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A HQ se utiliza do conceito de “realidade alternativa” para unir nos anos 1960, período no qual ocorre a história, a personagem Velta, criada em 1973 por Emir Ribeiro e o super-herói Raio Negro, este sim dentro de sua cronologia, criado em 1964 por Gedeone Malagola.

Tudo começa quando a jornalista Sandra Soares resolve investigar um estranho caso de aparição de extraterrestres e aceita instruções de um misterioso sujeito que diz saber como entrar em contato com esses seres.

Precavida, ela resolve avisar sua amiga Velta sobre seus planos, para que alguém saiba de seu paradeiro caso algo de errado.

Paralelo a isso, as forças armadas brasileiras recebem informações sobre presença alienígena em território nacional e convocam o super-herói Raio Negro para investigar o caso.

Assim, está armada a trama para o encontro de dois dos maiores (no caso da Velta também literalmente) super-heróis brasileiros. Sandra Soares acaba por se voluntariar, sem saber, a uma espécie de cirurgia de transplante de órgãos e fabricação de andróides. O Capitão Op-art esta por trás disso tudo para aprender as técnicas alienígenas e usá-las em seus crimes, mas Raio Negro e Velta chegam a tempo de salvar a repórter e o cientista Zeiss Zenkiev, também envolvido nessa trama que, de quebra, nos brinda com uma origem, não tão alternativa assim, para a agente especial Nova.

A HQ é mais voltada para o suspense – que vai revelando a história aos poucos e consegue prender bem a atenção do leitor. Mas, para uma HQ do gênero de super-herói, senti falta de mais pancadaria. Embora, a julgar pela suave crítica aos uniformes-fantasias dos super-heróis nas derradeiras páginas da trama e pelo texto ao final da revista, que transcreve uma carta de Gedeone, é provável que a intenção tenha sido mesmo a de maneirar na violência.

Também senti falta de uma revisão. Mesmo que isso não prejudique a qualidade da história, é sempre desagradável ler textos com algumas letras faltando ou palavras se repetindo. Não que isso ocorra muito, mas as poucas vezes em que ocorrem são suficientes para incomodarem um pouco.

Os destaques vão para os belos desenhos do mestre Emir Ribeiro, principalmente na sequência que ocorre dentro da nave, por sua riqueza nos detalhes, e nos desenhos de rostos dos personagens (simplesmente fantásticos!).

A constante alusão ao insólito caso que ficou conhecido como “O mistério das máscaras de chumbo” também é um ponto que muito me agradou. É uma história muito curiosa, para dizer o mínimo, que ocorreu em 1966 quando dois jovens foram encontrados mortos no morro do vintém (RJ), sem sinal de violência. No local encontravam-se também alguns objetos estranhos como um pote de água magnetizada, duas rústicas máscaras de chumbo e um bilhete (semelhante ao que a repórter da HQ mostra na página 9).

Naquela mesma noite, algumas pessoas afirmaram terem visto um objeto não identificado e muito luminoso no topo do morro. Um caso que entrou para os anais da ufologia mundial e digno de “Arquivo X”, mas infelizmente pouco explorado na nossa cultura – como muitos outros casos, aliás.

Para finalizar, parabéns também pela justa homenagem a Gedeone Malagola, um dos mestres da HQ nacional, falecido em setembro de 2008.

Raio Negro e Velta, nº 1
Autor: Emir Ribeiro
Editora: Júpiter II
Nº de páginas: 32
Data: Dezembro de 2008
R$ 3,00
Contato: www.emirribeiro.com.br

Alexandre Manoelresenha hqbEmir Ribeiro,HQB,Júpiter II,Raio Negro,resenha,VeltaA HQ se utiliza do conceito de “realidade alternativa” para unir nos anos 1960, período no qual ocorre a história, a personagem Velta, criada em 1973 por Emir Ribeiro e o super-herói Raio Negro, este sim dentro de sua cronologia, criado em 1964 por Gedeone Malagola. Tudo começa quando a...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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