Se na nossa primeira resenha sobre Ditadura no Ar tecemos altos elogios sobre a qualidade do projeto encabeçado por Raphael Fernandes e Abel, obviamente que não esperávamos nada menos que excelente na segunda edição impressa da série. E felizmente podemos dizer que Ditadura no Ar nº2 alcança todas as expectativas.

Lançada mais uma vez de forma independente, o segundo volume da série mantém as características que fizeram a história ser tão cativante: ótima ambientação, um clima denso, tensão entre os personagens e roteiro e arte conversando com uma fluência que é difícil de imaginar a trama sem a parceria de Raphael e Abel.

Em Ditadura no Ar nº2 continuamos a acompanhar o fotógrafo Félix e sua busca para descobrir o paradeiro de Lenina. Depois de aceitar um novo emprego em outro jornal, o obcecado protagonista vai atrás de uma pista que pode revelar o que aconteceu com a sua amada e vai parar em um local onde sair com vida não é das tarefas mais fáceis. Com esse contexto, novos personagens são apresentados e novas situações perturbadoras nos são apresentadas.

Raphael Fernandes com o seu roteiro, mais uma vez nos transporta para o período mais negro da história do Brasil, e pelo jeito essa é uma das características que fizeram de Ditadura no Ar atingir o seu grande sucesso. Uma curiosidade: reparem na quarta capa. Os quatro convidados (entre eles eu!) para dar uma opinião sobre a série ressaltaram o mesmo ponto, a proximidade da série com o que temos de verdade, ou impressão de verdade, que temos da ditadura no País.

Abel mais uma vez não deixou de ousar nos desenhos e em algumas composições de páginas. A sequência da tortura de Samarca é uma aula de narrativa gráfica. O apoio de trechos de musicas emblemáticas como “legendas” criam uma ambientação tensa e dramática. Uma sequência capaz de nos transmitir realmente a dor do personagem.

E não é só a dor da ditadura que a dupla nos apresenta. Os leitores não são poupados da frieza do contexto. Há todo momento, a série nos deixa a sensação de que nem tudo é o que parece. Não dá para confiar, e é claro, quem dá alguma coisa, quer algo em troca. Tudo isso é traduzido nas falas e nos atos dos personagens. Não é a toa que a mensagem de aviso continua: “Leitura recomendada para maiores. Toma teu rumo, moleque!”

Ditadura no Ar é uma das melhores séries da atualidade e quem gosta de bons quadrinhos não pode deixar de ler. Não é a toa que depois de nascer de forma digital no blog Contraversão, a série ganhou rapidamente vários leitores, e depois da sua migração para o formato impresso, garantiu a Raphael Fernandes a indicação na categoria Roteirista Novo Talento no Troféu HQMix de 2012.

Já assumi no texto anterior que sou fã da série e que não via a hora de ler a continuação, e como eu já esperava, já estou ansioso pela terceira edição. Aliás, já estou torcendo para a história ganhar uma edição especial com capa dura, reunindo vários volumes e os pin ups dos desenhistas que também são fãs da série. Com certeza o álbum teria espaço na estante de vários amantes dos quadrinhos.

Ditadura no Ar é uma das poucas séries de webquadrinhos que agora está no formato impresso que podemos dizer que adquiri-la é realmente um investimento. Roteiro excelente, desenhos excelentes, parceria excelente.

Leitura obrigatória.

Ditadura No Ar nº2
Roteiro: Raphael Fernandes
Arte: Abel
Colorido
Formatinho
28 páginas
R$ 8,00
Contato: blog Contraversão

Renato Lebeauresenha hqbAbel,Ditadura No Ar,HQB,Raphael Fernandes,resenhaSe na nossa primeira resenha sobre Ditadura no Ar tecemos altos elogios sobre a qualidade do projeto encabeçado por Raphael Fernandes e Abel, obviamente que não esperávamos nada menos que excelente na segunda edição impressa da série. E felizmente podemos dizer que Ditadura no Ar nº2 alcança todas as...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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