Depois de mais de trinta edições adaptando grandes filmes que fizeram sucesso de bilheteria e crítica, confesso que estranhei ao saber que a edição 32 de Clássicos do Cinema Turma da Mônica seria sobre o filme Tron – o legado, uma produção americana de 2010 de ficção científica.

A estranheza foi dada primeiramente porque o filme em si já foi uma aposta arriscada. O longa-metragem é uma continuação de Tron, de 1982, e estava quase esquecido. Acredito até que se o filme não fosse uma franquia Disney, ele nunca mais seria continuado.

A segunda sensação de estranheza foi justamente a questão que Tron – o legado, apesar de ter recebido críticas até razoáveis, não foi um filme que emplacou ou impactou o público, apesar dos belos efeitos especiais. E é claro que a soma desses dois fatores teve como resultado a seguinte questão: Tem como fazer uma boa paródia com esse filme?

E mais uma vez a equipe dos Estúdios Mauricio de Sousa provaram que sempre é possível fazer uma boa história com qualquer tipo de tema. Ao contrário das edições anteriores de Clássicos do Cinema Turma da Mônica, Trônica é uma boa HQ mais pelo seu contexto e piadas do que pela adaptação em si.

Aliás, um parêntese aqui. As edições da série que são realmente paródias de filmes são bem mais engraçadas do que as que reúnem uma compilação das melhores histórias da turma relacionadas a um tema como, por exemplo, medieval, detetives e etc. Uma porque as histórias parodiadas são mais longas e envolvem mais o leitor e também porque faz mais sentido com a própria proposta da série.

Mas, continuando sobre Trônica, como já foi mencionado, o grande destaque vai para as piadas “nerds”, ou aquelas ligadas ao universo tecnológico. As referências que aproximam a realidade com o universo da história criam ligações com o leitor que é impossível não achar graça.

Algumas situações são tão inusitadas e depois se tornam tão óbvias, por exemplo, quando se liga a um termo de computação a outro contexto, que ficamos até nos perguntando quando o roteirista teve essa sacada. Nem vou detalhar as situações aqui porque são muitas e algumas utilizam se utilizam somente do recurso visual, ou seja, não vai ter a menor graça se for escrito.

Outro ponto que agrada na publicação é a participação de outros ícones do universo dos games, e a brilhante ideia de transformar a Magali no personagem do Pac Man. Genial. Não poderia ser melhor, e ainda teve toda uma importância na história.

Um detalhe bacana da edição foi a composição dos quadros na página. Em muitos momentos eles assumem a forma de chips, inclusive com detalhes em seus contornos. Esse recurso gráfico aprofundou ainda mais a sensação de estar em um universo digital dentro dos quadrinhos.

Trônica é uma história divertida e ainda consegue te prender pela aventura. Mais uma vez os profissionais dos Estúdios Maurício de Sousa demonstram que uma boa HQ depende de boas ideias e sacadas inteligentes, e nesta história tem de monte. Você leitor mais velho que pretende dar algumas risadas com as referências de games antigos também irá se divertir bastante, o que prova que as publicações de Mauricio de Sousa são para qualquer idade.

Trônica, faça o login e divirta-se!

Obs: Não consegui evitar de terminar o texto com uma piadinha nerd. He He He 😀

Renato Lebeauresenha hqbClássicos do Cinema,Mauricio de Sousa,Trônica,turma da MônicaDepois de mais de trinta edições adaptando grandes filmes que fizeram sucesso de bilheteria e crítica, confesso que estranhei ao saber que a edição 32 de Clássicos do Cinema Turma da Mônica seria sobre o filme Tron – o legado, uma produção americana de 2010 de ficção científica. A estranheza...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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