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Além do coração e do raciocinius – parte 3

Por Gazy Andraus | 3 fevereiro de 2009

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Fig 1: Trecho da HQ “Terminal” de Flávio Calazans, contendo as leis da robótica de Isaac Asimov. Esta HQ faz parte do álbum “Guerra das Idéias”, de Calazans, lançado pela Editora Marca de Fantasia (http://www.marcadefantasia.com.br/albuns.htm), em 2001.

Conforme relatei anteriormente, em maio de 2003, um fato me chamou a atenção no noticiário da TV: um trabalhador da Bahia se recusou a cumprir sua função, ao não derrubar uma casa que fora construída em terreno particular, mantendo esperançosa a família que ali residia e chorava do lado de fora, aguardando o desfecho da situação.

Pois bem, em face ao ocorrido, havia escrito um texto (“Arrependa-se Sr. Coração, disse o poderoso Cérebro Raciocinius!”), colocando em paralelo uma frase de Henry David Thoreau, retirada de seu livro Desobediência Civil (mas citada em uma história em quadrinhos adulta, na extinta revista Krypta).

Tracei o acontecido, e a noticiada prisão do trabalhador, que atendia pelo nome de Amilton dos Santos, quando, uns 10 dias depois, uma segunda notícia me reverberou nos ouvidos: a de que ele foi elevado à categoria de “herói”, pois a prefeitura de Salvador, sensibilizada (e pressionada pela população), evitou a demolição das casas, adquirindo o terreno, e por fim, prometendo entregar aos moradores as escrituras.

Escrevi, na época, um segundo texto (“Arrependa-se Sr. Coração, disse o poderoso Cérebro Raciocinius! Não! Não enquanto eu estiver batendo pela Vida, pois assim me disse a Sra. Esperança!”), renovando as esperanças na humanidade, face ao ocorrido, e alertando que ações isoladas muitas vezes trazem conseqüências enormes (como se respalda na física fractal e a teoria do efeito borboleta).

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Arrependa-se Sr. Coração, disse o poderoso Cérebro Raciocinius! – parte 2

Por Gazy Andraus | 18 dezembro de 2008

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Figura 01

“Arrependa-se Sr. Coração, disse o poderoso Cérebro Raciocinius!
Não! Não enquanto eu estiver batendo pela Vida, pois assim me disse a Sra. Esperança!”

O fato que aconteceu anteriormente (dia 02 de maio de 2003), em Salvador na Bahia, quando um trabalhador se recusou a derrubar uma casa para reintegração de posse, teve um desfecho inusitado!

Eu, sensibilizado que estava, havia escrito um texto a respeito, apropriando-me do trecho do livro “Desobediência Civil” de Henry David Thoreau, que havia servido de abertura para uma HQ (história em quadrinhos) de cunho instigador, publicada na década de oitenta no Brasil (a HQ “Arrependa-se, Arlequim!” Disse o Sr. Tiquetaque”).

Parecia que Amilton, o funcionário “desobediente” apenas protelou o inevitável. Mas eis que novo informe me chegou em 15 de maio, pelo noticiário televisivo, trazendo ainda algumas informações que não haviam sido divulgadas antes, e que delineiam novo rumo aos acontecimentos.

Então, vejamos: a casa que seria derrubada, estaria acompanhada de mais outras 9 famílias (o noticiário não deixou claro se equivale ao número de casas), pois todas estavam numa área possuída por outro(s) dono(s).

Informaram ainda que um engenheiro, o dono do terreno, no qual estava construída a casa em enfoque (que pertencia à família da merendeira Telma Santos) ganhara uma ação iniciada há 24 anos, que consistia na reintegração de posse.

Esta era a razão da demolição da casa, no dia 02 de maio de 2003, por ordem judicial. Foi dito ainda que o tratorista contratado para fazer o serviço, “Amilton dos Santos não teve coragem de avançar nem sob ameaça de prisão”.

Desta forma, porque “ele está obstruindo a ação da justiça e em face disso”, estava sendo “preso em flagrante delito”, como esbravejou um dos “burocratas” para a câmera. No primeiro noticiário, termina aí o relato, deixando em aberto que brevemente outro tratorista substituiria o desobediente funcionário…ou seja, ele havia dado uma esperança temporária à família desesperada.

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