Quando fez a sua estreia no mercado editorial dos quadrinhos a Nemo editora chegou com a proposta de também apostar nos talentos brasileiros. Um dos seus primeiros álbuns nacionais foi O Senhor das Histórias, que podemos definir como uma fábula daquelas direcionadas as crianças.

A narrativa é um conto folclórico que traz como protagonista Anansi, um velho artesão de uma tribo africana que contava histórias enquanto tecia, e os mantos que eram produzidos demoravam muito tempo para ficarem prontos. Porém as mesmas histórias eram esquecidas, e quando ele se da conta disto inicia uma busca dos princípios de sabedoria e sobre suas origens.

Tenho certeza que o lado professor do roteirista Wellington Srbek falou mais alto aqui, e ele produziu um texto pensando naquele público alvo que está em fase de desenvolvimento. Acredite, sobreviver nos dias atuais contando histórias está cada vez mais difícil, tem que no mínimo gostar do que se faz, e nós sabemos o quanto Srbek gosta de contar boas histórias.

O texto flui de maneira acolhedora, familiar e gostosa para quem está lendo, ou até mesmo escutando. Ideal para se sentar com os pequenos em volta. Acho importante o trabalho de lendas e crenças para esse público. É necessário que as crianças aprendam a lidar com o diferente, isso é dar a elas o poder de escolher.

O livro tem um roteiro leve e de fácil entendimento, mas não basta escrever uma boa história sem mostra-la de uma forma diferente também, e aí entra a habilidade do quadrinhista Will, que traduziu o roteiro de uma maneira muito eficiente.

É bonito ver como a palavra se transforma na linguagem dos quadrinhos, que também descreve a palavra escrita. Will conseguiu ter e repassar um olhar de criança com a sua arte e adentrou em um profundo mergulho no imaginário do contador do universo desse conto. Todos esses recursos nos passam a sensação de que a história também é um pouco nossa, e assim ficamos prontos para compartilhá-la.

Para um história desse tipo funcionar para o público infantil, ela tem que provocar através do campo aberto da memória, da experiência e da imaginação. Não basta ler junto com este clima de se conhecer ou ganhar um livro. A narrativa deve atingir outros objetivos como educar, instruir, desenvolver a inteligência e ser um ponto de partida para a janela imaginaria do mundo. E sim, O Senhor das Histórias está na medida certa!

Quem é educador, ou mesmo os pais e avós, sabe que as crianças adoram figuras e sempre querem as histórias que associam aos livros. Qual educador, por exemplo, que nunca escutou dos pequenos “conta aquela do livro tal”?. Com certeza já consigo imaginar: “conta aquela do livro do velho da tribo”.

O mote da publicação, e que gera um elo com o leitor, é o repasse do conhecimento entre as gerações. O álbum instiga os pequenos a viverem e darem continuidade as suas matrizes, em seus papéis de transmissores da história e do conhecimento acumulado de crenças, mitos, costumes e valores preservados pela sociedade.

Gosto da cutucada que é historiada no livro em relação aos adultos que deixam de ter os sentimentos de infância, e como a história resgata a motivação e a demonstração como instrumento didático.

Parabéns a editora por pensar e expor esse tema!

O senhor das histórias

Editora NEMO
Roteiro: Wellington Srbek
Arte: Will
20 x 28 cm
24 páginas
R$ 19,00

Thina Curtisresenha hqbHQB,Nemo,O senhor das histórias,resenha,Wellington Srbek,WillQuando fez a sua estreia no mercado editorial dos quadrinhos a Nemo editora chegou com a proposta de também apostar nos talentos brasileiros. Um dos seus primeiros álbuns nacionais foi O Senhor das Histórias, que podemos definir como uma fábula daquelas direcionadas as crianças. A narrativa é um conto folclórico...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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