Dragocídio em massa no RPG mais esperado do ano

Houve uma grande expectativa em relação ao quinto game da série The Elder Scrolls (Os Manuscritos Antigos), por ser um dos melhores títulos do gênero na atualidade. O que se esperava era uma aventura cheia de mistério, barbarismo e magia, e claro um mundo enorme para se explorar. O resultado final é animador.

Talvez a maior experiência oferecida por The Elder Scrolls seja sua cultura nômade. O jogador nunca para em um lugar especifico por bastante tempo e mesmo em Skyrim, cujo casamento agora é possível, a fidelidade com a casa e o conjugue ficam em pequeno plano, grata à diversidade de coisas a se fazer no imenso mundo erigido pela Bethesda Game Studios.

Os desenvolvedores tiveram cuidado na criação da maçã que dá gosto ao roteiro da campanha principal. O jogo apresenta um roteiro complexo encabeçado por pequenos episódios que se desenvolvem como numa grande novela literária de fantasia.

Por ser um título tipicamente livre e movido por decisões, muitas vezes éticas, a trama principal se choca com outros subenredos dada à construção sadia dos textos. Cada decisão pode influência na atmosfera perpétua de Skyrim, uma situação comum nos jogos de RPG ocidentais da atualidade que se torna padrão a cada lançamento.

O início da aventura

Passado 200 anos após os eventos de Oblivion uma nova e aterradora ameaça renasce das lendas antigas, os dragões. Essas fabulosas criaturas aladas que antes eram apenas ídolos da imaginação humana e élfica despertam misteriosamente de suas tumbas com o principal objetivo de destruir tudo.

A repentina chegada dos dragões surge num momento conturbado cujas forças imperiais de Skyrim travam uma disputa política e bélica contra os rebeldes nórdicos, Mantos da Tempestade, liderados pelo governador do distrito de Ventalia, o Jarl Ulfric, que são contra o seu domínio.

Logo no início do game o jogador é colocado na pele de um prisioneiro e seu destino é a execução em praça pública por decapitação. Aparentemente seu personagem fora capturado numa emboscada bem sucedida do império ao líder rebelde.

Mas nem você e nem Ulfric perderão a cabeça, pois Alduin, o dragão conhecido como “O Devorador de Mundos”, ataca ferozmente o distrito, destruindo tudo. Durante a fuga o seu avatar se depara com a primeira decisão do jogo, podendo seguir um soldado imperial ou um soldado rebelde.

Seja qual for a sua escolha, o destino será o mesmo, os diálogos e personagens encontrados nem tanto, isso é claro se você decidir seguir um dos soldados até o primeiro vilarejo do jogo. Toda essa passagem é um grande tutorial de iniciação ao que o jogo oferecerá durante o tempo que será jogado.

Nascido dos Dragões
O herói do jogo descende de uma antiga linhagem, criada nos tempos antigos pelo deus Akatosh, que se acerca dos verdadeiros dragões e que aparentemente fora extinta com a morte do último imperador do clã Septim.

Segundo o livro que explica a origem dos Dragonborns (Nascido dos Dragões ou Sangue de Dragões), os primeiros dragocidas eram híbridos nórdicos humanos e dragonianos que se rebelaram contra o subversivo domínio de Alduin e seus irmãos.

Os sangues de dragões travaram uma terrível batalha no passado que culminara com a derrota dos dragões e o aparente exilio do destruidor de mundos, Alduin, até o fim dos tempos, quando o primeiro filho alado de Akatosh retornará para cumprir o seu destino.

Aqueles que descendem dos dragões possuem o poder do grito e grande aptidão a magia. Além disso, eles também podem absorver a alma de um dragão após matá-lo, aumentando assim os seus poderes.

Raças
The Elder Scrolls é conhecido por ser um jogo multirracial, e ele possui muitas raças, sendo as mais comuns às humanoides: altos élfos, argonianos, bretões, élfos do bosque, élfos escuros, guardas vermelhos, imperiais, khajiit, nórdicos e orcs.

As principais raças são a humana e a élfica, são elas que dominam a política e as maiores porções territoriais. Cada uma das raças citadas oferecem habilidades distintas, vantagens que podem ser usadas durante a campanha.

Os orcs, por exemplo, podem entrar no modo Berserk, amplificando força, resistências e ataques, por outro lado, os imperiais podem ativar a voz imperial aluindo a vontade dos seus inimigos. São vantagens que influem na estratégia aferida pelo jogador.

O mundo de Skyrim
Uma das características marcantes de The Elder Scrolls são os calabouços, típicos do mundo medieval das aventuras de mesa inspiradas na clássica obra, O Senhor dos Anéis, escrita pelo professor e filólogo britânico, J.R.R. Tolkien.

Em Skyrim, os calabouços são banalizados com ótimos e expressivos desafios. Aliás, a vasta quantidade dessas grutas lúgubres espalhadas pelo mapa repudia qualquer lassidão desventurosa por parte do jogador. A aventura está lá e tomará muitos meses, talvez anos dos jogadores mais ardorosos de Role-Playing Game.

Importantes na evolução dos atributos do personagem em Oblivion, as guildas estão direcionadas em lugares específicos, exigindo maior exploração e conhecimento do mapa. Mas isso não será um problema já que é possível evoluir suas habilidades sem visitá-las. Não que não valha a visita, vale sim. Suas missões são deveras cativantes, com brutal imersividade no enredo que compões a bíblia de Skyrim.

O jogador poderá comprar, roubar ou encontrar seus feitiços e armas enquanto cumpre missões e explora os cenários do jogo. É bem verdade que a arte de saquear corpos nunca foi tão envolvente em The Elder Scrolls como está em Skyrim, principalmente depois de uma temerosa e suada batalha injusta contra um Orc enorme ensandecido por ter sido roubado.

Além dos temíveis dragões, talvez nem tanto como o esperado, o mundo de Skyrim possui uma quantidade variada de criaturas espalhadas pelo seu inóspito e fantástico território, algumas já conhecidas de títulos anteriores, mas com nova roupagem e maior proeminência na trama, caso da tribo dos lobisomens, Os Companheiros.

A maldição conhecida como licantropia assim como o vampirismo são um dos abraços das trevas possíveis no jogo. Há outra também, já comentada em fóruns na web, polêmica, pois envolve sacrifícios e canibalismo; uma ascensão na violência, talvez influenciada por Fallout 3, outro jogo da Bethesda que recorre ao tema.

Quando um embate contra um urso é pior que um embate contra um dragão
Quando anunciaram que Skyrim teria dragões enormes vagando p

elo ar, atirando fogo, causando inveja e prejuízos aos mortais, pensou-se que eles seriam o máximo de perigo que se encontraria no jogo, e que para abatê-los seria necessária uma boa estratégia e paciência. Nada disso. Praticar dragocídio é fácil, principalmente quando jogado na dificuldade padrão.

A corrente de dificuldade é tão ridícula que as batalhas contra os dragões se tornam entediantes ao longo da campanha, enquanto um simples gatinho dentes de sabre pode se transformar no seu pior pesadelo. O que falar dos ursos que podem matar com uma única e violenta patada.

Tirando esse defeito, as animações envolvendo os voos e ráfagas dos dragões são muito bem feitas. O design dos bichos alados e de suas asas corrobora com o modelo da estrutura óssea do morcego, uma visão do que seria o lagartão cuspidor de fogo, e seus movimentos de ataque são espontâneos e extremamente realistas, uma pena que sejam tão fáceis de matar.

A arte de Skyrim
A parte artística do quinto jogo da saga dos manuscritos antigos é belíssima e bem aventurada na sua execução. Ela mescla muito da arquitetura românica e de outras culturas europeias e ameríndias que dominaram a antiguidade.

O principal colosso de Skyrim é a cidade de Markath, adornada de megalíticos de pedras construídos pelos anões antes da decadência que culminara com o fim do seu povo. Os detalhes e sombras que compões seus edifícios, seus vizinhos montanhosos e suas cataratas aliciam a imaginação do quão grande era essa civilização no seu apogeu.

A flora não decepciona e alteia mimetismo com uma fauna extensa alimentando-se do seu suco vital. As árvores são desordeiras e típicas do clima temperado nórdico, seus cumes e cores esverdeadas embelezam a atmosfera fria, muitas vezes, carregada pelo azul choroso dos rios e dos riachos.

A paleta de cores é extrema, alternando entre o sadio do exterior chuvoso e o doentio do interior mórfico das covas, contrastadas pela abundância da escuridão e da vermelhidão cor de sangue.

Os detalhes dos corpos receberam melhor atenção dessa vez, a pele dos homens possuem cores fortes e reais. Os músculos foram bem detalhados, recebendo características adultas e sensuais. Por outro lado, os cabelos são feios, o ponto crítico de um visual que almeja ser belo.

Não foram somente os homens que tiveram o visual melhorado, todas as raças ganharam novas formas e animações tornando-as mais vivas e menos cartunizadas. Os argonianos, por exemplo, angariaram formas reptilianas muito próximas do que seriam se existissem.

Missões e suas decisões
Não são muitos os jogos em que o jogador pode escolher não cumprir uma missão para não fazer uma coisa que certamente ofenderá seus ideais. Em Skyrim isso é possível, e por ventura, não influência muito nos pontos de experiência.

O jogo possui duas tramas principais que podem se desenrolar de acordo com o movimento escolhido pelo jogador. Naturalmente existem objetivos onde o ponto A só pode ser ligado ao ponto B. Contudo, muitas vezes pontos C e D surgem tentando influir no andamento da história.

Além das tramas principais há outras espalhadas pelo jogo que também usam o poder da escolha como manuseio de suas soluções. O principal foco dessas decisões é testar a constituição ética do jogador. É bem provável, que a decisão tomada não seja aquela que se tomaria na vida real, afinal, ainda se trata de um jogo.

No controle de um assassino
Assim como em outros títulos da série é possível alternar entre primeira e terceira pessoa, cabendo ao jogador escolher qual. Diferente das outras versões mover-se na terceira pessoa é intuitivo e prático, o problema fica nas batalhas, que ainda são desajustadas e feias nessa visão.

A Jogabilidade não obteve muitas mudanças, mas o jogo ficou mais violento e maduro. O sangue agora é mais realista, e o tecido que compõe a pele dos NPCs sofre cortes profundos. Evoluindo as habilidades de uma mão e duas mãos, é possível ativar a opção para decapitar suas vítima ou até mesmo empalá-las graças às cenas cinemáticas que se alteram nas visões de primeira e terceira pessoa, provavelmente outra herança de Fallout 3.

Outra mudança importante fica por conta da interface do jogo, que foi claramente moldada para se adaptar aos controles dos consoles. Embora bonita, mostra-se complicada no início exigindo paciência de alguns jogadores.

Trilha Musical
A composição musical de Jeremy Soule é belíssima e fiel ao que já foi composto na serie. A primeira faixa, “Dragonborn”, trabalha com a suíte original de Morrowind que também foi revisada no tema de Oblivion. Soule faz pequenas alterações, incluindo coros que imitam gritos de glória; sem dúvida uma música arrebatadora.

A mística e instrumental faixa “Under an Ancient Sun” é poética e calma. Um misterioso som que se mescla com o ambiente e com a composição artística do jogo, caminhando com o tempo como se não tivesse pressa, caindo solitariamente com a chuva.

The Streets of Whiterun é uma prazerosa e saliente música que reboa graciosamente sobre os nossos ouvidos. Sua partitura é simbólica e caracterizada paz e tranquilidade.

O misticismo retorna com Sky Above, Voice Within e Dragonsreach ambas fúnebres e tocantes. Estranhamente a Bethesda só disponibilizou essas cinco faixas, embora, já tenha anunciado que lançará um álbum com quatro CDs com todas as faixas dessa competente trilha sonora.

Abaixo a letra conta a lenda do nascido dos dragões:

Dragonborn – Jeremy Soule

Dovahkiin, Dovahkiin, naal ok zin los vahriin,
Wah dein vokul mahfaeraak ahst vaal!
Ahrk fin norok paal graan fod nust hon zindro zaan,
Dovahkiin, fah hin kogaan mu draal!
Huzrah nu, kul do od, wah aan bok lingrah vod,
Ahrk fin tey, boziik fun, do fin gein!
Wo lost fron wah ney dov, ahrk fin reyliik do jul,
Voth aan suleyk wah ronit faal krein!
Ahrk fin zul, rok drey kod, nau tol morokei frod,
Rul lot Taazokaan motaad voth kein!
Sahrot Thu’um, med aan tuz, vey zeim hokoron pah,
Ol fin Dovahkiin komeyt ok rein!

(Chorus)

Dovahkiin, Dovahkiin, naal ok zin los vahriin,
Wah dein vokul mahfaeraak ahst vaal!
Ahrk fin norok paal graan fod nust hon zindro zaan,
Dovahkiin, fah hin kogaan mu draal!
Ahrk fin Kel lost prodah, do ved viing ko fin krah,
Tol fod zeymah win kein meyz fundein!
Alduin, feyn do jun, kruziik vokun staadnau,
Voth aan bahlok wah diivon fin lein!
Nuz aan sul, fent alok, fod fin vul dovah nok,
Fen kos nahlot mahfaeraak ahrk ruz!
Paaz Keizaal fen kos stin nol bein Alduin jot,
Dovahkiin kos fin saviik do muz!
(Chorus)
Dovahkiin, Dovahkiin, naal ok zin los vahriin,
Wah dein vokul mahfaeraak ahst vaal!
Ahrk fin norok paal graan fodnust vok zin dro zaan,
Dovahkiin, fah hin kogaan mu draal!

Bugs
Nem tudo é maravilhoso, o jogo possui muitos bugs, nada que possa ferir gravemente o trabalho que já fora feito, mas que muitas vezes desagrada e que poderia ter sido evitado antes do seu lançamento, quem sabe com um adiamento.

Fica a impressão que os produtores lançaram o jogo antes do seu término, isso explicaria os vários problemas que a versão dos consoles possui, como texturas que não carregam no disco rígido do Xbox 360, e os constantes travamentos no PS3 por causa do constante salvamento.

A desenvolvedora prometera um patch logo para resolver a maioria dos problemas, acontece que o logo pode ser longo e esperar é uma coisa que os jogadores não gostam.

Conclusão
The Elder Scrolls V: Skyrim é um jogo maravilhoso, e um RPG gigante que tomará meses dos jogadores mais ardorosos. A trama principal e seus subenredos são bem articulados impondo bastante ganância nas escolhas éticas.
O trabalho artístico é muito bom, sendo digno de elogios. Sua inspiração nas culturas antigas denotam atenção e estudo histórico por parte dos desenvolvedores. A parte sonora é excelente, com alto padrão na construção musical de Jeremy Soule.

As animações foram melhoradas em relação a Oblivion, destaque para os dragões que possuem movimentos assustadores de tão realistas. Entretanto, a movimentação de alguns NPCs é pífia e trapalhada.

Outro detalhe que gera tristeza são os bugs, que são muitos e chegam até a prejudicar o andamento da jogatina, caso da versão do PS3 que pode até causar travamentos se os jogadores exagerarem no número de salves.

Ao todo, o jogo se sai bem, sendo um dos melhores lançamentos do ano, talvez o mais viciante. A grande perda fica para nós falantes do português, pois o jogo fora localizado para a maioria das línguas latinas e infelizmente o português não entra na lista, apesar do site oficial possuir uma página lusitana do jogo.

Vídeo

Nome do jogo: The Elder Scrolls V: Skyrim
Desenvolvedora: Bethesda Game Studios
Publicadora: Bethesda Softworks
Diretor: Todd Howard
Compositor: Jeremy Soule
Motor do jogo: Creation Engine
Plataforma: Microsoft Windows, Playstation 3, Xbox 360
Gênero: Role-Playing Game, Mundo Aberto
Série: The Elder Scrolls
Antecessor: The Elder Scrolls IV: Oblivion
Modos de jogo: Um jogador
Idioma: Inglês
Preço: PC R$ 113,90 (download). Consoles R$ 199,00 (varejo)

José NunesquadrinhosBethesda Game Studios,RPG,Skyrim,The Elder Scrolls V,Todd HowardDragocídio em massa no RPG mais esperado do ano Houve uma grande expectativa em relação ao quinto game da série The Elder Scrolls (Os Manuscritos Antigos), por ser um dos melhores títulos do gênero na atualidade. O que se esperava era uma aventura cheia de mistério, barbarismo e magia, e...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe