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Visto no Universo HQ – por Marcus Ramone

O perfil romântico do criador do Pato Donald, Mickey Mouse e de outros personagens – alguns dos quais verdadeiramente saídos da mente criativa de vários autores – cai por terra no livro Walt Disney – O triunfo da imaginação americana (Novo Século, 944 páginas, R$ 89,90), lançado no final do mês passado.

Publicada originalmente nos Estados Unidos em 2006, a obra escrita pelo jornalista Neal Gabler traça a trajetória do cineasta desde a infância pobre, destacando fatos marcantes como a construção da Disneylândia, e derruba diversos mitos em torno da imagem icônica do artista falecido há mais de 40 anos.

Foram necessários sete ano de pesquisas, cujas fontes mais seguras e disponíveis eram os próprios arquivos do gênio da animação. Documentos, cartas e outros registros guardados nos estúdios e aos poucos liberados com total acesso permitiram a Gabler traçar uma imagem de Walt Disney que o grande público desconhecia.

De patrão tirânico a figura pouco sociável, vítima de depressão depois da Segunda Guerra Mundial e desinteressado pelos quadrinhos – ele não sabia muito sobre as criações atribuídas a ele -, o artista era viciado em trabalho e direcionava todas as suas energias para os desenhos animados, aquilo que mais gerava dinheiro.

Segundo Gabler, a greve que os estúdios deflagraram em 1941 foi resultado de, dentre outros motivos, a condição desumana de trabalho que costumava fazer funcionários desmaiarem de fome por falta de tempo e dinheiro para comer. Em vez de parlamentar com os grevistas, Disney optou por se isolar em viagem à América Latina, coincidindo com a intenção do governo dos Estados Unidos de torná-lo embaixador do país na região.

O livro também desfila algumas curiosidades, muitas delas já conhecidas (como o nome com o qual o camundongo Mickey foi inicialmente batizado antes de estrear no cinema), outras nem tanto – como o fato de o corpo de Walt Disney não ter sido congelado, ao contrário do que muitos acreditam, mas cremado, e suas cinzas estarem em um cemitério da Califórnia; o fracasso de bilheteria de Pinóquio; e o Pateta na lista dos personagens que o artista detestava.

As realizações que o empreendedorismo pessoal e profissional de Walt Disney legou estão presentes na biografia, pontuando as passagens em que aquele convencionado lado mágico e encantador de sua história parece real.

“Acontece que Walt amava fantasiar sua vida (…) e adorava alimentar sua própria mitologia. A um ponto em que eu não me sentia confortável em usar a versão dele se não pudesse checá-la”, disse Neal Gabler à jornalista Raquel Cozer, da Folha de S.Paulo.

Walt Disney – O triunfo da imaginação americana tem o mérito de, para o bem ou para o mal, humanizar um dos maiores inspiradores do mundo das artes. “É, de longe, a mais brilhante e específica biografia de Disney. Os detalhes familiares são reveladores”, escreveu a Entertainment Weekly.

Visto no Universo HQ – por Marcus Ramone

Renato LebeauquadrinhosDisneylândia,Mickey Mouse,Walt DisneyVisto no Universo HQ – por Marcus Ramone O perfil romântico do criador do Pato Donald, Mickey Mouse e de outros personagens - alguns dos quais verdadeiramente saídos da mente criativa de vários autores - cai por terra no livro Walt Disney - O triunfo da imaginação americana (Novo Século,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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