A lenda do Negrinho do Pastoreiro é uma das mais populares lendas do Brasil, principalmente no sul do País e nas áreas mais rurais. Vinda dos tempos da escravidão, basicamente é sobre um pequeno jovenzinho negro que era obrigado a cuidar dos animais de um cruel fazendeiro Coronel.

Lançada em abril desse ano pela editora Ygarapé, O Negrinho do Pastoreiro de André Diniz trata-se de um trabalho artístico que questiona a forma espiritual da obra e explora noções sociais e relacionais. Mais do que isso até, ao explorar as páginas do álbum, conseguimos notar o olhar humano do autor sobre a história e a reflexão que ela nos remete.

Para os não conhecedores da lenda, ela se desenrola da seguinte forma: mesmo perante tantas crueldades, o jovem nutria um amor incondicional pelos animais e uma amizade sincera pela filha do seu senhoril, essa não concordava com as maldades do pai e sempre que podia ia alimentar e conversar com o amigo.

Só nesse primeiro ponto já temos um grande tema, a amizade acima da cor. Veja bem, o que parece ser um assunto “batido” ou até repetitivo, pois já foi visto em outras obras, aqui se transforma em mais um ponto de ligação para o entendimento de todo o contexto que está por trás da tão conhecida história da lenda. Habilidade que André Diniz sempre demonstrou em seus roteiros, e aqui não faz diferente, e nos apresenta uma narrativa dinâmica que permite ao leitor conhecer detalhadamente a sequência criativa da história abordada.

E falando em sequência, na lenda, quando o jovem conseguia fugir sem ser notado ia ao rio se encontrar com sua madrinha Nossa Senhora Aparecida, de quem era devoto. Com um final trágico, após uma das surras as quais era submetido, o jovem morre. O coronel pede para jogar seu corpo num formigueiro e a partir daí tudo muda na história.

Com um maravilhoso trabalho de arte de André Diniz, todos os elementos inseridos na história estão carregados de significado como referência à memória emocional e temática do autor. Outro ponto a destacar é a paleta cromática utilizada por Marcela Mannheimer, que tem a função de remeter à ação do tempo e a carga emocional que a lenda exige.

O álbum é recomendadíssimo para o público juvenil, e com certeza é uma ótima ferramenta de trabalho para educadores que podem abordar em suas aulas as composições harmônicas dos quadros, a origem da produção, o desenho na atualidade, o nível de conscientização do público e o papel da arte consciente que a HQ contém, além de enfatizar a importância dos valores como respeito, dignidade, amizade e a fé.

O Negrinho do Pastoreiro
Editora Ygarapé
Roteiro e ilustrações: André Diniz
Cores: Marcela Mannheimer
17 x 24 cm
63 páginas
R$ 23,00

Thina Curtisresenha hqbAndré Diniz,HQB,Marcela Mannheimer,O Negrinho do Pastoreiro,resenha,YgarapéA lenda do Negrinho do Pastoreiro é uma das mais populares lendas do Brasil, principalmente no sul do País e nas áreas mais rurais. Vinda dos tempos da escravidão, basicamente é sobre um pequeno jovenzinho negro que era obrigado a cuidar dos animais de um cruel fazendeiro Coronel. Lançada em...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe