O quadrinhista mineiro Wellington Santos demonstrou maturidade e talento desde a publicação de sua primeira HQ, Vulto o Vigilante, em 2005. Tendo publicado outras três edições do personagem concebido originalmente em 1990, o autor goza de prestígio e não menos esmero em seu mais recente trabalho, Vulto – Enchentes.

A máxima da trama consiste no seguinte: durante o período em que chuvas torrenciais se abatem sobre a capital mineira, causando mortes e destruição, o Vulto deixa de caçar criminosos para se concentrar em salvar vidas.

Os estragos causados pela fúria da natureza já se tornaram um problema crônico em nosso país e é nesse contexto pertinente que Wellington insere seu personagem numa história que, dada à realidade, infelizmente irá demorar a ficar datada.

Mas antes de acompanharmos o esforço hercúleo do herói contra a intempérie climática, os leitores podem conferi-lo em momentos absolutamente humanos, como na cena presente no princípio do gibi em que ficamos sabendo como Nelson Montenegro (alterego do Vulto) ganhará seu dinheiro a partir de agora.

Além disso, há espaço para que seja evidenciada a dicotômica faceta do personagem, que traz em si a rica mistura entre a linha do “bom moço por excelência” (muito presente na publicação em questão) e “executor implacável” (elemento recorrente nas revistas anteriores).

Diferente das referidas edições anteriores, em Enchentes não foram os empregados os tons de cinza nas páginas internas, mas o resultado não decepciona. Muito pelo contrário, tornam a leitura ainda mais agradável, pois se pode apreciar cada minucioso detalhe dos desenhos e, ainda nesse sentido, é sensacional reparar como a arte de Wellington herda o melhor dos desenhistas que o inspiraram, figuras como John Romita Sr, John Byrne e Jim Lee.

Além de pelo menos dois sensacionais fanarts, a HQ divide suas páginas com uma história assinada por José Salles, roteirista e editor da Júpiter II, ilustrada por Zilson Costa. Entusiasta dos gibis brasileiros, Salles acaba percorrendo as motivações do personagem em “a grande recompensa”, trama de teor humanístico que ganha muito com o traço de Zilson, que lembra o sincero trabalho de Craig Thompson em Retalhos. Embora sua participação seja coadjuvante, Salles acrescenta “alma” as ações do Vulto, compondo mais uma peça na mitologia do personagem.

A capa da revista, que traz incrível pintura digital, cortesia do talentoso Raimundo Gomes (Destemido, 2010), é seguramente a mais bela já produzida para o herói. Vulto – Enchentes é leitura obrigatória para quem curte histórias em quadrinhos e, ao mesmo tempo, motivo de orgulho para roteiristas e artistas pelo Brasil afora.

Vulto – Enchentes
Autor: Wellington Santos
Editora: Júpiter II
Capa colorida
Miolo P & B
30 páginas
Data: junho de 2011
R$ 4,00
Contato: [email protected]

Dennis Rodrigoresenha hqbEnchentes,HQB,Júpiter II,José Salles,resenha,Vulto,Wellington SantosO quadrinhista mineiro Wellington Santos demonstrou maturidade e talento desde a publicação de sua primeira HQ, Vulto o Vigilante, em 2005. Tendo publicado outras três edições do personagem concebido originalmente em 1990, o autor goza de prestígio e não menos esmero em seu mais recente trabalho, Vulto – Enchentes. A...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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