Acho que a primeira vez que soube da existência de um personagem chamado Sherlock Holmes foi lendo um dos muitos detetives de histórias em quadrinhos que tiveram a famosa figura de Baker Street como modelo. O primeiro foi Berloque Gomes dos gibis do Mickey, depois li na Folha da Tarde as tiras de Herlock Sholmes dos yugoslavos Radilovic e Furtinger e agora volto a encontrá-lo graças ao texto de Gustavo Nascimento e arte extraordinária de Will na HQ O Blefe do Homem Morto.

Minha relação com Holmes é amigável. Depois do primeiro contato com as suas versões em quadrinhos, alguns anos depois um amigo me emprestou Um Estudo em Vermelho, mas, infelizmente, até hoje não terminei o livro.

Confesso que os romances policiais que me cativaram primeiramente foram os Maigrets de Simenon e depois os americanos Chandler, Hammet, Ross MCdonald e, ultimamente, Lawrence Block. Porém, tenho quase todos os filmes antigos de Sherlock Holmes, incluindo uma versão feita pela Hammer com Peter Cushing no papel do detetive e a bonita versão da juventude do personagem em O Enigma da Pirâmide (1985).

Ano passado estava em uma livraria quando um senhor me perguntou se eu tinha visto o novo filme feito a partir das aventuras do detetive de Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930), e ele qualificou de uma grande bobagem, assim como todos os outros filmes que tinham Holmes e o Dr. Watson como personagens. Ele disse que nunca conseguiram mostrar Sherlock como ele era nos livros e contos.

Se eu conseguir encontrar novamente este senhor, com certeza irei indicar a boa HQ O Blefe do Homem Morto, onde a dupla de criadores colocaram nas páginas dessas aventuras os elementos da obra máxima de Doyle, prestando uma bela homenagem ao personagem.

O roteiro de Gustavo Nascimento já parte do princípio que a maioria dos leitores já conhecem a dupla e muitas de suas inusitadas aventuras, tanto que a história já começa com os nossos heróis saindo do prédio da Scotland Yard ao final de mais um caso solucionado.

Os elementos “sherlockianos” são facilmente reconhecíveis dentro da história que a todo o momento é uma homenagem as grandes aventuras dos dois detetives, ao seu universo e personagens, o que agrada os leitores mais fiéis dos romances, e por se tratar de uma aventura inédita, possibilitou ao roteirista, fã do personagem desde os seus 14 anos de idade, em ousar no caso: um morto que se recusa a morrer.

Holmes e Watson estão acostumados a viverem aventuras inusitadas por isso não espere outro caminho para essa história em quadrinho. Depois de se depararem com um homem que se diz inocente de um crime, Holmes se interessa pelo discurso do desconhecido e busca informações com o cocheiro Albert Smith que revela a sua ligação com Mr. George Heyworth.

A trama ganha forma quando um banqueiro mulherengo, um tal de Kisner desapareceu e a culpa do sumiço é atribuída ao velho Heyworth. As coisas começam a se complicar ao chegaram ao número 221B na Baker Street e se depararem com a jovem e bonita mulher de Heyworth.

Fã que é fã sempre gosta de ler algo novo sobre a sua série favorita, mas, é claro, que a sua essência seja respeitada e Will com o seu traço inconfundível faz o leitor viajar junto com Holmes e Watson a uma Londres vitoriana e adentramos no seu submundo cheio de apostas e perigos. Sem contar que estão todos muito bem caracterizados, o inspetor de polícia confuso, a mulher inocente, o homem apaixonado, o suspeito mais provável e até o morto.

O uso de disfarces e a cuidadosa análise de todos os detalhes da situação estão nessa nova aventura de Sherlock Holmes todinha brasileira. Um prato cheio para os fãs do detetive, dos quadrinhos e do prazer de um bom texto. Mistério e diversão de primeira.

Uma pista me leva a crer que brevemente na TV vai passar o Sherlock Holmes de Guy Ritchie. Elementar caro Impulsivo Leitor, vou assistir.

O Blefe do Homem Morto
Edição Independente
Roteiro: Gustavo Nascimento
Arte: Will
Colorido
20×27,5 cm
32 páginas
R$ 27,00

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