Vasculhando os confins da internet, tive o prazer de encontrar esse material de nome tão poético, “Vidas Imperfeitas”.

De cara, a capa é tão bem feita que somos até capazes de apostar no escuro que a leitura da obra vale a pena.

Ai, depois do editorial e dos agradecimentos, vem a primeira página de desenho. E assusta um pouco. Um mangá com arte-final a lápis e as características tradicionais de quem esta começando nessa arte – em processo já avançado, mas ainda assim em inicio de carreira: algumas poses meio duras e cenários pobres em detalhes.

Mas, como já começamos a leitura mesmo, vamos até o fim.

Ao término, fica aquela sensação feliz de quando a gente aposta em alguém e essa pessoa retribui a confiança, satisfazendo as nossas expectativas.

A história é sobre Juno, uma garota que se veste como menino e é violenta e forte (ela ganha no braço-de-ferro contra homens e até bate em alguns deles), mas que por algum motivo desperta a atenção de Daniel (o narrador da história) que ao se aproximar da moça pressente que ela é muito mais especial e guarda muito mais “tesouros” do que sua aparência deixa transparecer.

Como bem informa o editorial da obra, é uma história sobre amor, amizade e família. Enfim, sobre relacionamentos. E essa edição (que não informa quantos volumes terá, diga-se de passagem) narra a aproximação entre Daniel e Juno.

As coisas acontecem um pouco rápido de mais, mas nada que tire o prazer de ler o trabalho do inicio ao fim sem se desgrudar da tela do computador. Quando notamos, a edição já acabou e a gente volta para reler novamente e nos demorarmos na apreciação dos desenhos.

Como dito, a arte começa meio dura, mas aos poucos Mary Cagnin vai mostrando sua competência com o lápis. Embora os cenários sejam seu ponto fraco, a autora apresenta uma grande qualidade no desenho frontal de rostos e explora isso de maneira muito inteligente, espalhando diversos closes ao longo das páginas – e o fato da arte-final ser feita a lápis acrescenta ainda mais qualidade ao trabalho, que fica com aquele jeito espontâneo que só o lápis consegue alcançar.

A diagramação é outro ponto forte do trabalho, pois segue o exemplo dos mangás: bem variada, fugindo constantemente do lugar comum e acrescentando um belo ritmo à trama.

É uma história que extrai do cotidiano todo o seu romantismo. Como é o caso de muitas publicações da atualidade: Nanquim Descartável, Pieces, Naná, 10 Pãezinhos etc. Essas citações servem somente para se ter uma idéia da linha que segue “Vidas Imperfeitas”, obviamente cada uma dessas publicações percorre caminhos diferentes, mas penso que possam agradar o mesmo público.

A autora já lançou o segundo número da obra e também uma história paralela, sobre a mãe de Juno. Trabalhos nos quais é possível notar a evolução do seu traço (vale a pena dar uma olhada no site da artista depois de ler essa resenha).

Trabalho competente e muito promissor.

Vidas Imperfeitas nº1
Autora: Mary Cagnin
Edição Independente
34 páginas
Data: Junho de 2009
Preço: Download gratuito
Contato: http://justmaryy.deviantart.com/

Alexandre Manoelresenha hqbHQB,Independente,Mary Cagnin,resenha,Vidas ImperfeitasVasculhando os confins da internet, tive o prazer de encontrar esse material de nome tão poético, “Vidas Imperfeitas”. De cara, a capa é tão bem feita que somos até capazes de apostar no escuro que a leitura da obra vale a pena. Ai, depois do editorial e dos agradecimentos, vem a...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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