Se você não gosta de violência gratuita, baixaria, sexo e palavrões, nem continue lendo esse texto, ou se você gosta de tudo isso, mas tem os nervos fracos, pare por aqui.

Não que só tenha isso, mas o humor ácido e aversão aos quadrinhos convencionais de Garth Ennis estão mais afiados que nunca, junte isso ao traço simples, porém poderoso de Darrick Robertson e teremos o grupo mais casca grossa de anti-heróis dos quadrinhos sendo apresentados nos dois álbuns The Boys, publicado aqui no Brasil pela Devir Livraria.

O termo anti-heróis é bastante controverso, o Justiceiro é um anti-herói, o Lobo também, apesar dos meios violentos e mentalidade deturpada. Ao querer fazer algo que melhore a sociedade, o Maioral, pouco se importa com o resto do mundo (bom talvez se importe com os golfinhos), mas The Boys, se enquadra mais no perfil, Frank Castle de Justiça: não importa os meios e sim os fins.

Formado por Carniceiro, Leite Materno, O Francês, A Fêmea, e Huggie O Mijão, o grupo tem em seu líder (Carniceiro) o típico general que precisa controlar a comunidade super nem que para isso precise “arrancar algumas bolas”, palavras do mesmo.

Vou pedir uma licença antes da introdução dos encadernados para uma historinha pessoal de como deixei de detestar Ennis, para que ele se tornasse o meu escritor preferido nos quadrinhos desbancando Neil Gaiman no meu pódio.

Em meados dos anos 1990, conheci o cidadão, pela famigerada Justiceiro VS a Marvel, se vocês pararem alguns minutos para olhar meu pseudônimo no crédito da matéria, saberá que não aceitaria de primeira, um autor que simplesmente começa história matando o Homem-Aranha!

Sendo assim, mais de 10 anos se passaram , percebendo que lia Hitman, e era o mesmo autor que tinha matado meu herói preferido, e gosto muito de Hitman, então The Boys apareceu, e foi amor a primeira borrada de sangue na página. Aí dei uma chance para Preacher e depois Justiceiro Max. Pronto. Foi assim que Ennis entrou por completo no lugar mais nobre da minha prateleira!

Perdoem o meu tendencionismo falando de The Boys, mas não tem como não gostar de um quadrinho, que desconstruiu tudo o que conhecemos do universo dos heróis convencionais de uma maneira extremamente despretensiosa, sem deixar de ser magistralmente escrita e desenhada, além de muito, muito sangue e perversão.

Acredito que o termo “Violência gratuita” não se aplica aqui, ele é muito bem empregada isso sim. Garth Ennis era muito conhecido por seus trabalhos em Preacher e Justiceiro, mas em The Boys ele vai além. Logo nas primeiras páginas a história já começa com Huggie passeando com a namorada num parque e simplesmente a garota é literalmente arrancada de seus braços, ou melhor, arrancada em seus braços, por conta do arremesso de um vilão feito pelo herói conhecido como Trem A.

O primeiro volume publicado em 2010 reúne as seis primeiras edições da série dividida em dois Arcos – Tocando um Puteiro (esse era pra ser o Nome do encadernado, mas o editor explica o motivo de não fazer logo na página 1), onde conhecemos um pouco de Huggie, temos sua já comentada incursão na equipe e sua luta para não se permitir gostar dos modos violentos do grupo para manter o controle.

No segundo Arco – Adeus à Inocência, somos apresentados aos “Sete”, principal grupo de super-heróis do universo, onde após uma tragédia com um dos membros (o Faroleiro), eles recrutam uma nova aliada (Estelar), vinda de um dos Grupos Juvenis.

Os Sete são a deturpação de tudo que conhecemos na Liga da Justiça, e o ingresso de Estelar, deixa isso mais do que claro. O tempo todo há referências aos heróis clássicos, mas Os Sete é descaradamente uma cópia pervertida da Liga, onde temos o Patriota como Superman, Rainha Maeve a Mulher Maravilha, O Sombra Negra, é só uma alusão ao Batman pois veremos uma comparação mais descarada do Cavaleiro das trevas no segundo volume da coleção, todos os outros membros fundadores estão lá, mas estes são os auto -denominados “os Três Maiorais”.

O segundo encadernado The Boys – Mandando ver – publicado recentemente os arcos três e quatro e reúne os números 7 a 17 da série original. No começo do álbum somos apresentados para “O Lenda”, que é o responsável por escrever as HQ’s de todos os Supers e com isso, conhece cada podre de todos os chamados heróis deste mundo.

O Lenda vive em um galpão de uma loja de quadrinhos gerenciada por dois irmão gordos. Ele pede ao Carniceiro que investigue a morte do neto da sua irmã que é gay nas mãos de um ex-parceiro Mirim do Tecnoman, este sim a descrição perfeita do Batman. O nome do ex-parceiro? SURUBA!

No quarto arco – O GLORIOSO PLANO DE CINCO ANOS, o grupo viaja para a Russia com o intuito de investigar a morte de alguns supers que simplesmente explodem e sabe-se que isso é por conta de um derivado da droga V, não vou falar mais da droga, pois ela é parte importante do motivo dos super existirem e isso fica claro no primeiro encadernado. Neste arco somos presenteados com mais dois personagens no mínimo perturbadores: a Pequena Nina e o Salsicha do Amor.

Mais uma vez fica apenas a minha ressalva pessoal para o formato dos álbuns 16,5 × 24 cm. Gostaria que fossem mais próximos do tamanho original do quadrinho encadernado 17,5 x 26,5 cm, e uma versão em capa dura não seria nada mau em se pensar. Adoria deixar The Boys junto com meus Preacher. Isso sim seria uma bela estante em homenagem a Garth Ennis.

The Boys: o nome do jogo

Devir Livraria
Texto: Garth Ennis
Arte: Darick Robertson
16,5 × 24 cm
152 páginas
R$ 39,50

The Boys: Mandando Ver

Devir Livraria
Texto: Garth Ennis
Arte: Darick Robertson
16,5 × 24 cm
192 páginas
R$ 39,90

Fabio AranhaNas bancas / Nas livrariasDarick Robertson,Devir,Garth Ennis,Mandando Ver,O Nome do Jogo,The BoysSe você não gosta de violência gratuita, baixaria, sexo e palavrões, nem continue lendo esse texto, ou se você gosta de tudo isso, mas tem os nervos fracos, pare por aqui. Não que só tenha isso, mas o humor ácido e aversão aos quadrinhos convencionais de Garth Ennis estão mais...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe