Val, personagem de Vagner Francisco criado em 2001, é um boa vida tipicamente urbano: às vezes folgado, às vezes conquistador, de calça jeans e jaqueta de couro, curte vodca barata, é apaixonado por quadrinhos (seu visual é inspirado em Wolverine), gosta de discutir filosofia com moradores de rua, se importa com seus amigos e é capaz de vender sua alma por um maço de cigarros.
Ou seja: impossível não sentir empatia por ele. E capacidade de gerar empatia é o principal ingrediente em um personagem, afinal é o que faz as pessoas se interessarem pela história, acompanharem e torcerem pelo protagonista. Uma pena que toda essa empatia se dispersa no decorrer da revista em meio a um monte de referências aos super-heróis estadunidenses que só fazem sentido e graça para o público que acompanha esse tipo de quadrinhos.
Ai entra o grande problema da edição: o público que lê super-heróis – ao menos sua maioria esmagadora – não terá contato com a revista. Simplesmente porque este não é o gênero que eles apreciam. E aqui vai uma dica para quem pensa em fazer roteiros: antes de tudo, definam o gênero de sua história.




