Bem perto de casa existia o bar e café Baleia, o dono era o “Seo Zé”. Café mesmo só no nome do estabelecimento. Foi lá que aprendi a jogar pebolim e sinuca. Foi lá que ouvi pela primeira vez uma das lendas urbanas mais conhecidas na década de 70: o dedo encontrado dentro da garrafa de refrigerante.

Curiosamente, dedos e os típicos botecos que existem por aí, talvez pelos lados do Brás ou do Tatuapé, onde quase ninguém mais entra, são os pontos principais de uma produção independente que reúne dois grandes nomes do quadrinho nacional: Laudo e Marcatti.

Depois de tantos anos de produção, essa é a primeira vez que Marcatti faz parceria com um outro desenhista, e neste caso, o roteiro ficou por sua conta e os desenhos são de Laudo Ferreira. A publicação já se torna interessante por isso só devido à parceria. Marcatti por ser conhecido pelo seu trabalho marcado pela escatologia, e Laudo, que tem em seu currículo trabalhos de terror, erotismo e mais recentemente, uma produção quase filosófica com a sua trilogia de Yeshuah.

Na época do lançamento de Dedos Mágicos, Laudo deu uma declaração ao Impulso HQ falando justamente dessa união e o que o leitor iria encontrar na HQ, o lado escatológico de Marcatti ou a reflexão de Laudo:

“Na verdade, nem uma coisa, nem outra. Curiosamente o Marcatti quando escreveu esse roteiro e, por se tratar da primeira vez que escrevia para um outro desenhista ilustrar, e por ser eu e ele conhecer meu trabalho, foi escrito pensando muito na minha forma de desenhar e conduzir uma história. Portanto, não haverá a tal clássica escatologia do Marcatti, porém, é um roteiro dele, em alguns momentos da HQ, isso fica evidente. Há a questão que essa coisa escatológica que é a marca registrada dos quadrinhos dele, combina e é para o seu trabalho, feito por outro, não teria o mesmo “encanto”. Em contrapartida, optei, após o término do Yeshuah em trabalhar com algo “mais suave, menos denso”, mesmo sendo um roteiro do Marcatti”.

Interessante não?

Na introdução, o roteirista Lillo Parra fala do boteco do seu bairro e das histórias que a turma, entre uma cachaça e outra contava. Marcatti e Laudo mostram um desses botecos, aonde para escapar da chuva e tomar uma caninha (como dizia meu pai), um cara entra e, enquanto espera o fim do temporal, ouve a dona do bar contar a estranha história que mistura amor e terror, sexo e paixão.

dedos-magicos-internaMarcatti traça uma história que mescla flashes do relato “sincero” e amargo da dona do bar, que conta uma crônica que tem como personagens a moça bonita e apaixonada pelo velho patrão arruinado, envolve ainda o filho do velho, a esposa megera e a melhor amiga da moça. Uma daquelas histórias que só o Marcatti sabe contar e fazendo tabelinha com a arte batuta do Laudo.

Compre Dedos Mágicos, pegue um trem, desça em uma distante estação, procure um boteco, peça uma pinguinha, não esqueça de oferecer ao santo (hábito que desapareceu), sente em mesa num canto e leia.

Dedos Mágicos
Edição dos autores
Roteiro: Marcatti
Desenhos: Laudo Ferreira
Capa colorida e miolo em p/b
60 páginas
15,5 x 23 cm
R$ 35,00

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/06/dedos_magicos.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/06/dedos_magicos-300x269.jpgFloreal Andraderesenha hqbDedos Mágicos,Laudo Ferreira,MarcattiBem perto de casa existia o bar e café Baleia, o dono era o “Seo Zé”. Café mesmo só no nome do estabelecimento. Foi lá que aprendi a jogar pebolim e sinuca. Foi lá que ouvi pela primeira vez uma das lendas urbanas mais conhecidas na década de 70:...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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