Dando uma passada nos site e procurando o texto interessante de sexta-feira me deparei com uma entrevista realizada no site ToKa di Rato de Matheus Moura, com Waldomiro Vergueiro, para quem não sabe ele é o coordenador e idealizador do Núcleo de História em Quadrinhos da ECA-USP, hoje chamado de Observatório de Histórias em Quadrinhos, autor de vários livros sobre quadrinhos e considerado um dos maiores pesquisadores do Brasil.

Para o Impulso HQ, Waldomiro Vergueiro tem extrema importância visto que no início do site a sua atenção e colaboração indicando os caminhos de construir pautas relacionadas à quadrinhos e sempre avisando quando acontecem os colóquios do Observatório, que com certeza cobriremos em uma oportunidade próxima para mostrar ao leitor como funciona.

A seguir fiquem com a primeira parte da entrevista.
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Visto no Toka di Rato

Graduado em Biblioteconomia e Documentação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1977), mestrado em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP (1985) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (1990).

Atualmente é professor titular ECA/USP, além de desempenhar atividades de vice-chefe do Departamento de Biblioteconomia e Documentação, é também o coordenador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos, hoje rebatizado de Observatório de HQs.

Tem mais, muito mais que o Waldomiro fez e faz. Quem quiser conferir pode dar uma olhada no currículo lattes dele aqui. Mas vamos fazer isso depois de conferir a entrevista abaixo!!!!

01 Toka di Rato – Bom professor, vamos começar pela sua experiência com as HQs, quando teve início sua paixão?

Waldomiro Vergueiro: Comecei a ler quadrinhos logo que aprendi a ler. Ou talvez até mesmo antes disso. Os quadrinhos sempre me fascinaram. Gostava das imagens, das histórias, das cores, de tudo, enfim. Continuo gostando até hoje.

02 TdK – Já produziu, ou já pensou em produzir alguma HQ?

W. V. : Não. Deixo isto para aqueles que têm talento. Eu acredito que a maior contribuição que posso dar às histórias em quadrinhos é pela docência e pesquisa na área. É o que tenho feito.

03 TdK – O que levou o senhor a estudar HQs?

W. V. : Inicialmente, a paixão pelos quadrinhos. Sempre fui leitor e colecionador de quadrinhos e busquei compreendê-los melhor por meio do estudo. Felizmente, tive a possibilidade de fazer isso profissionalmente e pretendo continuar a fazê-lo enquanto puder.

04 TdK – Cite alguns dos trabalhos acadêmicos que já desenvolveu. Há algum em estado de “gestação”? Se sim, qual o tema abordado?

W. V. : Minha dissertação de mestrado, “Histórias em quadrinhos: seu papel na indústria de comunicação de massa”, defendida em 1985, foi um trabalho que me deu muito prazer de escrever.

Depois, orientei muitos trabalhos, escrevi algumas dezenas de artigos para a internet e para revistas especializadas no Brasil e no exterior. Orgulho-me bastante dos dois livros que organizei sobre quadrinhos, já publicados, “Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula” (Editora Contexto) e “O Tico-Tico: Centenário da primeira revista de quadrinhos brasileira” (Editora Opera Graphica).

Atualmente, tenho já três livros prontos, entregues a diversas editoras. Um deles, “La Historieta Brasileña”, deverá ser publicado este ano na coleção História de la Historieta Latinoamericana, da Editora Bañadera del Cómic, de Buenos Aires.

Os outros dois, que são coletâneas de textos de vários autores, organizados em parceria com o jornalista e professor Paulo Ramos, deverão ser publicados no ano que vem: “Muito Além dos Quadrinhos”, com textos analíticos sobre quadrinhos, originados em uma disciplina de pós-graduação que ofereci há alguns anos, deverá sair pela editora Devir; o outro, “Quadrinhos na Educação: da rejeição à prática, da recomendação ao fato”, deverá ser pela mesma Editora Contexto, que publicou meu livro anterior sobre o mesmo tema.

Atualmente estou organizando, o livro “Jornalismo em Quadrinhos”, também com Paulo Ramos, e um sobre a revista Gibi, este em colaboração com o prof. Roberto Elísio dos Santos.

05 TdK – Hoje até o prêmio HQMIX, o mais famoso do gênero no país, tem uma categoria destinada à estudos de HQs. O que acha desse movimento acadêmico que parece estar vislumbrado com os quadrinhos?

W. V. : O estudo acadêmico de quadrinhos tem crescido a olhos vistos. Isto ocorre em todas as áreas: Letras, Comunicação, História, Geografia, Psicologia, etc. Até nas áreas de Exatas têm sido defendidos ou apresentados trabalhos sobre histórias em quadrinhos.

06 TdK – A que atribui esse crescente interesse?

W. V. : Acho que o interesse sempre existiu. O que acontecia é que os alunos não tinham como seguir os estudos sobre quadrinhos, devido à falta de interesse, de conhecimento ou mesmo ao preconceito de muitos professores. Agora, essas barreiras diminuiram um pouco e inclusive existe uma recomendação governamental em relação ao uso de histórias em quadrinhos nos níveis fundamental e médio, o que facilita a aceitação de pesquisas sobre quadrinhos.

07 TdK – Os estudos atuais com relação às HQs partem de pressupostos realmente relevantes, ou estão mais para modismo?

W. V. : Acho que estamos numa fase intermediária. Por enquanto, ainda é bem grande o número de alunos que busca desenvolver estudos sobre questões que os incomodam como leitores de quadrinhos. É o caso, por exemplo, de leitores de super-heróis que querem desenvolver estudos sobre alguns aspectos de seu herói preferido.

Isso é válido, é claro, mas muitas vezes leva mais para um trabalho de – desculpe, mas não consigo achar outra palavra – nerd do que propriamente para uma pesquisa com preocupação metodológica clara. Mas acho que isso é passageiro. Com o tempo, tanto os alunos como também nós professores começaremos a definir melhor os assuntos a serem pesquisados em relação aos quadrinhos e a forma como devem ser conduzidos. De uma certa maneira, estamos todos ainda engatinhando nesse aspecto.

08 TdK – Quais os campos geralmente explorados pelos pesquisadores? O que poderia ser melhor estudado?

W. V. : Existem muitos estudos de linguagem e de comunicação. Creio que precisamos de mais estudos no campo da educação, da história, da antropologia, da psicologia e da economia. Existe uma grande necessidade de estudos de mercado, por exemplo, que quase não foram feitos até hoje (e, quando o foram, pecaram pela superficialidade).

Visto no Toka di Rato

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