tarzan-contos-da-selva-ediouro-pixel-1No começo da década de 70, um canal de TV passou todos os filmes de Tarzan, desde os filmes mudos até os anos 50 e começo dos 60. Assisti a todos. O mito do Rei das Selvas foi um dos mais marcantes da minha adolescência.

Aos domingos, no cinema do bairro, eu já tinha visto algumas reprises dos filmes dos anos 40, o que ficou marcado foi “Tarzan Contra o Mundo”, no qual Tarzan, Jane, Boy e Chita vão parar em Nova Iorque. Também assisti alguns filmes que foram rodados no Brasil na década de 60.

Tarzan ocupou e ocupa a mente de gerações. Meu irmão, por exemplo, colecionava os gibis do personagem e a molecada gostava muito das histórias desenhadas por Jess Marsh. Em 73 ou 74 comprei em uma banca de gibis usados alguns livros de Tarzan. Eu tinha um mundo vasto para explorar, afinal o personagem já apareceu em mais de 24 livros e em diversos contos avulsos.

tarzan-contos-da-selva-ediouro-pixel-3Um mito percorre a mente de todos, independentemente de sua formação. O jornalista Cláudio Abramo em um texto de 1981, cujo título é Criadores e Criaturas (do livro A Regra do Jogo, Cia das Letras, 1988), escreve sobre a importância de Tarzan na sua infância:

“Assim, por exemplo, não seria honesto se não admitisse que Tarzan foi uma figura que me ocupou algum tempo, não como pessoa, mas como possibilidade de coexistir, de conviver e de sobreviver no meio das feras.
O reino animal, por assim dizer, tinha conservado intactos os valores morais básicos, o amor, a pureza de sentimentos, a nitidez de objetivos. Não se mata senão para comer, não se ataca filhotes de animais, e assim por diante.”

A Pixel/Ediouro sabe dessa paixão que nutrimos pelo personagem e como ele ainda tem uma legião de fãs, e não foi à toa que na XVII Bienal Internacional do Rio desse ano a editora lançou Tarzan: Contos da Selva, edição que reúne 12 histórias curtas sobre o personagem criado pelo escritor americano Edgar Rice Burroughs, em 1912. Todas escritas por Martin Powell e desenhadas por 12 artistas, inclusive o brasileiro Sergio Cariello.

tarzan-contos-da-selva-ediouro-pixelAliás, aqui vale uma pausa e um parabéns para o selo de quadrinhos do Grupo Ediouro. A Pixel tem se dedicado e conseguido cada vez mais espaço no mercado de banca com a publicação de clássicos como Fantasma, Mandrake, Popeye, Hagar, Recruta Zero e outros.

Voltando à obra, além do merecido tratamento de edição (incluindo capa dura), a obra merece destaque por duas características marcantes: todas as histórias se passam antes de Tarzan ser a lenda do Rei das Selvas, o que dá liberdade para o roteirista criar uma mitologia quase inexplorada, afinal, Edgar Rice Burroughs só escreveu sobre o passado do herói – antes de conhecer Jane – em 1919, fora isso, toda a sua infância e formação de caráter com a sua família gorila é um mundo a ser explorado.

O outro destaque é o fato das 12 aventuras fechadas serem desenhadas por 12 artistas diferentes, o que abre um leque visual incrível e faz o leitor perceber como o mito pode ser redesenhado com muita ação e traços e diagramação moderna, e como ainda se encaixa nas escolas de desenhos mais clássicas com poses escolásticas e cores chapadas.

tarzan-contos-da-selva-ediouro-pixel-4O compilado Tarzan: Contos da Selva é uma adaptação moderna, mas não deixa de lado o lado saudosista, e alguns personagens recorrentes estabelecem ligações com cada uma das 12 histórias e para o futuro do herói, que como foi muito bem exposto, em sua juventude era considerado uma anomalia das selvas, por não se encaixar em nenhum dos reinos animais, muito menos com as aldeias nativas que existiam nas selvas africanas, sendo até conhecido como “Demônio das Árvores”.

Contos da Selva por trazer várias histórias, mostra um Tarzan em várias faces. Desde o uso de artimanhas para resgatar Numa, o leão, enfrentando horríveis pesadelos (depois de comer carne de elefante), ensinando truques para a tribo de gorilas enfrentar Numa, aprisionado por canibais, fazendo amizade com um garoto nativo até enfrentando um feiticeiro vingativo ou na busca por respostas depois de ler um livro que falava sobre Deus.

Não se deixe enganar. O fato de todas as histórias se passarem antes do Rei das Selvas conhecer Jane não significa que você não verá um Tarzan apaixonado. Você irá ver a paixão do personagem por Teeka, a gorila, que aparece em mais três aventuras, incluindo uma onde o Homem-Macaco enfrenta a mãe ciumenta pela sua cria e o rapto de Teeka.

Para quem gosta dos livros ou gibis de Tarzan, Contos da Selva é um prato cheio de aventuras, principalmente para conhecer mais sobre a formação do mito Homem-Macaco.

Tarzan – Contos da Selva
Editora Pixel/Ediouro
Roteiros: Martin Powell
Arte: Diana Leto (O Primeiro Amor de Tarzan), Pablo Marcos (A Prisão de Tarzan), Lowell Isaac (A Luta pelo Balu), Will Meugniot (O Deus de Tarzan), Nik Poliwko (Tarzan e o Garoto Nativo), Steven E. Gordon (O Médico Feiticeiro Busca Vingança), Jamie Chase (O Fim de Bukawai), Terry Beatty (O Leão), Mark Wheatley (O Pesadelo), Sergio Cariello (A Batalha por Teeka), Tomás M. Aranda (Uma Piada da Selva) e Carlos Arguello (Tarzan Resgata a Lua)
Capa Dura
152 páginas
17 x 26 cm
R$ 34,90

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