Guadalupe é mais um álbum nacional do projeto da Quadrinhos na Cia. onde sempre une um escritor(a) com um(a) quadrinhista. A publicação é resultado da parceria entre a escritora Angélica Freitas (Um útero é do tamanho de um punho) com o quadrinhista Odyr (Copacabana; O Instrumento).

A personagem principal da história é quem dá o título a graphic novel, Guadalupe tem uma história relativamente comum, foi criada pela avó (Elvira) e pela tia Minerva (uma diva, um travesti), na Cidade do México, trabalha na livraria da tia, dirige um furgão e está nas vésperas de completar 30 anos. Elvira morre em um acidente de moto e Guadalupe atende o desejo da avó, de ser enterrada numa cidadezinha chamada Oaxaca (México).

É nesse contexto que esperamos que a road trip (como a que acontece no filme Little Miss Sunshine) citada na sinopse do livro comece, mas acaba que aparece um ser de outro mundo que quer roubar a alma de Elvira e hipnotiza Minerva e tudo chega ao fim. Oaxaca parece ser muito mais perto do que se imagina.

Talvez nesse ponto a história tenha se perdido, ou eu que me perdi, quem nunca se perdeu em alguma viagem? Porque a história se trata disso, uma viagem de descobrimento e amadurecimento. Apesar da quebra quase brutal na linha da narrativa, a mistura de quase road trip, roubo de almas e hipnose acabou surtindo um efeito de graça no meio de uma história triste e trágica.

Fora isso, o roteiro é bem construído e a HQ é dividida em 5 capítulos, quem apresentam todas as personagens e ajudam a construir a narrativa linear.

Odyr Bernardi é um cara que consegue ser bem versátil dentro do próprio estilo, e sempre mostra uma novidade positiva em cada novo trabalho. Os desenhos seguem uma linha bem cheia de rabiscos, muitas vezes se confunde o personagem com cenário, pois não há alteração na espessura do pincel.

Acredito até que isso foi proposital. Talvez o quadrinhista optou por essa estética devido a cabeça de Guadalupe estar tumultuada. Prestes a completar 30 anos, ela não sabe ainda o que quer fazer da vida o que gera um desconforto a personagem. E esse desconforto ficou bem explicito nas imagens.

Um ponto interessante e curioso, é que no meio da HQ pode ser encontrado alguns easter eggs mencionando Pelotas, no Rio Grande do Sul que é onde o ilustrador e a roteirista nasceram.

Para quem não conhece, a Cidade do México é o centro econômico e político do país, a segunda cidade mais populosa do continente americano e é uma das maiores metrópoles do mundo. Fica a 458 km de Oaxaca, que é um dos 31 estados do México e tem 95.364 km²; sendo o quinto maior dentre os estados mexicanos.

A história termina como começou, sem nenhuma “novidade”, mas com um tom poético e cheio de liberdade. Se a HQ pudesse ter uma trilha sonora, escolheria a nova música da Sandy, “Aquela dos 30”:

“E eu já tenho quase 30
Acabou a brincadeira
E aumentou em mim a pressa
De ser tudo o que eu queria
E ter mais tempo pra me exercer”

Brincadeiras a parte, leia Guadalupe sem nenhum olhar conservador.

Guadalupe
Quadrinhos na Cia.
Roteiro: Angélica Freitas
Arte: Odyr
19,5 x 27,5 cm
120 páginas
R$ 32,00

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