Mais de um ano e um prêmio depois, finalmente publicamos aqui no Impulso HQ a resenha do álbum que é resultado da parceria entre o roteirista Daniel Esteves e o desenhista Will, “O Louco, a Caixa e o Homem”.

Talvez a demora da resenha seja porque ela estava dentro de uma caixa que perambulava por aí com alguém, ou simplesmente ela estava perdida procurando saber como encontrar alguma festa em algum site de resenhas de histórias em quadrinhos…

Se você já leu a publicação, que foi lançada de maneira independente em outubro de 2011, com certeza vai entender os dois parágrafos acima e talvez chegue a conclusão de que essa resenha ainda vai manter a sanidade, caso não tenha lido… bem… você está perdendo uma excelente história em quadrinho.

Um dos pontos mais interessantes de “O Louco, a Caixa e o Homem” é como todo o álbum mantém a coerência, apesar do tema central aparentemente seria a loucura. E quando dizemos coerência, não estamos nos referindo apenas ao texto bem escrito de Esteves que consegue ser humorado e questionador, ao mesmo tempo aliado ao já característico (e cheio de personalidade) traço de Will que aqui uniu o seu estilo de linhas angulosas e cartunescas à elementos ao Steampunk (gênero da ficção científica) dando uma ambientação pra lá de interessante a toda a narrativa. E lembramos que não se trata de uma história de SCi FI e sim de questionamentos. Louco não?

Não podemos deixar de falar do projeto gráfico e da ousadia da capa. Com o formato de 20 x 20,5 cm e com desenho de uma fechadura e um polegar na posição certa, você leitor, literalmente segura uma caixa misteriosa nas mãos. Na capa não há indicação de que é uma publicação em quadrinhos, nome dos autores e nem título da obra, isso mesmo nem o título! Um grande risco para os autores se pensarmos em uma prateleira cheia de álbuns tentando se destacar cada vez mais. E agora vem outra questão: seria essa ousadia mais um indicativo de insanidade?

E para falar ainda mais sobre o projeto gráfico do álbum que conta com o prefácio do jornalista especialista em quadrinhos, Paulo Ramos, biografias dos autores com uma síntese bem elaborada, capa cartonada com orelhas, extras mostrando as páginas do roteiro com os layouts ao lado. E muito se engana quem acha que as fontes da publicação também não foram especialmente pensadas para o projeto. O título foi muito bem elaborado e desenhado por Will, que utilizou engrenagens para ilustrar e mais uma vez colocar uma referência Steampunk.

E não só de referências visuais se faz um álbum que também fala de amizade. Tendo total liberdade de criação por que não colocar os seus amigos e produções como personagens e letreiros? Bem… a dupla Esteves e Will fez isso, então não estranhe de encontrar durante a leitura figuras parecidas com quadrinhistas como Laudo e Mario Cau dando um passeio para algum lugar, ou até mesmo Demetrius Dante (Detetive do Absurdo) na páginas de “O Louco, a Caixa e o Homem”, isso sem falar das indicações de Nanquim Descartável, Pieces e Yeshuah!

Aliás, outra forte referência que está presente no álbum são os dois personagens principais, que foram inspirados no Louco e Cebolinha da Turma da Mônica. Repare como o Homem aparece sempre com o cabelo de cinco pontas.

“O Louco, a Caixa e o Homem” merece ser lida não só apenas por causa de suas inúmeras referências, e também pelos belos desenhos de Will que abusou das posições de câmera, gerando ângulos e distorções nas personagens com resultados muito interessante, sem falar no roteiro de Esteves que se conclui de modo inesperado e com uma mensagem que deixará muitos leitores refletindo.

“O Louco, a Caixa e o Homem” merece ser lido principalmente porque é uma excelente HQ e não foi a toa que a publicação teve lugar garantido em algumas listas de melhores do ano de 2011 em sites especializados em quadrinhos, e é claro, chegando a ganhar o prêmio mais importante da categoria, o Troféu HQMIX 2012, como “Melhor Publicação independente edição única”.

Em seu texto nos extras, Esteves explica que tudo começou com um “Com licença, saberia me informar para onde estou indo?”. Se essa pergunta fosse feita diretamente para mim, com certeza eu responderia que o “O Louco, a Caixa e o Homem” poderia ir para o Festival de Angoulême (maior festival internacional de quadrinhos da Europa), e por que não no futuro, ganhar uma versão colorida. Seria muita loucura?

Não… eu acho que não.

Leitura recomendadíssima.

O Louco, a Caixa e o Homem
Quadrinho Independente
Roteiro e edição: Daniel Esteves
Arte e design da publicação: Will
P&B + Capa Colorida
20 x 20,5 cm
60 páginas
R$ 15,00
Contato: [email protected]

Renato Lebeauresenha hqbDaniel Esteves,HQB,O Louco a caixa e o homem,resenha,WillMais de um ano e um prêmio depois, finalmente publicamos aqui no Impulso HQ a resenha do álbum que é resultado da parceria entre o roteirista Daniel Esteves e o desenhista Will, “O Louco, a Caixa e o Homem”. Talvez a demora da resenha seja porque ela estava dentro de...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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