Vencedor da categoria de “Melhor Quadrinho de 2014” pelo British Comic Awards e indicado para o premio Eisner como Melhor Série, Melhor Arte de Capa e Melhor Cores em 2015, finalmente The Wicked + The Divine chega ao Brasil pela Editora Novo Século, a mesma que está publicando as adaptações em Livros da Marvel.

A ansiedade que eu estava por esse quadrinho aqui no Brasil não tem palavras. Estava quase mandando mensagens para todas as editoras possíveis perguntando se existia alguma chance de lançarem esse material aqui em terras tupiniquins.

A história conta sobre 12 deuses que, a cada 90 anos, descem a Terra e se tornam artistas pop. Após um período de dois anos na Terra, eles morrem. Parece simples, não? Mas a forma com que Kieron Gillen (Vingadores Vs X-Men: Consequências, Darth Vader) conta é algo incrível.

A protagonista é Laura, uma garota negra de 17 anos, fã dos deuses. A primeira cena onde ela aparece, já apresenta ela se arrumando para o show de Amaterasu, a deusa xintoista que representa o Sol. Após vê-la, desmaia e quando acorda dá de cara com Lúcifer.

“Epa, Matheus! Dando spoiler assim na cara dura?”

Calma, gente! Essas são as primeiras páginas. E eu contei até aqui exatamente pra vocês verem o que, em minha opinião, é um dos pontos mais altos da história: a diversidade divina.

Parece meio estranho falando assim, mas The Wicked + The Divine tem um panteão muito amplo e diversificado. Não se prendeu aos 12 deuses de uma única religião. Então temos Odin, Lúcifer, Minerva e Amaterasu, todos no mesmo panteão. Isso é genial. E Kieron conseguiu mesclar duas coisas importantíssimas: a personalidade de cada deus em relação às suas crenças e referências à Cultura Pop!

Ficou difícil de entender, né? Eu explico. Vou pegar Lúcifer como exemplo. Ela (sim, Lúcifer é uma mulher) possui a arrogância, a lábia e a esperteza de tudo o que é retratado no cristianismo, enquanto sua aparência remete a David Bowie. Ou seja, sua personalidade representa perfeitamente suas origens religiosas enquanto seu traço é de um artista pop.

Essas representações e cruzamento de referências acontecem com cada um dos deuses. O que dá argumentos para as interações dos personagens fluírem de maneira muito boa. Afinal, em que mundo você conseguiria imaginar uma conversa entre Odin e Amaterasu? Fanfics não contam.

Outro ponto que chama a atenção é a representatividade, coisa que tanto eu quanto a Marina Ciconeli já escrevemos sobre e você pode conferir aqui (e aguardem porque tem mais coisas por vir).

Laura é uma garota. 17 anos. Negra. Com cabelos coloridos. A cena que ela aparece se arrumando para o show a mostra fazendo um cosplay de seu ídolo Amaterasu: branca, ruiva e com pinturas pelo rosto.

Laura não se importa de ter uma pele diferente de Amaterasu. Ela quer fazer aquele cosplay por se sentir bem com ele, coisa muito criticada em eventos do gênero. Essa cena para cosplayers que não se encaixam em padrões de beleza dos quadrinhos acaba sendo algo bem forte e profundo. Eles se enxergam naquela imagem.

E isso foi só um exemplo. A representatividade LGBT também ocorre, pois diversos personagens assumem sem problema algum sua bissexualidade e até mesmo tem personagens transgêneros.

E não posso deixar de falar da colorização. Matt Wilson entrou no meu top 3 de melhor coloristas de HQs, junto com Alex Ross (Marvels, Reino do Amanha) e Ian Herring (Ms. Marvel). As cores te prendem a um nível fantástico. Não é a toa que concorreu a um Eisner por elas. Matt Wilson é um gênio. Consegue transmitir a emoção e personalidade de cada deus através das cores que usa neles. É algo incrível.

Falando agora da edição brasileira.

Como eu já disse antes, ela saiu aqui pela Editora Novo Século, pelo selo Geektopia. Capa dura. Um tamanho semelhante ao de Saga. Apesar de aqui não possuir um subtítulo, corresponde ao encadernado que saiu nos Estados Unidos chamado “The Faust Act”, em tradução seria algo como “Um ato de falha”.

Com 160 páginas, a diagramação é muito bem feita. A única coisa que pode irritar um pouco é que o tamanho da capa é um pouco mais largo que o da sobrecapa. Para os perfeccionistas, isso acaba sendo horrível. E uma salva de palmas para Mauricio Muniz, o tradutor para a nossa terra tupiniquim. O por quê? Eu li a versão em inglês e em português e a tradução está fenomenal. A editora não censurou os palavrões e a tradução ficou incrível.

The Wicked + The Divine fala sobre ter fama e como agir em relação a ela, algo que praticamente todo ser humano quer. É uma historia que ainda está em publicação nos EUA em seu 26º volume, com cinco encadernados. Vale muito a pena e deveria ser muito mais divulgada.

E você, Impulsivo Leitor? Já leu TW+TD? O que achou? Comenta ai pra gente! Sua opinião é importante pra nós!

The Wicked + The Divine
Editora Novo Século
Roteiro: Kieron Gillen
Arte: Jamie McKelvie
Cores: Matt Wilson
Capa Dura
160 páginas
18 x 27,5 cm
R$59,90

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/01/the-wicked-the-divine-4.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2017/01/the-wicked-the-divine-4-150x150.jpgMatheus ZucaNas bancas / Nas livrariasJamie Mckelvie,Kieron Gillen,Matt Wilson,Novo Século,The Divine,The WickedVencedor da categoria de 'Melhor Quadrinho de 2014' pelo British Comic Awards e indicado para o premio Eisner como Melhor Série, Melhor Arte de Capa e Melhor Cores em 2015, finalmente The Wicked + The Divine chega ao Brasil pela Editora Novo Século, a mesma que está publicando as...IMPULSO HQ é um site que se propõe a discutir histórias em quadrinhos e assuntos derivados como cinema, games e cultura pop em geral.