Amor com sexo ou sexo sem amor são sempre assuntos polêmicos. Quando o sexo é pago é melhor nem falar. O título “Pagando por Sexo” causa um grande impacto, e logo vem a cabeça obras como “Delírios Cotidianos” de Charles Bukowski e “Noite na Taverna” de Álvares de Azevedo. Mas, Chester Brown, um cara comum e nada boêmio, resolveu quebrar esse tabu e consegue descrever em sua graphic novel, publicado em julho desse ano pela editora WMF Martins Fontes, que sexo sem amor e pago pode ser bom, nada sujo ou errado.

A obra é sim um relato íntimo do quadrinhista que narra sua experiência com 23 prostitutas, ou melhor, 23 acompanhantes (como elas preferem ser chamadas), após sua namorada o trocar por outro homem. Depois de um tempo sozinho Chester percebe que deseja sexo, mas que não precisa mais do amor romântico para viver. Assim nasce um pequeno dilema: “Pagar ou não por sexo?”.

Durante toda a narrativa o autor não esconde as suas opiniões sobre o assunto. Ele toma uma decisão e segue em frente. Chester não tem vergonha de falar que paga por sexo para as pessoas que o julgam como “sujo” ou “maníaco”. O quadrinhista percorre um caminho em que procura sempre mostrar que o assunto pode ser debatido, e ao contrário de seus amigos, não acha que deve haver uma regulamentação da “profissão”.

Para reforçar a sua opinião, no final da HQ, nos “Apêndices”, o autor reuniu 22 artigos que escreveu para falar da normalização, os problemas e as formas de prostituição, rebatendo, assim, algumas críticas que recebeu durante sua experiência.

São 33 capítulos onde você verá uma defesa contra o amor romântico e que sexo pago é melhor, o que passa a ser contraditório a partir do meio do álbum, pois ele procura conhecer um pouco as prostitutas, criando aí um pequeno elo entre as relações de 30 minutos (ou mais, quando repetia a garota).

Em um dos casos, passa até sentir um vazio, ao terminar o tempo com a mulher. O que nos coloca a pensar até que ponto pagar por sexo vale a pena, mas para Chester está tudo muito claro, pagar vale, desde que você saiba escolher.

Toda a história é representada com a ajuda de um traço limpo que ajuda a narrativa fluir de forma que a mente vai devorando página após página, sem que o leitor tenha vontade de parar.

Você pode até não concordar que a tradicional relação homem/mulher é uma “monogamia possessiva” como afirma Chester, e independentemente de qual é a sua opinião sobre o assunto, a obra merece ser lida. O autor canadense sabe produzir uma boa HQ, e não é a toa que Chester Brown já faturou quatro Harvey Awards e “Pagando por Sexo” já esteve em primeiro lugar na lista dos mais vendidos do New York Times.

Boa leitura.

Pagando por Sexo
Editora WMF Martins Fontes
Autor: Chester Brown
Acabamento: brochura
14 x 19 cm
296 páginas
R$ 47,00

Thailiny CruzNas bancas / Nas livrariasChester Brown,Pagando por Sexo,WMF Martins FontesAmor com sexo ou sexo sem amor são sempre assuntos polêmicos. Quando o sexo é pago é melhor nem falar. O título “Pagando por Sexo” causa um grande impacto, e logo vem a cabeça obras como “Delírios Cotidianos” de Charles Bukowski e “Noite na Taverna” de Álvares de Azevedo....O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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