A resenha HQB de hoje será diferentes das outras, primeiro porque o projeto de Felipe Cagno busca financiamento no Catarse, logo fisicamente ele ainda não existe. Segundo, após ler essa resenha, se você se interessar, para conseguir colocar suas mãos nesse álbum, você tem que ir direto para o link do projeto catarse.me/pt/LostKids. Ainda dá tempo para colaborar.

Logo de cara já avisamos: Lost Kids – Buscando Samarkand tem tudo para agradar os fãs de RPG, e os leitores mais novos, desde que não sejam muito exigentes!

Era uma vez um reino mágico, cujo equilíbrio do poder dependia de um casamento arranjado entre herdeiros, mas cuja princesa prefere fugir e tornar-se uma rebelde a contrair matrimônio. Enquanto isso, aqui na nossa realidade, um jovem aspirante a criador de histórias em quadrinhos e seus amigos são transportados misteriosamente para essa terra de magia e, além de ter que descobrir uma maneira de voltar para casa, devem se livrar dos problemas causados pelo fato de que uma de suas amigas é uma sósia da princesa fujona.

Lost Kids nasceu como roteiro cinematográfico idealizado por Felipe Cagno, mas acabou se tornando uma história em quadrinhos desenhada por vários autores. Detalhe que cada equipe é responsável por um capítulo da saga. As referências são inúmeras, vão desde Crônicas de Nárnia, até o desenho animado Caverna do Dragão.

Podemos dizer que em parte, Lost Kids – Buscando Samarkand bebe também na fonte do clássico filme para adolescentes dos anos 1980, O Clube dos Cinco. Esses garotos perdidos têm personalidades muito parecidas com os protagonistas da película oitentista: há o esportista cheio de confiança, a CDF, a estranha deslocada (que é sósia da princesa), e o nerd que, adivinhem, é o desenhista da turma.

Vale a pena lembrar de outro filme que também serve de inspiração, Cool World, ou Mundo Proibido, como foi batizado no Brasil, em que um cartunista é transportado para outro mundo, que na verdade é o universo que ele criou para suas histórias em quadrinhos. Em Lost Kids o mundo para onde os jovens são mandados é exatamente a história criada pelo nerd da turma, que anda para todos os lados com um caderno de desenho que contém algumas explicações sobre essa terra tão diferente da nossa.

A fórmula, então, é uma velha conhecida nossa, eles terão que aprender a conviver em grupo e trabalhar em equipe enquanto tentam voltar para casa e, é claro, resolver os problemas desse lugar místico.

De forma geral, Lost Kids – Buscando Samarkand não é um quadrinho ruim, porém, há pontos fracos que talvez desagradem leitores mais exigentes, a começar pelo roteiro, que é uma colcha de retalhos, deixando várias pontas abertas. Leitores e fãs de cinema mais experientes a cada capítulo percebem de onde foi tirada determinada parte da trama. Por ter sido imaginada como um filme a narrativa é muito rápida, seguindo a cartilha dos filmes de ação, em que a cada três minutos deve acontecer alguma coisa, deixando pouco espaço para a construção dos personagens e do cenário da trama.

Outra característica que citamos anteriormente que pode agradar ou não os leitores são os oito capítulos divididos em diferentes equipes de artistas, cada qual com a sua personalidade. Tantos estilos causam uma falta de coesão para a obra, pois os traços vão desde uma arte mais estilizada com influências de mangás, até artes mais realistas.

A pretensão de realizar algo muito cinematográfico também prejudica a narrativa visual, pois em alguns momentos os desenhistas exageram em desenhar as cenas em perspectiva, principalmente mostrando a ação vista por cima, e em alguns momentos vistas de baixo, tornando a leitura cansativa.
Mas destaco os efeitos de colorização realizados de maneira digital com muita competência, mas é que é pouco para dar liga entre as várias formas de contar a história dos diferentes autores.

Outro destaque é o projeto do exemplar físico: 272 páginas, 17,78 x 27,9 cm, capa cartonada triplex 300g com laminação, impressão colorida em papel couché fosco 115g, galeria de extras que inclui as capas originais, as variantes mais artes promocionais de artistas renomados como Todd Nauck, Artgerm, Genzoman, Maurício Herrera e outros. Convenhamos, um belo álbum!

Se você é fã de RPG, de histórias de espada e magia, é provável que goste de Lost Kids. O resultado final da saga não é algo sensacional, mas não chega a ser ruim. É como aquele filme que passa repetidas vezes na televisão. Você sempre vai assistir para matar o tempo, afinal, você sabe que vai ser divertido.

Lost Kids – Buscando Samarkand

Roteiro: Felipe Cagno
Arte: Ben Vazquez, Joey Vazquez, Rafael de Latorre, Wilton Santos, René Cordova, Luís Figueiredo, Noel Rodriguez, Ivan Anaya e César Gaspar
Produção independente
Formato Digital
232 páginas

Fred Tavaresresenha hqbBen Vazquez,Buscando Samarkand,Catarse,César Gaspar,Felipe Cagno,HQB,Ivan Anaya,Joey Vazquez,Lost Kids,Luís Figueiredo,Noel Rodriguez,Rafael de Latorre,René Cordova,resenha,Wilton SantosA resenha HQB de hoje será diferentes das outras, primeiro porque o projeto de Felipe Cagno busca financiamento no Catarse, logo fisicamente ele ainda não existe. Segundo, após ler essa resenha, se você se interessar, para conseguir colocar suas mãos nesse álbum, você tem que ir direto para o...IMPULSO HQ é um site que se propõe a discutir histórias em quadrinhos e assuntos derivados como cinema, games e cultura pop em geral.