Escrito e desenhado por André Valente, “Não fui eu nº1” é uma produção independente que carrega consigo as características de uma boa HQ autoral: a liberdade criativa de uma mente sem limites.

Quando dizemos liberdade criativa nos referimos tanto ao estilo gráfico como os temas e os direcionamentos das histórias. Não estranhe se você se perguntar: “como André conseguiu pensar nisso”, pois esse é justamente um dos grandes atrativos dessa edição.

Diversão também não falta para quem é beatlemaníaco. A primeira história “Goldem Islambers” faz uma brincadeira com as músicas dos rapazes mais famosos de Liverpool. Dentro dela estão escondidas 17 canções, e o autor ainda avisa que os primeiros 20 leitores que enviarem a lista correta com os nomes das músicas ganharão um desenho do seu beatle favorito. A equipe do Impulso HQ não sabe se os 20 já enviaram, mas não custa tentar, vai que você dá sorte?

Outro atrativo da edição é observar como o autor gosta de lidar com gráficos, mesclando-os com a linguagem dos quadrinhos, gerando assim, a possibilidade de leitura não linear e uma biografia infográfica incrível.

Piadas gráficas não faltam, desde a capa e quarta capa que brincam com o dia e a noite, até em uma página interna inteira com “anúncio” do seu condomínio dos sonhos. Não é um humor escrachado ou debochado, e sim, mais tendencioso ao sarcasmo.

O único porém, na nossa opinião, é justamente na história maus promissora chamada “Coelho”. Com um diálogo carregado de indiferença contrastado com imagens de dores devido à perda e solidão, a narrativa promete ser uma das mais interessantes e mais procuradas pelos leitores, mas o autor preferiu correr o risco de deixar a continuação do enredo para as próximas edições.

Em nove histórias curtas, André demonstra que domina vários estilos gráficos, ora se utiliza de contornos grossos em personagens humanoides, ora hachuras e contornos mais finos, um bom uso do preto chapado, somente traços para definir forma e ora desenhos sem contornos, utilizando apenas as massas de cor e forma para caracterizar os personagens. E o mais importante, o autor soube escolher quando e em qual história aplicar determinado estilo. Resumindo: habilidade a André Valente é o que não falta.

Se você gosta de ler e ver coisas novas e inesperadas “Não Fui Eu nº1” é super indicado, além de divertir ainda tem o poder de fazer o leitor aguardar por mais, e torcer para a próxima edição. Em um mercado editorial onde as publicações independentes estão cada vez melhores e mais requisitadas, conseguir tal fato não é tarefa fácil.

Com certeza em “Não Fui Eu nº1” André Valente agrada e conquista novos fãs.

Não Fui Eu nº1
Edição independente
Texto e arte: André Valente
21 x 21 cm
36 páginas
P&B
R$ 8,00
Contato: oandrevalente.com

Renato Lebeauresenha hqbAndré Valente,HQB,Não Fui Eu,resenhaEscrito e desenhado por André Valente, “Não fui eu nº1” é uma produção independente que carrega consigo as características de uma boa HQ autoral: a liberdade criativa de uma mente sem limites. Quando dizemos liberdade criativa nos referimos tanto ao estilo gráfico como os temas e os direcionamentos das histórias....O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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