Obras sobre o espiritismo sempre atraem um grande público sendo livros ou nos cinemas, como foi o caso da película sobre Chico Xavier, que levou as salas que exibiam o filme uma platéia recorde. Não é de se estranhar que as HQs também abordassem esse tema, e a editora Barba Negra lançou em outubro do ano passado o álbum Kardec, mas a obra é um pouco diferente das publicações que estamos acostumados a encontrar nas livrarias.

É diferente porque não fala propriamente do espiritismo e suas doutrinas, mas relata como Hyppolite Leon Denizard Rivail, decide mudar de vida e de nome para Allan Kardec. E é justamente aí que está o grande mérito da obra e dos autores Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa.

Os autores foram inteligentes em não pregar o espiritismo, ou colocá-lo como verdade absoluta, aliás, para quem não conhece nada sobre o assunto irá se surpreender com um Rivail cético e desconfiado, usando termos como “conversa para boi dormir” ao se referir sobre o assunto, ou mesmo se negando a ir conhecer uma das sessões, pois ele não quer deixar o conforto do seu lar “para caçar bruxas”.

Toda essa atmosfera de desconfiança é explicada quando você entende o contexto em que o personagem principal está inserido. França (Séc. XIX), em meio a espetáculos de mágica e ilusionismos encontramos Rivail, um estudioso que tem interesse pelo magnetismo animal, que o leva a estudar o fluido universal, que é o que dá a origem de tudo que existe no universo. Toda essa ambientação é outro ponto forte da obra, mais uma vez mérito dos autores que pesquisaram a fundo o tema.

Tudo que escrito até agora pode parecer que Kardec é uma narrativa chata e maçante, mas muito pelo contrário, ela consegue prender o leitor do começo ao fim, seja pelo fato de você querer saber qual o momento em que Rivail decide ser Kardec, ou simplesmente entender todos os mistérios que aparecem durante a obra.

Mistérios esses que nos são apresentados com inversão de cenas com deslocamentos rápidos de um lugar a outro, e até pelos quadros mudos, onde o silêncio e a contemplação são as ferramentas que apóiam toda a narrativa, que é cadenciada em um ritmo lento, mas de suspense. Tudo é bem amarrado com um clima de “luz de velas e candelabros”, como diz Marcel Souto Maior, autor de As Vidas de Chico Xavier, que prefacia a obra.

Se a história é bem narrada, podemos dizer também que ela é bem representada. O projeto gráfico condiz com a proposta. Ele é sóbrio, diagramação tradicional de quadros, ou seja, os quadrinhos se apresentam na página de forma a seguir um alinhamento mais simétrico. As poucas vezes que os autores fogem desse esquema foi para impressionar o leitor com páginas em splash, ou na experimentação gráfica (com propósito) no final da história.

Para completar a edição, um glossário explicando algumas referências que constam no álbum e extras como trecho do roteiro e estudo dos esboços das páginas, o que é interessante para analisar como os autores realmente procuraram a melhor maneira de traduzir o roteiro graficamente.

Kardec é uma excelente história em quadrinho para quem já conhece o espiritismo, pois vai sentir que os autores se aprofundaram e respeitam muito o assunto. Os leitores que terão um primeiro contato irão se surpreender com momentos poucos comentados na grande mídia, como a relação de Rivail com o Druida, personagem relacionado a história Celta. Vale a pena conhecer o álbum.

Kardec
Editora: Barba Negra
Autores: Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa
Ano: 2011
128 páginas
24 x 18 cm
R$ 34,90

Renato Lebeauresenha hqbBarba Negra,Carlos Ferreira,HQB,Kardec,resenha,Rodrigo RosaObras sobre o espiritismo sempre atraem um grande público sendo livros ou nos cinemas, como foi o caso da película sobre Chico Xavier, que levou as salas que exibiam o filme uma platéia recorde. Não é de se estranhar que as HQs também abordassem esse tema, e a editora...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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