Las historietas: El Eternauta – parte 2

Por Denilson Reis | 2 setembro de 2010

Por Alex Doeppre*

Nos momentos finais das 350 páginas de El Eternauta publicadas de 1957 a 1959, o protagonista Juan Salvo e sua família são deslocados no tempo e no espaço pela máquina que ele inadvertidamente aciona ao entrar numa nave invasora desguarnecida.

Juan vai parar no Continum 4, separado de sua esposa e filha, cujos destinos desconhece. Lá, um dos humanóides de múltiplos dedos lhe explica que existem infinitos continum (mundos alternativos) e que ele deverá percorrê-los até encontrar sua família.

El Eternauta teve grande sucesso e repercussão junto ao público. Uma de suas características marcantes foi justamente a ambientação na cidade de Buenos Aires dos anos 1950 (por exemplo, grandes batalhas são travadas no estádio do time de futebol River Plate).

Em 1958, publicou-se na revista Hora Cero Extra Semanal Nº 1 uma história paralela à principal, com Elena e Martita enfrentando um demente, com texto de Oesterheld e arte de Solano López.

Oesterheld idealizou uma segunda parte, mas o projeto não foi adiante, tanto pela ida de Solano López para a Inglaterra quanto pela falência da Editorial Frontera, da qual era proprietário. Oesterheld teve que vender suas publicações à Editorial Emílio Ramírez, que lança a revista El Eternauta em 1961, republicando toda a obra em três números. Com o êxito de vendas, o título segue publicando HQs, contos e artigos.

No número 4, o Eternauta reaparece em contos que relatam suas viagens no tempo testemunhando fatos históricos, todos escritos por Oesterheld (“Hiroshima” e “Pompéia” foram as primeiras narrativas).

No número 6, Oesterheld retoma a HQ de 1957, contando o que aconteceu após Juan Salvo ser transportado ao continum e conseguir voltar à época da invasão.

Desenvolvida como novela, a história continua até o número 15, quando a revista é cancelada, ficando incompleta. Foi publicada em livro, com outros textos do autor, por Ediciones Colihue em 1995.

“A exploração de alguns seres vivos para o exclusivo benefício de outros, como imposto e sustentado por determinada ordem política e social é, a priori, o grande tema que El Eternauta debate, denunciando claramente uma ferramenta de submissão: o enfrentamento de oprimidos contra oprimidos (…).” García, Fernando (2007). El Eternauta, 50 años, Buenos Aires: Doedytores.

*Designer gráfico, desenhista e fanzineiro
Contato: alexandredoeppre@gmail.com
Ilustração: Francisco Solano López

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