O primeiro volume de Clube da Voadora tratou de apresentar, de maneira instigante, o universo no qual se desenvolve a historia: um grupo de garotos excluídos socialmente são recrutados pelo exército a fim de constituírem uma equipe de operações especiais. O detalhe curioso é que experiências anteriores para a formação desse grupo deformou o corpo dos primeiros recrutas, desenvolvendo-lhes seios e o aumento genético da raiva, tornando-lhes algo próximo de um misto entre travestis e zumbis.

Agora, ao que parece, os novos números irão se focar, sabiamente, nos personagens que constituem o conjunto (cujo nome nenhuma das edições deixam clara se é Clube da Voadora), apresentando aos poucos cada um deles ao leitor. A começar pela única garota da equipe: Wabluba. Aqui conhecemos um pouco de sua trágica historia com parentes não muito presentes em sua vida e seus relacionamentos autodestrutivos.

Se esses parecem ser bons elementos para a empatia dos leitores, o pouco espaço para o desenvolvimento da trama e alguns cortes secos acabam fazendo a história se desenrolar rápida demais, um pouco confusa e, o que é pior, com algumas passagens que aparentemente não mantém nenhuma relação com as demais (como quando Wabluba, lá pelo final da edição, entra em um escritório e vai quebrando tudo).

Isso obriga o leitor a voltar constantemente na leitura, deixando-a truncada e nem um pouco fluida.

Outras questões que devem ser repensadas é a falta de ação (justamente o gênero da obra) e a ausência de uma história que se inicie e se complete na edição, mais ou menos como são os bons seriados que apresentam uma história geral ao longo dos episódios e uma particular, com começo meio e fim, em cada capítulo. Aqui, ao término da leitura, fica a sensação de que muita coisa foi dita e mostrada, mas pouca história de fato foi contada.

Mas nem tudo são pedras no caminho de Hugo Nanni, autor da obra: Como na edição anterior, a grande força de seu trabalho esta no universo da trama que se apresenta muito atual ao incorporar as minorias sociais em seus personagens e levantar questões como o sensacionalismo da imprensa, entre muitas outras pertinentes.

Agora, falta-lhe incorporar também os cenários desse ambiente (são praticamente inexistentes as tomadas abertas, dificultando ainda mais o senso de espaço para as ações que se desenrolam) e um cuidado maior com os cortes, e com a narrativa por consequência.

Clube da voadora 2
Autor: Hugo Nanni
Publicação independente
32 páginas
Data: Outubro de 2011
R$ 5,00
Contato: hugonanni.com.br

Alexandre Manoelresenha hqbClube da Voadora,HQB,Hugo Nanni,resenhaO primeiro volume de Clube da Voadora tratou de apresentar, de maneira instigante, o universo no qual se desenvolve a historia: um grupo de garotos excluídos socialmente são recrutados pelo exército a fim de constituírem uma equipe de operações especiais. O detalhe curioso é que experiências anteriores para a...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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