2011Quando era adolescente aprendi a amar as aventuras de James Bond, primeiro nos filmes, só fui ler os livros de Ian Fleming levado pelas mãos do amigo e desenhista de quadrinhos Mário Latino, um fã dos livros, filmes e quadrinhos baseados no 007 e não era pra menos… “Bond é diferente e espetacular…acompanhar Bond em suas aventuras é fazer uma curiosa viagem por locais esnobes e exóticos”, Carlos Heitor Cony, em O Elementar Mr. Bond.

Porém, eu só conhecia o mundo da espionagem nos filmes baseados no personagem de Ian Fleming ou nas HQs de Jim Gordon (Um Agente da CIA) de Roy Crane, que meu irmão colecionava. Só no final dos anos 70 é que fui ler um romance que mudou a minha visão do mundo da espionagem, “O Fator Humano”, de Graham Greene (que foi espião do MI6). O livro é baseado na vida do seu amigo e superior no Serviço Secreto Britânico, Kim Philby, que era um agente duplo e espionava em favor dos soviéticos.

imagem-da-hq-sorge---o-espiao-veneta-1414774586259_597x890Pouco tempo depois, assisti um filme de 1965 que também falava do mundo da espionagem. Tanto no livro de Grahan Greene, quanto no filme “O Espião que Saiu do Frio” (baseado no livro de John Le Carré), não existe glamour, mulheres lindas, martinis ou carros velozes com metralhadoras embutidas nos faróis. É um mundo sórdido, sem amigos e que as vezes leva um inocente a uma morte sem sentido.

É justamente nesse segundo cenário que foi passada a vida de Richard Sorge, que nasceu na Rússia de pai alemão e mãe russa, que lutou na Primeira Guerra Mundial, foi condecorado como herói do exército alemão e se converteu ao comunismo.

Graças ao trabalho brilhante do espião, o mundo não caiu nas mãos dos Nazistas logo depois da ascensão ao poder de Adolf Hitler em 1933. Em seu ofício, o espião vai para o Japão, onde trabalhou, viveu, morreu e está enterrado. Hoje, Sorge é um personagem que desapareceu dos livros da história mundial.

imagem-da-hq-sorge---o-espiao-veneta-1414774595208_593x889 blogFelizmente, graças a desenhista de quadrinhos Isabel Kreitz (eleita no Comic Festival de Hamburgo de 1997 a melhor quadrinista alemã), essa história foi resgatada, e aqui no Brasil, tivemos a sorte dessa publicação chegar às livrarias pela editora Veneta. Baseada nas mais recentes descobertas e pesquisas históricas, a alemã, revela nessa graphic novel como Sorge era contraditório, desesperado, bon vivant, mulherengo, mas pronto a morrer pelos seus ideais.

Para quem se interessa bastante pelo assunto, no final do livro como extras, há textos de Frank Giese que lançam um pouco mais de luz sobre Richard Sorge (1895-1944), também conhecido como “o espião que derrotou Hitler”.

Em um poema de Bertold Brecht ele indaga se os grandes feitos foram obras somente de um homem…

“o jovem Alexandre conquistou a Índia/ele sozinho?/não havia sequer um cozinheiro no exército dele?”

Não fiquemos somente com as imagens de Hollywood. Vários homens e mulheres deram suas vidas na luta contra o Eixo, o esquecido Sorge foi um deles.

Excelente leitura.

Sorge, o espião
Editora Veneta
Autora: Isabel Kreitz
Tradução: Fabiane Briere
Acabamento brochura
268 páginas
R$ 49,90

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/06/20111.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/06/20111-300x300.jpgFloreal AndradeNas bancas / Nas livrariasFabiane Briere,Isabel Kreitz,Richard Sorge,Sorge,VenetaQuando era adolescente aprendi a amar as aventuras de James Bond, primeiro nos filmes, só fui ler os livros de Ian Fleming levado pelas mãos do amigo e desenhista de quadrinhos Mário Latino, um fã dos livros, filmes e quadrinhos baseados no 007 e não era pra menos... “Bond...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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