A personagem Katita foi criada em 1995 por Anita Prado e aborda, através de tiras, o universo homossexual feminino. Este é seu terceiro livro (o primeiro foi lançado em 2006 também pela editora Marca de Fantasia), fato que atesta a aprovação do trabalho perante o público.

Logo de cara, o texto que abre a edição deixa claro que o preconceito é um mal enraizado em nosso cotidiano e cita diversos exemplos facilmente reconhecidos por todos. E isso não é nada engraçado, pelo contrário, nos faz refletir sobre nossas atitudes no dia a dia.

A fúria do texto de abertura se repete também em algumas tiras da personagem. E são essas os pontos fracos da edição, por privilegiarem mais a militância (ainda que por uma causa nobre) do que o humor e o entretenimento – os meios mais eficazes de angariar leitores, cativá-los e induzi-los à reflexão.

Felizmente a maioria das tiras faz uso do humor – que deixa o álbum com uma leitura muito mais saborosa.

Bem, na verdade verdadeira, as tiras nem são tão engraçadas assim; eu diria que são muito mais descontraídas e abordam uma infinidade de assuntos: decepções amorosas, consumismo, relações conturbadas no ambiente de trabalho, amizade, cotidiano, TPM etc.

E a abordagem desses temas comuns a todos é o grande trunfo do álbum e do trabalho de Anita Prado como um todo.

À primeira vista, uma pessoa hétero pode até não sentir interesse pela leitura do livro por imaginar que ele aborda questões centradas nas relações homossexuais. Mas as questões enfrentadas dentro do universo GLS ou, para ser mais atual, LGBT são as mesmas enfrentadas por toda e qualquer pessoa, afinal o que está em destaque são os sentimentos e emoções humanas.

Se é certo que as pessoas reagem de formas diferentes em situações semelhantes, é certo também que essas reações estão centradas em sentimentos que são comuns a todos os humanos, independentemente de suas opções sexuais, religiosas, políticas ou qualquer outra.

Assim, neste álbum, o leitor pode se divertir e se identificar tranquilamente com as situações vivenciadas por Katita: as coisas absurdas que ela faz quando está apaixonada, a melancolia típica do final de um relacionamento, o eterno conflito entre amor e amizade e, vejam vocês, até as cantadas e tentativas cretinas de sedução.

Com essa abordagem, o livro cumpre sua função de entreter e despertar a reflexão no leitor que vai perceber que as pessoas têm muitas semelhanças entre si, mesmo sendo de sexos, raças, culturas, ideologias ou qualquer outro aspecto diferente.

Parabéns a autora por abordar de frente essas questões e por expandir os assuntos tratados nos quadrinhos.

Katita – O preconceito é um dragão
Autora: Anita Prado
Editora: Marca de Fantasia
32 páginas
Data: Maio de 2010
RS 5,00
Contato: http://www.marcadefantasia.com

Alexandre Manoelresenha hqbAnita Prado,GLS,HQB,Katita,LGBT,Marca de Fantasia,O preconceito é um dragão,resenhaA personagem Katita foi criada em 1995 por Anita Prado e aborda, através de tiras, o universo homossexual feminino. Este é seu terceiro livro (o primeiro foi lançado em 2006 também pela editora Marca de Fantasia), fato que atesta a aprovação do trabalho perante o público. Logo de cara, o...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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