Lançado pela Editora Beleléu em julho de 2012, com roteiro e ilustração de Pablo Carranza, “Se a vida fosse como a Internet” é uma HQ que podemos chamar de independente não só pela sua postura crítica como também pelo o seu desenvolvimento. A publicação é composta por tirinhas recheadas de humor trazendo o “conteúdo” de dentro das caixinhas pretas (ou brancas), para o mundo real.

“Se a Vida Fosse Como a Internet” merece muita atenção e tem vários destaques. Primeiro é que o projeto foi um dos trabalhos contemplados pelo ProAC – Programa de Ação Cultural, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, em 2011. O que demonstra que o programa contempla HQs boas e dos mais diversos gêneros e temas.

Outro ponto a ressaltar dessa HQ criada por Pablo Carranza, sergipano que veio para São Paulo, é a crítica não à cidade, e sim ao relacionamento e como a presença da grande rede chamada Internet está cada vez maior na vida das pessoas. E com essa premissa o autor não fez nenhuma cerimônia e mirou em praticamente todos os “hábitos” digitais da atualidade, produzindo assim uma HQ adulta, com uma compilação de tirinhas que consegue atingir também o pessoal da geração X e Y, tirando uma piada ou outra.

Mas também não tem como dar destaque, aliás, um grande ao projeto gráfico. Piadas geniais com a simples mudança de papel ou ícones oitentintas ou noventistas. O autor abusou e de maneira superpositiva de metalinguagem para criar algumas das piadas mais engraçadas do álbum. Para os mais novos: o papel que o autor usa na sequencia do FAX é sim o famoso papel de fax que era usado para passar as informações “na hora”, um precursor do e-mail.

E se engana quem pensa que o autor faz as comparações óbvias. Sim o título já diz tudo, ele faz um paralelo entre o real e virtual, mas o autor consegue sair da zona de conforto e literalmente conectar a mente do leitor aos absurdos do cotidiano digital. O livro é uma crítica para o mundo que estamos vivemos hoje e sempre passa pelo argumento de até onde podemos levar o virtual para a vida real e vice versa.

No final da leitura, acredito eu que tenha sido o objetivo de Carranza, sobra reflexão sobre o quão fina é a fronteira entre o absurdo digital e a idiotice compartilhada com a vida real e se realmente estamos vivendo em uma sociedade contemporânea que sabe os rumos aonde a tecnologia irá nos levar. Será que estamos ficando cada vez mais espertos ou apenas estamos retrocedendo enquanto a facilidade virtual avança?

Questionamentos e reflexões de lado, falando mais sobre a obra, como marca registrada, o traço do quadrinhista é totalmente descompromissado e livre, apesar de bem definido, gerando personagens visualmente engraçados e levemente escrotos. Essas características fazem com que as tirinhas sejam gostosas e atrativas de ler. Com certeza, outro traço ou estilo gráfico deixaria a obra pesada e agressiva. Carranza acerta na medida ao utilizar o seu traço cômico.

Um fato interessante sobre a publicação é que as piadas fazem parte apenas do mundo das redes sociais e dos usuários de PC sistema operacional Windows. Essa peculiaridade faz com que nem todos os cidadãos do mundo consigam entender todas as piadas, até porque, Mac não dá problema (cof cof).

Dizer coisas como “Curti isso” ou “ Estou offline” fazem parte do nosso cotidiano, mas gosto de pensar a frente, e que provavelmente daqui 5 ou 6 anos essas histórias não farão nenhum sentido, serão apenas uma espécie de nostalgia. Assim, como “vou ali passar um fax”, ou um simples disquete ficou pra trás, e certeza que o pessoal da geração Z não entenderá a piada. Mas até aí, a graça pode estar justamente nesse ponto.

Para finalizar, vale constar que “Se a vida fosse como a Internet” é um produto transmídia. É um livro que fala de internet, e ainda dá para acessar uma historinha inédita pelo QR Code, no celular ou pela webcam, ou seja, o livro te leva para a Internet.

Com certeza é um dos melhores lançamentos independentes de 2012.

Vale a diversão! Curte aí e compartilha!

Se a vida fosse como a Internet
Editora Beleléu – Edição especial
Texto e Arte: Pablo Carranza
Papel Pólen Bold
P&B e Cor
17 x 26 cm
84 páginas
R$ 29,90

Thailiny Cruzresenha hqbBeleléu,Pablo Carranza,PROAC,Se a vida fosse como a InternetLançado pela Editora Beleléu em julho de 2012, com roteiro e ilustração de Pablo Carranza, “Se a vida fosse como a Internet” é uma HQ que podemos chamar de independente não só pela sua postura crítica como também pelo o seu desenvolvimento. A publicação é composta por tirinhas recheadas...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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