Hoje a resenha HQB vai falar de duas publicações que nesse ano de 2013 lançaram a sua primeira versão impressa: Tools Challenge – Volume 1 e Falsidade Ideológica nº1. O que as duas têm em comum? De temática, nada, mas de conteúdo tudo! Ambas em suas propostas são excelentes estreias e valem a pena serem lidas.

Tools Challenge é disponibilizado gratuitamente na internet há quase dois anos, um sucesso editorial incontestável que agora vem a ser impresso graças a recursos advindos de financiamento coletivo.

Ao tomar nas mãos o mangá Tools Challenge, o leitor tem pela frente um mundo similar ao nosso, com uma única diferença: as pessoas podem nascer com ferramentas!

Isso é um elemento tão bizarro quanto determinante na trajetória do protagonista Raion, um jovem de 14 anos que seria portador de uma chave de “série ouro”, caso o item não tivesse sido roubado há anos. A vida do rapaz depende de seu elo com a ferramenta e, por isso, recuperá-la é fundamental. Numa reviravolta do destino, o garoto pode reencontrar a peça, mas precisa se envolver num torneio mortal travado por demais portadores dessas ferramentas excepcionais.

A obra, publicada sob o selo Conexão Nanquim, goza de um formato bem acabado, capa com logotipo e figura evidenciados com a aplicação de verniz e papel de qualidade, mas não foge a fórmula que coloca os heróis dos quadrinhos orientais diante da necessidade constante de se digladiar por algo.

“Os homens criam as ferramentas. As ferramentas recriam os homens” – essa frase do acadêmico Marshall MacLuhan, grosso modo, abrange a influência da indústria cultural sobre a sociedade.

Se pensarmos em tudo que vem acontecendo desde a exibição na TV dos animes, que podem ter exercido influência no trabalho de Max Andrade (autor da série), é possível arriscar o seguinte palpite:

As animações japonesas tiveram um efeito similar ao do emprego de uma ferramenta para criar o interesse pela nona arte oriental ao ponto de gerar legítimos realizadores em terras tupiniquins. Assim, animes e mangás criaram seguidores no Brasil. Os seguidores recriaram animes e mangás brasileiros.

Para acompanhar a série acesse www.toolchallenge.net.

Já em Falsidade Ideológica, André Escobar resgata o estilo de HQs que tanto sucesso fez nos anos 1980 com revistas como Chiclete com banana, Piratas do Tietê e Geraldão entre outras publicações marcadas pelo humor gráfico do escracho e da provocação.

A publicação principia e avança pela onda e o sarro que tira do próprio gênero de quadrinhos a que se propõe, abordando o tema com todo o exagero e ironia que lhe são legitimamente permitidos. Em seguida, a história do fanzineiro amargurado dá lugar a outros tipos de conteúdo e personagens sem perder a acidez.

Na obra de Escobar, que segundo informações da 4ª capa “destrói a cultura independente e mama nas tetas do poder”, uma vez que foi realizada com recursos do financiamento público.

Há crítica aberta e nas entrelinhas, detonando diversos temas tabus comuns ao cenário contemporâneo – caracterizado pela presença maçante do odioso estilo politicamente correto.

Falsidade Ideológica nº1 tem 48 páginas, 19 x 27,5 cm, preto e branco com lombada com grampos e custa R$ 10,00. O segundo número da publicação também já está à venda. Para saber mais acesse falsidadeideologica.tumblr.com.

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