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Fui escalado para resenhar a revista Tempestade Cerebral #4. Mas, sabendo que ela contém histórias que vêm desde a edição #2, nada mais profissional que ler primeiro os números anteriores.

Por questão de espaço, farei aqui alguns comentários sobre os 3 primeiros números, ao invés de fazer uma resenha de cada. A edição #4 será resenhada na próxima postagem.

A primeira edição apresenta uma capa competente, mas sem nenhum atrativo. Contém 3 histórias. A primeira, “Jornada Temporal” (argumento: Gilberto Borba e Marcos Franco, desenhos: Gilberto Borba) é sobre Omir, um demônio à procura de um ser poderoso o suficiente para libertar seu mestre. Infelizmente o roteiro se baseia apenas no confronto entre super seres. Os desenhos são muito competentes, principalmente com a figura humana, mas poderia investir mais em cenários e linhas de movimento.

“Os combatentes” (Danilo Faria, Alex Genaro e Luis Berbert – a revista não especifica quem faz exatamente o que) diz se tratar de uma operação envolvendo OVNIs e o futuro da humanidade, mas neste número o que mostrou foi apenas a ligação de dois gêmeos, cada um capaz de sentir o que o outro sente. Um deles é forçado a realizar uma tarefa – que o roteiro não diz qual é, e acaba por ai.

Os desenhos são ruins e o tratamento das imagens pior, parece que se esqueceram de apagar os traços a lápis. Em alguns momentos, dá impressão de serem apenas esboços, como nas páginas 22 e 23, entretanto, o resultado dessas páginas até que é agradável, fica parecendo gravura em metal. Destaque para a boa diagramação. A continuação dessa HQ se deu exclusivamente via internet.

Encerrando, temos “Crazy Mary” (roteiro: Alessandro Scringnolli, desenhos: Omar Viñole), o ponto alto da edição. Uma mercenária contratada para matar um dos maiores chefes do tráfico de sua cidade. Além dos ótimos desenhos que fogem da estética de super-heróis, destaque também para o roteiro que nos envolve com a ação em si e com informações sobre a composição do ácido lisérgico e o modo como ele ataca o cérebro.
A qualidade gráfica é uma característica já presente nesse número como a boa impressão e o papel de qualidade.

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Mas foi a edição #2 que definiu o design da revista com o conceito flip-flap: até o meio da edição, aproximadamente, a revista segue normalmente, depois, as páginas ficam de cabeça para baixo e é preciso virar a revista para continuar a leitura – em sentido ocidental, o que torna necessário a presença de 2 capas. O efeito é bom e faz com quem o leitor tenha uma relação física maior com a revista. Dessa vez, o espaço das capas foi bem aproveitado.

O segundo número apresenta a conclusão da HQ “Jornada Temporal”, que não acrescenta nada a quem estiver lendo. Os desenhos são bons, mas os personagens são muito parecidos e chegam a confundir o leitor em algumas passagens. A ausência de cenários continua como a maior falha. Ao menos essa HQ apresenta algo que falta em outras histórias de super-heróis brasileiros: pancadaria. Agora, falta investir nos roteiros.
Há a estréia de duas personagens: Força Mística e Valkíria.

Na primeira (com roteiro de Alex Mir, desenhos de Márcio Luiz e arte-final de Simião), acompanhamos uma entidade feminina que, imediatamente após sua libertação, livra sua filha de um aparente feitiço que a privou de sua memória. Mas, ao que parece, não se trata de um gesto de compaixão e sim de vingança. Disse “ao que parece” porque a HQ não mencionou nenhum nome e a trama ficou confusa. É uma história com continuação, mas as 8 páginas que ela ocupa não são suficientes para criar curiosidade que faça o leitor aguardar o próximo número.

A HQ de Valkíria (roteiro: Alex Mir, desenhos: Alex Genaro) também está dividida em capítulos, mas apresenta um roteiro mais estruturado, composto de pequenos conflitos solucionados em cada edição. A história retrata a heroína do título à procura de uma suposta fonte da juventude. Tem boa ação. Destaque para os desenhos de Genaro e o modo como ele utiliza os tons de cinza para deixar as figuras em primeiro plano.

Apesar de bem feita e com melhor tratamento, considero a edição mais fraca até o momento devido suas histórias não serem capazes de prender o leitor até a edição seguinte.

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Uma pena, porque a edição #3 foi onde a publicação encontrou sua vocação: ser um ponto de encontro para diversos super-heróis brasileiros. Surgiram outras novidades boas também: a seção de cartas e o formato americano (nos dois primeiros números a revista tinha o formato A5).

A edição começa com o segundo capítulo da saga de Valkíria.

Aqui, ela e seus companheiros de viagem enfrentam estranhas criaturas que habitam o interior de uma árvore. No meio da batalha descobrimos um poder da heroína: comunicar-se com os animais. A presença do estilo fantástico é bem vinda porque diferencia essa história das demais.

Em seguida a revista presta homenagem a Mark Novoselic (desenhista conhecido por seu trabalho com o personagem Crânio), falecido em junho de 2008. Na sequência nada mais coerente que uma HQ do próprio Crânio (roteiro: Francinildo Sena, desenhos: Luke Oliver e Simião).

Destaque para o cenário familiar da história (gostaria de ver mais cenários brasileiros nas HQ produzidas por aqui) e para o texto de apresentação do personagem, com o qual o leitor tem a oportunidade de conhecer melhor o herói. Penso ser essa uma medida que deveria se estender a todos os heróis da edição, afinal, muitos deles já existiam antes de serem publicados na revista.

A HQ “Força Mística” ficou mais interessante nesse número. A história revela que Pandora é uma bruxa que consegue escapar da Inquisição e está prestes a sacrificar sua própria filha. Mas a dúvida permanece: Força Mística é o nome de alguma personagem ou somente o título da história? De qualquer forma é um dos pontos altos da edição.

Mas, a melhor história é a do “Escorpião de Prata” (roteiro: Eloyr Pacheco, desenhos: Will), na qual nosso herói sobe um morro para resgatar uma de suas alunas de capoeira do meio de um conflito entre policiais e traficantes. Tramas assim são muito bons porque se aproximam mais de nossa realidade (nada de seres galácticos ou pré-históricos). O conflito interno do personagem, ele se culpa por não ter evitado sua aluna entrar para o tráfico, contribui para uma maior humanização dele e cria identificação com os leitores.

A melhor edição até o momento.

Tempestade Cerebral #1, #2 e #3
Autores: Alessandro Scringnolli, Alex Genaro, Danilo Faria, Gilberto Borba, Luis Berbert, Marcos Franco e Omar Viñole (edição #1). Alex Genaro, Alex Mir, Gilberto Borba, Márcio Luiz e Simião (edição #2). Alex Genaro, Alex Mir, Eloyr Pacheco, Francinildo Sena, Luke Oliver, Márcio Luiz, Simião e Will (edição #3).
Revista Independente
Nº de páginas: 36 cada edição
Data: Dezembro de 2007 (edição #1). Março de 2008 (edição #2). Julho de 2008 (edição #3).
Preço: R$ 3,50 (edição #1). R$ 3,00 (edição #2). R$ 4,00 (edição #3).
Contato: [email protected]

Alexandre Manoelresenha hqbAlessandro Scringnolli,Alex Genaro,Alex Mir,Danilo Faria,Eloyr Pacheco,Francinildo Sena,Gilberto Borba,HQB,Luis Berbert,Luke Oliver,Marcos Franco,Márcio Luiz,Omar Viñole,resenha,Simião,Tempestade Cerebral,WillFui escalado para resenhar a revista Tempestade Cerebral #4. Mas, sabendo que ela contém histórias que vêm desde a edição #2, nada mais profissional que ler primeiro os números anteriores. Por questão de espaço, farei aqui alguns comentários sobre os 3 primeiros números, ao invés de fazer uma resenha de...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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