O Escorpião de Prata é um personagem criado em 2007 por Eloyr Pacheco e que depois de passar por diversas publicações mix independentes, estréia agora em sua própria revista, fruto de uma parceria entre o Syndicate Ink e a editora Kan.

Por se tratar de um número de estréia, a publicação carece de uma história que apresente de maneira clara e cativante seu personagem. Nesta edição, o leitor não vai encontrar nada sobre o homem por trás da identidade do Escorpião, sua vida, seus ideais ou suas fraquezas. Até os seus poderes não ficam evidentes: o chicote que o herói usa tem alguma característica especial? É formado por algum material especial? Ele sabe lutar alguma coisa?

Em relação à sua técnica de luta, apenas em uma breve passagem (que conta a história do pai do herói) é que se menciona a capoeira; menciona, mas não mostra. Se você não leu as histórias publicadas em outras revistas, não vai entender nada sobre os poderes e técnicas do herói.

O fato da publicação ser composta de 3 HQs curtas pode ser uma explicação para isso. Afinal, é muito mais difícil se aprofundar nessas questões em 3 histórias de poucas páginas do que em uma história longa.

E a ordem dessas HQs ficou confusa. A revista começa com a simulação de uma página fictícia de jornal datada de 1958 e que fala sobre as ações do pai do atual Escorpião de Prata. Na sequencia, quando todos esperam que a HQ que se passa nessa época, e que narrasse um pouco da origem do herói, nos deparamos com uma história dos dias atuais.

A HQ “Somos todos iguais”, que se propõe a tratar de temas relevantes como o preconceito e a intolerância, é comprometida na caracterização física dos personagens. Na trama, um grupo de skinheads assalta um banco enquanto outro espalha caos nas ruas para desviar a atenção. O problema é que eles são todos iguais, não há nada na caracterização que destaque ou individualize nenhum dos integrantes (nem um cabelo um pouco menos raspado, uma tatuagem, um jeito diferente de vestir o uniforme).

Isso compromete a leitura, pois vemos um grupo descendo os esgotos e, na página seguinte, um grupo diferente atirando no meio da rua, só que até então o leitor não sabia que eram dois grupos.

E os tons de cinza só complicam a situação: a tonalidade é pouco variável, de modo que se o leitor se afastar um pouco da revista vai notar apenas grandes áreas cinzentas.
A melhor história do título é a última, “Operação carga pesada”, por apresentar um pouco de humor na edição, uma arte-final competente, boa variação nos ângulos e uma narrativa que vai e volta no tempo, gerando boa expectativa.

Mas no final das contas nenhuma história foge do esquema: o herói vai lá e resolve o problema da maneira mais rápida e menos cativante possível.

Escorpião de Prata
Autores: Eloyr Pacheco (roteiro), Airton Marcelino, Bruno Moura, Carlos Nascimento, Carlus Alexandre, Diego Sales, Edson Clark, Moacir Muniz & Zezu Bauer (desenhos)
Editora: Syndicate Ink & Kan Editora
44 páginas
Data: Março de 2011
R$ 10,00

Alexandre Manoelresenha hqbAirton Marcelino,Bruno Moura,Carlos Nascimento,Carlus Alexandre,Diego Sales,Edson Clark,Eloyr Pacheco,Escorpião de Prata,HQB,Kan Editora,Moacir Muniz,resenha,Syndicate Ink,Zezu BauerO Escorpião de Prata é um personagem criado em 2007 por Eloyr Pacheco e que depois de passar por diversas publicações mix independentes, estréia agora em sua própria revista, fruto de uma parceria entre o Syndicate Ink e a editora Kan. Por se tratar de um número de estréia, a...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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