, graças a essa revista, e isso é tudo que trouxe do bom. Publiquei do meu bolso, dinheiro guardado durante 3 anos de estágio remunerado.</p>
<p>Saiu por uma editora que dizia apoiar quadrinhos. Caí nessa e perdi meu dinheiro, perdi os encalhes e perdi fé neste tipo de iniciativa. Vendeu o suficiente para criar um capital de giro, e honrar todos os compromissos se a editora não sugasse tudo para sumir do mapa. Levei um tempo para me recuperar.</p>
<p>Gostaria de pelo menos reaver os encalhes, mas a essa altura só Deus sabe o que aconteceu com minhas revistas. A “Impacto Fabricado no Brasil” custava R$1,99 numa época em que os gibis custavam R$10,00. Se recebesse investimento, no lugar de ser saqueada, poderia ter recebido cores e aumentado o número de páginas. Quem sabe? :/</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_05.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7084" title="lagarto_negro_05" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_05.jpg" alt="lagarto_negro_05" width="398" height="600" /></a></p>
<p><strong>R.G.: O que você achava da antiga cena de fanzines, onde havia intensa troca de correspondência, em comparação com a atual da internet?<br />
G. R.:</strong> Na verdade nunca fui parte disto. Antes de ser revista a impacto foi fanzine de fotocópia. E antes de ser fanzine de fotocópia, impressos em gráfica com tiragens de 3.000 exemplares, formato mini tablóide, distribuídos gratuitamente. O grupo era eu, Fred e Fabiano. Vendíamos anúncios, que pagaram as impressões e ainda deu lucro!</p>
<p>Mas só fizemos 3 números. Sabíamos que havia um grupo no Rio que se reunia para tratar de quadrinhos e chegamos a participar de um evento na Casa de Cultura Laura Alvim. Chegando lá fomos entrevistados (apenas o Fred na verdade) pela MTV como autênticos “fanzineiros obscuros”.</p>
<p>Devíamos ser mesmo “obscuros”, pois chegamos a ser maltratados por vender anúncios em nosso fanzine! Nesses eventos é que fui conhecendo pessoas, uma delas é um atual desafeto, mas que na época intermediou alguns contatos, entre trapalhadas e confusões.</p>
<p>A grande vantagem da internet é que tudo pode ser mais transparente. Antes a “intensa troca de correspondência” era editada e agora fica na rede. Mais fácil ver quem é quem. Ainda prefiro o dialogo aberto à conversa velada, métier ideal para fofocas e exageros. No diálogo aberto há menos disse-me-disse. A internet ainda não expurgou os anônimos, mas estes já existiam antes também. A maioria não perde nada por se revelar. Confesso não ter boa memória para nomes e números de telefone! Já me correspondi com muitas pessoas “pela primeira vez”!</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_06.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7085" title="lagarto_negro_06" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/09/lagarto_negro_06.jpg" alt="lagarto_negro_06" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Assim como já perdi diálogos por responder a uns diálogos iniciados com outros. A internet facilita a organização da correspondência. Até pouco tempo confundia Miguel Rude com Rudimar Patrocínio&#8230; Me perdoem! Vocês devem achar que sou louco!</p>
<p><strong>R.G.: Porque os super-heróis brasileiros causam tanta confusão, de um lado com fãs apaixonados e de outro com inimgos declarados?<br />
G. R.:</strong> Não percebo isso. Não são os personagens do gênero super-heróis, subgênero brasileiros, que causam tanta confusão. Os personagens são entes inanimados. Somos nós que os movimentamos em nossas mentes. As mentes das pessoas é que deviam se libertar dos disse-me-disse e métier inadequados. “Inimigos declarados”, porra cara, isso parece coisa de gibi!</p>
<p><strong>R.G.: Você que é entendido do tema, qual o futuro dos super-heróis brasileiros?<br />
G. R.: </strong>Sem essa de entendido. Eu heim?! Nada disso! Não tenho bolas de cristal. Não posso falar por ninguém mais além de mim mesmo. Sendo assim, apostaria no aprofundamento dos estudos em roteiro. No estudo de uma técnica narrativa melhor. Num objetivo além da mera construção da mensagem narrativa. A subjetividade talhada em moldes narrativos complexos. Apostaria na escrita, na palavra.</p>
<p>Apostaria na crítica aberta e intercâmbio de idéias difusas. Apostaria também no Necronauta, pois vou comprar amanhã. No Francinildo Sena, no Marcos Franco, no Emir, e no elemento surpresa.</p>
<p>____________________________</p>
<p>O Impulso HQ agradece mais uma vez a Rod Gonzalez por sua gentileza em enviar a entrevista e permitir que ela seja publicada.</p>
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		<title>Entrevista: André Diniz &#8211; 7 Vidas</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 10:25:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
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		<category><![CDATA[7 vidas]]></category>
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Quem está acompanhando os lançamentos nacionais, sabe que um dos mais recentes é o álbum 7 Vidas, do roteirista André Diniz.
Editado pela Conrad, a estória narra o retorno do autor a vidas passadas com o auxilio da terapia de regressão. O relato de Diniz faz o leitor viajar a diferentes épocas, culturas e lugares diversos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/capa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6997" title="capa" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/capa.jpg" alt="capa" width="398" height="600" /></a></p>
<p>Quem está acompanhando os lançamentos nacionais, sabe que um dos mais recentes é o álbum 7 Vidas, do roteirista André Diniz.</p>
<p>Editado pela Conrad, a estória narra o retorno do autor a vidas passadas com o auxilio da terapia de regressão. O relato de Diniz faz o leitor viajar a diferentes épocas, culturas e lugares diversos, da Itália da Idade Média, Peru do século XIX, Brasil do século XXI.</p>
<p>A obra levou três anos para ficar pronta e conta com os desenhos de Antonio Eder, e várias passagens das sessões foram recontadas em tom documental, e recriadas em detalhes pela riqueza da linguagem dos quadrinhos.</p>
<p>O Impulso HQ conversou com André Diniz sobre o processo de transformar sua experiência da terapia em roteiro de HQ, as dificuldades e as decisões q ele teve que tomar para escrever um relato tão intimo sobre a sua vida, se pretende voltar a regressão para escrever um novo álbum, qual foi a reação dos leitores com o tema abordado, e se teve alguma influencia sobre religião na hora de escrever.</p>
<p>De quebra você ainda confere quais são os seus próximos projetos do roteirista.</p>
<p><strong>Entrevista:</strong></p>
<p><strong>Impulso HQ: O álbum 7 vidas é um relato autobiográfico com experiências passadas e algumas não são muito agradáveis. Como foi o processo de passar a sua própria história para a narrativa de HQ?<br />
André Diniz:</strong> Foi uma coisa natural para mim, não tive qualquer tipo de conflito. Logo após as primeiras regressões, eu já tinha a idéia de contar essa experiência em quadrinhos, se resultasse de fato em algo interessante.</p>
<p>Mas nessa idéia inicial não entrava falar da minha vida, talvez só uma introdução. Só que as duas coisas se misturaram, não tinha como isolá-las. O curioso é que todos vêm me perguntando como tive coragem de me expor tanto. Só que, apesar de ser uma pessoa muito reservada, não me senti exposto em nenhum momento.</p>
<p><span id="more-6993"></span><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/012.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7000" title="01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/012.jpg" alt="01" width="398" height="600" /></a></p>
<p><strong>IHQ: Em nenhum momento da obra você questiona a veracidade das regressões, mas depois do lançamento você já foi questionado sobre a veracidade do seu relato?<br />
A.D.: </strong>Não, acho que ninguém acredita que eu pudesse ser tão criativo assim!&#8230; Quanto a acreditar ou não se o que vi são de fato vidas passadas ou cenas formadas pelo meu inconsciente, deixo essa decisão a cada leitor.</p>
<p>Em nenhum momento afirmo nada além do fato de que vi tal coisa e tive essa ou aquela reação. Até porque, acho que isso é o principal. Se foram apenas cenas do meu inconsciente, por acaso perdeu o valor? Eu fui em busca de autoconhecimento, e foi isso que eu tive.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/022.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7001" title="02" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/022.jpg" alt="02" width="398" height="600" /></a></p>
<p><strong>IHQ: Em algum momento você ou a editora consideram em não publicar o álbum por causa de questões religiosas? O álbum sofreu alguma edição por causa disso?<br />
A.D.: </strong>Não, isso nem foi abordado. As regressões não foram, em nenhum momento, abordadas sob a ótica mística ou religiosa, dentro do que é possível quando o assunto são vidas passadas. Mas, como eu disse, apenas narro no livro o que vi: cabe ao leitor interpretar o que de fato é isso que vi.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/032.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7002" title="03" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/032.jpg" alt="03" width="398" height="600" /></a></p>
<p><strong>IHQ: Quando foi que você decidiu transformar 10 meses de terapia em narrativa gráfica e por quê?<br />
A.D.: </strong>Acreditei, de fato, que aquele seria um relato interessante, e esse foi o ponto de partida. Também ando em busca de assuntos que sejam interessantes por si só, independente de serem ou não contados em quadrinhos.</p>
<p>Estou produzindo até o ano que vem uma HQ contando sobre a biografia de um morador do Morro da Providência, um dos mais violentos e um dos mais ricos em história do Rio de Janeiro. São relatos riquíssimos sobre sua vida e a de seu pai, um dos primeiros traficantes cariocas, além da história da comunidade desde os anos 60.</p>
<p>Esse também é um tema que acredito que vá interessar a muitos leitores, independente de serem ou não fãs de HQs. A prova de que esse é um caminho rico veio agora: pouco mais de um mês depois de seu lançamento, o “7 Vidas” ganha uma reimpressão.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/042.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7003" title="04" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/042.jpg" alt="04" width="400" height="400" /></a></p>
<p><strong>IHQ: Você retornaria as regressões para escrever outro álbum?<br />
A.D.: </strong>Não, acho que já vi o que tinha que ver e já falei o que tinha pra falar sobre esse assunto. Mas nada impede que venha, daqui a alguns anos, um novo livro meu diferente desse, mas que tenha algum tipo de ligação.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/062.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7005" title="06" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/062.jpg" alt="06" width="400" height="202" /></a></p>
<p><strong>IHQ: Como está sendo o retorno do publico em geral com a publicação de 7 Vidas? Você se sur</strong><strong>preendeu com algo?<br />
A.D.: </strong>As reações têm sido excelentes. Alguns tipos de comentário tem se repetido. Um é “comprei pra eu ler, mas a minha mulher (ou namorada, ou mãe), que nem lê quadrinhos, pegou pra ler e não larga mais, agora vou ter que esperar ela chegar ao fim&#8230;”.</p>
<p>Outro: “Nossa, como você se expôs!”. Também: “Me deu até vontade de fazer regressão também”. Mas o melhor até agora foi a do amigo Tiburcio, com quem não me encontro já há alguns anos: “A minha maior surpresa foi saber que você já está dirigindo!”. É, eu demorei, mas tomei vergonha na cara. Mas surpresa mesmo foi essa venda tão boa e tão rápida. Esgotar em um mês e meio não é pouca coisa.</p>
<p><strong>IHQ: O álbum é de uma sensibilidade e intimidade muito grande. E fica a impressão que é totalmente proposital. Existiu algum momento em que você ficou com receio de escrever o roteiro?<br />
A.D.:</strong> Não, foi algo bem espontâneo. Eu me abri bem com o leitor, só não acho de fato que me expus.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="../wp-content/uploads/2009/08/052.jpg"><img class="aligncenter" title="05" src="../wp-content/uploads/2009/08/052.jpg" alt="05" width="400" height="400" /></a></p>
<p><strong>IHQ: Uma questão que não posso deixar passar. Durante toda a narrativa você demonstra uma relação direta entre a sua perna e os momentos chaves das suas vidas. A sua perna ainda dói?<br />
A.D.: </strong>Nas sessões, ela não doía exatamente, eu a sentia muito contraída, mas sem dor. O curioso é que comecei a sentir o meu joelho direito com uma certa intensidade agora, há poucos dias, exatamente no dia em que os livros chegaram impressos lá em casa! Juro que não é golpe de marketing, e talvez não seja tão sobrenatural assim.</p>
<p>Andei fazendo umas sessões de bicicleta ergométrica em casa, sem acompanhamento, provavelmente foi isso. Mas já torci uma vez essa perna e tive que andar de muletas um tempo, já quebrei os dedos dos pés direito também, e foram as únicas ocorrências do tipo.</p>
<p>Também parece que tenho uma perna mais curta que a outra, um professor me disse uma vez, mas não lembro qual é a menor e qual é a maior.</p>
<p><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/7_vidas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7007" title="7_vidas" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/08/7_vidas.jpg" alt="7_vidas" width="400" height="400" /></a></p>
<p><strong>IHQ: Quais são os planos para os próximos projetos em HQ?<br />
A.D.: </strong>Tenho dois álbuns prontos e estou concluindo um terceiro agora. O primeiro é a saga de três escravos fugitivos e um branco que buscam por um quilombo utópico, meio místico, que eles nem têm certeza se existe de fato ou não. Esse já tem editora, é pro começo do ano que vem.</p>
<p>Outro é a adaptação do poema de Castro Alves “A Cachoeira de Paulo Afonso”. Não tem contrato ainda, mas já tem editora interessada.</p>
<p>E o terceiro é sobre um jovem que vem ao Rio de Janeiro em 1904, às vésperas de estourar a Revolta da Vacina, para tentar trabalhar como ilustrador em algum jornal. Fora do Morro da Providência, que começo agora.</p>
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		<title>Entrevista: Leandro Robles &#8211; Macaco Albino</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 12:19:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
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A entrevista dessa semana no Impulso HQ é com Leandro Robles que em dezembro do ano passado lançou a sua primeira revista impressa independente, o Macaco Albino.
Leandro que é mais conhecido por seu trabalho voltado ao público infantil, surpreendeu ao lançar uma publicação mais voltada a um público mais maduro e apresenta um humor que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3136" title="macaco_albino_abertura" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/macaco_albino_abertura.jpg" alt="macaco_albino_abertura" width="400" height="400" /></p>
<p>A entrevista dessa semana no Impulso HQ é com Leandro Robles que em dezembro do ano passado lançou a sua primeira revista impressa independente, o Macaco Albino.</p>
<p>Leandro que é mais conhecido por seu trabalho voltado ao público infantil, surpreendeu ao lançar uma publicação mais voltada a um público mais maduro e apresenta um humor que as vezes beira ao nonsense.</p>
<p>Durante a entrevista o quadrinhista revela o porque decidiu lançar a publicação de forma independente, como foi o processo de transição de Macaco Albino para o impresso, tiras onlines e video e quais as mudanças que implicaram todas essas migrações de mídias, como é ver o ser personagem na visão de outros ilustradores, e com exclusividade para o Impulso HQ quais serão os quadrinhistas que estarão na segunda edição impressa do personagem, que está programada para o primeiro semestre, em meados de junho ou julho.</p>
<p>O Impulso HQ agradece a Leandro Robles pela colaboração e por ter dedicado o seu tempo em responder as perguntas para os leitores do site.</p>
<p><strong>Entrevista:</strong></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3126" title="macaco_albino_aberto" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/macaco_albino_aberto.jpg" alt="macaco_albino_aberto" width="400" height="400" /><strong></strong></p>
<p><strong>Impulso HQ: Lançar Macaco Albino de forma independente e em formato de bolso foi uma opção sua devido a quê?<br />
Leandro Robles: </strong>O principal motivo é que eu achei que encaixava bem. O Macaco Albino é pra ser um trabalho autoral, livre de censuras e regras. Achei que uma publicação independente, onde é permitido experimentar, era o melhor ambiente pra ele, no momento. Já o formato de bolso é uma delícia, fácil de transportar, bom de ler no ônibus, no metrô lotado&#8230;</p>
<p><strong>IHQ:Os desenhos mais rascunhados, alguns podendo até identificar as linhas de construção, são propositais para ressaltar a independência da publicação?<br />
L.R.: </strong> Sim, propositais. Ocorreu pelo fato dele ter nascido no meu caderno de rascunhos. Sendo assim, busquei para ele uma linguagem rápida, verbalizando no Macaco idéias que estavam soltas por ali. Mesmo quando passei a fazer as histórias do Albino já pensando nelas publicadas, resolvi manter a mesma pegada de rascunho.</p>
<p><span id="more-3125"></span><img class="aligncenter size-full wp-image-3140" title="macaco_albino_quadro" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/macaco_albino_quadro.jpg" alt="macaco_albino_quadro" width="400" height="200" /></p>
<p><strong>IHQ: Seu trabalho é mais conhecido por ser mais voltado para o público infantil, que é um humor mais direto e inocente, já em Macaco Albino você o define como &#8220;um humor estilo cartum, verborrágico, com pitadas de nonsense, sarcasmo e ironia&#8221;, como é para você ter essa mudança de público?<br />
L.R.:</strong> Adoro fazer os dois. Me divirto muito com as criancices do Rafa, Coal, Chump, Sapo Dogueiro e todos na Escola de Animais. Dá pra mergulhar no universo da fantasia infantil. Já o Macaco Albino permite cavocar mais fundo, naqueles sentimentos e pensamentos que a gente engole seco e deixa bem escondidos. Dá pra flertar com a loucura do personagem, e botar um pé ou dois pra lá do limite do politicamente correto.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3137" title="macaco_albino_leo_gibran" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/macaco_albino_leo_gibran.jpg" alt="macaco_albino_leo_gibran" width="400" height="400" /></p>
<p><strong>IHQ: A revista conta com a participação de convidados como Gil Tokio, Beto Uechi, Leo Gibran, Daniel Bueno, Spacca, dando a visão deles do Macaco Albino, como é pra você ver o seu personagem com os olhos de outros artistas?<br />
L.R.:</strong> Não se esqueça do Pedro Sotto e do Tomo. Pra mim, foi uma grande honra, pois sou fã de todos esses caras. Me senti lisonjeado. Todos tiveram liberdade total de colocar seu traço ali e a usaram. O mais legal é notar as diferenças de estilo, o que torna o gibi mais rico.</p>
<p>É uma grande contribuição deles. Quem é fã de quadrinhos e ilustração, como eu, sabe que esse é o grande barato: ver como cada um cria seu universo particular em seus desenhos.</p>
<p><strong>IHQ: Em uma das suas declarações sobre a publicação você diz:  “Os quadrinhos retratam devaneios, desabafos e presepadas deste aflito macaco”, de certo modo o leitor pode considerar esses desabafos sendo como seus?<br />
L.R.: </strong>As histórias são altamente baseadas em observações do mundo em minha volta, e algumas coisas que acontecem comigo, mas não só isso. Tem muito ali de coisas que me contaram, livros que li, filmes, noticiário&#8230; Penso que é impossível um autor não se colocar, pelo menos um pouco, em cada um dos personagens que cria.</p>
<p>Porém, não há nenhuma intenção de retratar uma vida real ali, e sim, recortes do cotidiano deste símio desmelaninado. Não é quadrinho auto-biográfico, do estilo Persépolis e American Splendor.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3129" title="macaco_albino_traco" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/macaco_albino_traco.jpg" alt="macaco_albino_traco" width="400" height="200" /></p>
<p><strong>IHQ: Percebe-se em Macaco Albino as experimentações tanto visuais, traços ágeis e estética rascunhada, como de idéias e situações, você considera essa variação entre uma história e outra o grande ponto forte de Macaco Albino, já que você tem toda a liberdade de colocá-lo aonde quiser sem deixar o personagem em uma situação incoerente com ele mesmo?<br />
L.R.: </strong>Sim, adoro isso. Se a história requer um pai de família, ele será um. Se requer um solitário, a mesma coisa. Não me preocupo com continuidade, não defini uma vida pra ele.</p>
<p>Da mesma forma que ele não tem emprego ou estado civil definidos, procuro variar seu humor também. Não quero mantê-lo sempre rabugento, reclamando, pois isso iria cansar. Então permito que ele seja bobo e se divirta em muitas situações.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3138" title="macaco_albino_video" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/macaco_albino_video.jpg" alt="macaco_albino_video" width="400" height="400" /></p>
<p><strong>IHQ: Na época do lançamento de Macaco Albino, a obra teve um trailer animado como forma de divulgação, da onde surgiu a idéia dessa produção e qual foi o retorno do vídeo como veículo de propaganda?<br />
L.R.:</strong> O trailer foi produzido aqui no estúdio Pingado.com, a voz é minha, e a animação é do meu sócio Beto Uechi, e do Richard. A ação do trailer foi baseada na capa do gibi. Já a idéia de fazer o vídeo surgiu de papos nossos, de como divulgar o lançamento de uma forma divertida. Resolvemos pegar carona nesses &#8220;virais&#8221; de internet.</p>
<p>O retorno foi ótimo. Chegou a surpreender alguns, pois é uma forma inusitada de divulgar uma revista&#8230; Um efeito bacana, que eu não havia previsto, é que o trailer chegou a ser usado em reportagens de tv: o programa Pé na Rua, da TV Cultura, exibiu um trecho ao falar da revista e o mesmo deve acontecer com o programa Banca de Quadrinhos, do Canal São Paulo. (Para conhecer o trailer: http://vimeo.com/2548537 )</p>
<p><strong>IHQ: Macaco Albino trilhou um caminho curioso, ele passou pelo seu caderno de rascunhos, foi digitalizado, virou tira virtual no site escoladeanimais.com, passou pelo vídeo e agora volta para o impresso virando uma publicação com título próprio. Como foi toda essa transição e devido às mídias que ele já percorreu, ele sofreu alterações para a sua adaptação?<br />
L.R.:</strong> Sim, sofreu mudanças. Não pela passagem pelo vídeo, pois esta foi muito meteórica. Foram só 30 segundos de fama&#8230; Mas em relação às hqs, no início elas eram feitas especificamente para o blog, então eu definia uma largura e o leitor ia descendo pela barra de rolagem&#8230; Depois ele passou por uma fase mais contida.</p>
<p>Coloquei uma camisa de botão no Macaco, lhe dei um emprego que ele odiava, defini melhor os coadjuvantes e passei a fazer tiras curtas, coloridas, num formato mais tradicional. As 42 tiras dessa fase estão neste gibi.</p>
<p>A mudança que venho notando atualmente, diretamente relacionada ao lançamento do Macaco Albino #1, é que me deu mais vontade de explorar a página. Tanto que a última HQ publicada no meu site não obedece o formato anterior, de largura fixa e barra de rolagem. Resolvi trabalhar melhor o design das páginas. <a href="http://www.escoladeanimais.com/galeria-5">Veja.</a></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3141" title="macaco_albino_pagina" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/macaco_albino_pagina.jpg" alt="macaco_albino_pagina" width="400" height="400" /></p>
<p><strong>IHQ: A revista não tem uma periodicidade fixa, mas os leitores já podem esperar um número 2? E essa publicação terá novamente a visão de outros artistas? Quais?<br />
L.R.: </strong>Sim! O número 2 já está no forno, e deve ser lançado ainda no primeiro semestre, em meados de junho ou julho. A grande novidade é que serão publicadas somente histórias , ao invés de tiras curtas.</p>
<p>É uma volta às origens do personagem, que assim tem mais espaço pra viajar na batatinha e ser mais verborrágico. O time de participantes já está fechado, e posso dizer que estou muito feliz com os craques que estou conseguindo reunir.</p>
<address><strong>(Atenção: isso é em primeiríssima mão para o Impulso HQ)</strong></address>
<p>Veja alguns nomes confirmados: Gustavo Duarte,  Hiro, Kako, Chico Bela, Jozz, Rodrigo Arraya, Fernando Ventura, Salvador, o roteirista Kaled Kalil Kanbour e o grande mestre Fernando Gonsales!</p>
<p>E ainda estou conversando com mais dois ou três nomes para fechar um elenco forte e competitivo, capaz de disputar títulos. Só espero que sobre espaço  para mim&#8230;</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3128" title="macaco_albino_ed_01" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2009/03/macaco_albino_ed_01.jpg" alt="macaco_albino_ed_01" width="398" height="600" /></p>
<p><strong>IHQ: Para encerrar, você tem outros projetos para serem lançados de forma independente? E o que o leitor pode esperar dele?<br />
L.R.: </strong>Impresso, não. Só o Albino, mesmo.<br />
Mas publico outros quadrinhos no meu site, o que não deixa de ser uma publicação independente&#8230;</p>
<p>Vou aproveitar este espaço para uma breve apresentação de cada um deles&#8230;</p>
<p>Escola de Animais, já citada, tira infantil que sai na Folhinha: http://www.escoladeanimais.com/galeria-1</p>
<p>Fétida Sopinha. Humor completamente pirado e non-sense: http://www.escoladeanimais.com/galeria-8</p>
<p>As Diabetes. Estas sim são tiras auto-biográficas. Retratam a minha convivência com essas minhas companheiras para toda vida: http://www.escoladeanimais.com/galeria-18</p>
<p>Sou Corinthians! Comentários em forma de tiras, do que é torcer para este grande time: http://www.escoladeanimais.com/galeria-23</p>
<p>O Cobaia. Foi publicada na Folhateen há alguns anos. Tira dedicada a falar sobre o universo nerd. http://www.escoladeanimais.com/galeria-3</p>
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		<title>Especial: Entrevista Multi Editores</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Sep 2008 19:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Lebeau</dc:creator>
				<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Multi Editores]]></category>
		<category><![CDATA[O Terceiro Testamento]]></category>
		<category><![CDATA[Vazy-Moló]]></category>

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Como especial dessa semana, o Impulso HQ traz uma entrevista exclusiva com a Multi Editores, empresa que entra no mercado de HQ com a proposta de fazer parte da rotina de leitores e colecionadores com quadrinhos periódicos da mais alta qualidade.
Na entrevista você fica sabendo sobre quais os próximos projetos da editora, se ela pretende [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2008/09/multi_editores_logo.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-548 aligncenter" title="multi_editores_logo.jpg" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2008/09/multi_editores_logo.jpg" alt="" width="400" height="200" /></a></p>
<p>Como especial dessa semana, o Impulso HQ traz uma entrevista exclusiva com a Multi Editores, empresa que entra no mercado de HQ com a proposta de fazer parte da rotina de leitores e colecionadores com quadrinhos periódicos da mais alta qualidade.</p>
<p>Na entrevista você fica sabendo sobre quais os próximos projetos da editora, se ela pretende investir na produção nacional, e quais são os selos que pretende publicar aqui no Brasil.</p>
<p>Atualmente a Multi Editores lançou a obra “O Terceiro Testamento”, e você leu aqui no Impulso HQ, sobre a obra e suas características.</p>
<p>A equipe do Impulso HQ agradece a atenção da editora Multi Editores que disponibilizou o seu tempo para responder para os leitores que sempre acompanham as novidades aqui do site, fiquem com a entrevista:</p>
<p><strong>Impulso HQ: Qual a proposta da Multi Editores para a publicação de Hqs? Vocês pretendem trazer para o Brasil algum gênero específico?<br />
Multi Editores: </strong>A Multi Editores propõe-se a publicar quadrinhos de alta qualidade, sem restrições a apenas alguns gêneros.</p>
<p>Faremos diferentes coleções para agrupar títulos de temática e formato gráfico semelhantes.</p>
<p>Na coleção inaugural da editora, a Coleção Faísca, iniciada pela série &#8220;O Terceiro Testamento&#8221;, serão concentrados quadrinhos de aventura e suspense, com narrativas mais elaboradas.</p>
<p>Mas também já está em fase de elaboração a coleção Vazy-Moló, nome vindo de uma expressão francesa, que significa algo como &#8220;pega leve, fica frio&#8221;, que terá quadrinhos de humor, com uma linguagem coloquial e formato diferenciado.</p>
<p>Neste primeiro momento, a Multi Editores traz quadrinhos estrangeiros para o Brasil, proporcionando, aos entusiastas pela nona arte, acesso a um material que é admirável pelo primor artístico e narrativo.<br />
Em um futuro próximo, pretendemos publicar também quadrinhos nacionais.</p>
<p><strong>IHQ:&#8221;Terceiro Testamento&#8221; é de origem francesa e não engloba o universo de super-heróis, por que publicar esse tipo de obra? A Multi Editores acredita que existe público para esse tipo de narrativa aqui no Brasil?<br />
M.E.:</strong> Acreditamos que nem somente de super-heróis vive o apaixonado por quadrinhos.<br />
Pelo contrário, acreditamos ser essa uma maneira preconceituosa de nivelar os leitores de quadrinhos e que existe, sim, um público ávido por outros tipos de produções de alta qualidade narrativa e artística.</p>
<p>Bandas desenhadas cuidadosamente feitas, como é o caso das franco-belgas como &#8220;O Terceiro Testamento&#8221;, são sempre bem-vindas pelo público que é conhecedor de quadrinhos e reconhecedor da arte que há neles.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2008/09/o_terceiro_testamento_entrevista.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-548 aligncenter" title="o_terceiro_testamento_entrevista.jpg" src="http://www.impulsohq.com.br/wp-content/uploads/2008/09/o_terceiro_testamento_entrevista.jpg" alt="" width="400" height="600" /></a></p>
<p><span id="more-720"></span><strong>IHQ: Quais os próximos lançamentos de Hqs da Multi Editores? Algum projeto para publicação em banca?<br />
M.E.:</strong> Estamos trabalhando nos primeiros títulos da nova coleção de humor, Vazy-Moló, como &#8220;Luchadores Five&#8221;, uma historia que foi publicada na revista Lucha Libre, na França, pela editora Humanoïdes Associés.</p>
<p>Para a série que vai seguir os quatro volumes de &#8220;O Terceiro Testamento&#8221;, na Coleção Faísca, temos várias possibilidades, todas boas! A decisão ainda será feita.</p>
<p><strong>IHQ: Vocês têm planos para alguma publicação totalmente desenvolvida no Brasil?<br />
M.E.:</strong>Temos planos e muita vontade de incentivar e divulgar o trabalho de bons quadrinistas brasileiros, menos por puro nacionalismo e mais pela alta qualidade que a produção de quadrinhos brasileira tem notoriamente atingido.</p>
<p><strong>IHQ: Vocês montaram um site com animações e a história de &#8220;Terceiro Testamento&#8221;, essa seria a estratégia da editora para os próximos lançamentos?<br />
M.E.:</strong> Gostamos muito do que fazemos, nos apaixonamos pelos títulos que escolhemos publicar e queremos dividir isso com as pessoas.</p>
<p>As animações são boas maneiras de fazer algo diferenciado e interessante, além de mostrarem um pouco sobre o conteúdo do livro.</p>
<p>Felizmente, a internet hoje permite a fusão de diversas mídias e pretendemos utilizar esse recurso para valorizar nossos livros.</p>
<p><strong>IHQ: Para finalizar, vocês gostariam de ressaltar algo da proposta da editora para as HQs para os leitores?<br />
M.E.:</strong> A Multi Editores pretende publicar novas opções de quadrinhos, de alta categoria técnica e narrativa, com preços mais acessíveis.</p>
<p>E queremos que os leitores sintam-se confortáveis em mandar-nos todas as sugestões que possam ajudar-nos a cumprir nossa proposta de engrandecer a variedade e qualidade de quadrinhos no Brasil.</p>
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