No poema de Bertolt Brecht “Perguntas de um trabalhador que lê” ele diz “…O jovem Alexandre conquistou a Índia. Sozinho? César bateu os gauleses. Não levava sequer um cozinheiro?…” Do que são feitos os grandes conflitos? De pessoas desconhecidas. E em Canudos não foi diferente.

É essa história que Daniel Esteves, Jozz e Akira Sanoki nós contam novamente no álbum A Luta Contra Canudos, publicado pela editora Nemo, mas agora contada por quem participou dos fatos.

O roteiro de Esteves foca nas pessoas comuns que estavam dos dois lados, os seguidores de Antônio Conselheiro e os soldados do exército republicano que contam suas histórias ou tem os seus momentos do dia a dia mostrados durante o cerco e a destruição do Arraial de Canudos em 1897.

Nos traços de Jozz e Akira, vemos Pajeu um grande atirador que vem de Pernambuco para se juntar a Conselheiro, Marciano e seu filho Raimundinho que desde criança e preparado pelo pai para a luta. Timóteo que gostava de tocar o sino da igreja do arraial e reunir o povo para as orações, mas temos também o ponto de vista do tenente do Exército Luis Machado.

No texto do jornalista Daniel Piza “Tristes Trópicos” ele fala de um jornalista (Euclydes da Cunha) que esteve em Canudos:

“…vai ver o conflito de perto. Espera a supremacia darwinista do mais forte sobre o mais fraco, calculando que a raça branca usaria sua inteligência superior na estrategia militar que sustaria o motim messiânico de Antônio Conselheiro. O que testemunha é um ataque cruel e burro, e uma resistência cabocla que demonstra mais heroísmo que os canhões republicanos”.

Acredito que o grande desafio aqui foi contar esse conflito de maneira diferente aos leitores, afinal, esse é um capítulo sangrento da história do nosso País que já foi contado diversas vezes e em diversas mídias. Um bom trabalho de pesquisa e referências pode ser percebido durante a leitura da HQ.

O trio envolvido nessa obra, que é mais uma produção totalmente nacional publicada pela Nemo, já é conhecido no circuito de independentes e cada vez mais consegue um espaço entre as editoras. Esteves, Jozz e Akira acertaram em sair do mais do mesmo, mostrando o conflito pelos olhos dos desconhecidos e evitar em escolher um lado.

Desde criança conheço as palavras do Conselheiro, já que minha família é de uma região perto de Canudos. “O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”. A represa de sobradinho transformou um trecho do sertão em mar e agora vemos uma gigantesca represa em São Paulo se transformar em sertão com seu solo rachado.

Como já se disse de um outro acontecimento não houve vencedores, nem perdedores. Só vitimas.

“Tantas histórias. Tantas questões.” (trecho final do poema de Brecht)

A Luta Contra Canudos

Editora Nemo
Roteiro: Daniel Esteves
Desenhos: Jozz e Akira Sanoki
64 páginas
20 × 27,3 cm
R$ 42,00

Floreal Andraderesenha hqbA Luta Contra Canudos,Akira Sanoki,Daniel Esteves,Jozz,NemoNo poema de Bertolt Brecht “Perguntas de um trabalhador que lê” ele diz “...O jovem Alexandre conquistou a Índia. Sozinho? César bateu os gauleses. Não levava sequer um cozinheiro?...” Do que são feitos os grandes conflitos? De pessoas desconhecidas. E em Canudos não foi diferente. É essa história que Daniel...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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