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Pelas primeiras páginas, parece que a revista será uma mistura insólita de Capitão América, X – Men e aquelas histórias de relacionamentos conturbados entre professores e alunos, no estilo do filme Mentes Perigosas.

Senão vejamos: a revista narra as aventuras de garotos de um reformatório que mantêm uma relação de amor e ódio com seu professor, até que, finalmente, são conquistados pela atenção e determinação do mestre. Em seguida, agentes do governo aparecem à procura de recrutas para integrarem uma equipe especial do exército. Equipe esta que conta com um tutor, um Q.G. e, obviamente, uma sala de treinamentos.

Tudo caminhava para mais uma revista repleta de clichês repetidos a exaustão no universo dos quadrinhos…

Ai, Hugo Nanni (roteirista e desenhista do título) insere elementos muito interessantes na história: O “experimento zero”, usado para aumentar a capacidade física e gerar poderes à equipe (que o roteiro não deixa claro se é um soro, uma vitamina ou o quê) causa um efeito colateral nos primeiros recrutas do projeto: eles desenvolvem glândulas mamárias e suas vozes tornam-se mais agudas. Alguns desses recrutas se matam diante dessas transformações, outros, passam a promover ataques vingativos contra o governo.

Com o projeto do “experimento zero” reformulado, o governo busca novamente recrutas para a equipe (cujo nome não é mencionado – pelo título, imagina-se que seja Clube da Voadora). Como é um projeto do serviço secreto, os recrutas convocados têm que ser pessoas sem nenhum relevo social, em outras palavras: pessoas de quem ninguém sentiria falta. Pessoas encontradas nas ruas, orfanatos, reformatórios etc.

E assim, a equipe é formada novamente por garotos com tristes histórias vinculadas à prostituição, tráfico de drogas, violência doméstica e outros males de nossa sociedade.

O roteiro viaja várias vezes no tempo para contar esta história do ponto de vista do herói Zé Maria (um dos raros personagens homossexuais nos quadrinhos brasileiros). Uma pena que os flashbacks estejam repletos de legendas, afinal, mostrar um fato causa mais envolvimento do que apenas contá-lo, por isso a relação da turma de classe de Zé Maria com seu professor não nos parece tão profunda quanto as legendas tentam transmitir.

Os desenhos hora são meio duros e hora necessitam de mais referências, principalmente na proporção do corpo e na posição das pernas. Mas quem já teve a oportunidade de ver trabalhos mais antigos de Nanni percebe sua evolução.

No final das contas, os desenhos não empolgam, mas são competentes. Interessante é o uso de retículas para simular cenários.

Se nos próximos números o autor souber mesclar a pancadaria com os assuntos de cunho sociais, como insinuado neste número, pode-se esperar boas histórias nesta revista.

Clube da voadora nº1
Autor: Hugo Nanni
Revista Independente
Nº de páginas: 28
Data: Setembro de 2009
R$ 5,00
Contato: www.hugonanni.com.br

Alexandre Manoelresenha hqbClube da Voadora,histórias em quadrinhos,HQ,HQB,Hugo Nanni,resenhaPelas primeiras páginas, parece que a revista será uma mistura insólita de Capitão América, X – Men e aquelas histórias de relacionamentos conturbados entre professores e alunos, no estilo do filme Mentes Perigosas. Senão vejamos: a revista narra as aventuras de garotos de um reformatório que mantêm uma relação de...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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