As histórias do Kiko Garcia me fazem relembrar os antigos filmes de terror, em especialmente de dois estúdios ingleses, o Hammer e Amicus, responsáveis pelos clássicos “Asilo do Terror”, “As Torturas do Dr. Diabolo” e entre outros. As fitas que contavam com três histórias de horror, geralmente uma personagem misteriosa em um asilo para loucos ou num circo ou qualquer outro lugar, contava sobre algum fato macabro que, ao final, teria relação com os ouvintes presentes.

A terceira edição da revista Catacumba representa graficamente e na linguagem espetacular dos quadrinhos exatamente isso. Aqui temos um antiquário que mostra alguns objetos e conta algo sobre eles. Com um cenário perfeito para histórias de terror mais um adunco anfitrião que nos leva ao passado macabro de cada objeto, transformam a série em uma das mais importantes do gênero na atualidade.

Kiko Garcia acerta em continuar repetindo o formato da primeira e segunda edição: contos curtos inspirados em lendas urbanas e que com o tempo ganham novos elementos e personalidades.

A HQ independente mantém o tom nostálgico dos quadrinhos de terror antigos e o bom acabamento gráfico das edições anteriores, capa colorida especial e miolo em papel couché valorizam o já bem característico estilo do artista que não nega nenhuma influência de artistas brasileiros do passado que brilharam neste gênero. É o preto e branco em alto contraste e figuras estilizadas.
Em “O Anel da Falecida” você vai se deparar com a ganância de um empregado e de sua patroa. Um eco das histórias que o Kiko ouviu na sua infância.

“A Pele que Habitei” apresenta um inveterado namorador e suas misteriosas tatuagens das namoradas, e a trilogia é encerrada com “Marionete”, onde conhecemos Pupetto e a sua fábrica de brinquedos. Homed é quem fabrica os bonecos que, espantosamente, parecem ganhar vida.

Referências aos filmes prediletos do autor estão por todas as páginas e na apresentação Kiko fala de uma história de um homem e sua caixinha com pequenos objetos brancos. Achei que ele tinha lido a adaptação de Berenice de Edgar Allan Poe feita de forma brilhante pelo grande Flávio Colin, mas não, Kiko me disse que o pai contou a história quando ele era criança.

Me apavorei lendo os relatos macabros do Kiko Garcia e no final da história um frio percorreu minha espinha: meu nome num balão. Só fui perceber depois, o autor deixou um espaço maior em um dos balões para um autógrafo prá lá de arrepiante para todos os amantes do terror que adquirirem sua revista.

Para arrepiar ainda mais, fiquem com o vídeo de apresentação:

Os grandes desenhistas de terror brasileiro tem no Kiko Garcia um continuador a altura de suas aventuras aterrorizantes.

Catacumba nº3
Editora Kikomics
Autor: Kiko Garcia
Preto e Branco
52 páginas
18 x 26 cm
R$ 15,00

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/05/catacumba-2.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/05/catacumba-2-150x150.jpgFloreal Andraderesenha hqbCatacumba,Kiko Garcia,KikomicsAs histórias do Kiko Garcia me fazem relembrar os antigos filmes de terror, em especialmente de dois estúdios ingleses, o Hammer e Amicus, responsáveis pelos clássicos “Asilo do Terror”, “As Torturas do Dr. Diabolo” e entre outros. As fitas que contavam com três histórias de horror, geralmente uma personagem...IMPULSO HQ é um site que se propõe a discutir histórias em quadrinhos e assuntos derivados como cinema, games e cultura pop em geral.
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