Costumam dizer que as historias de nossas infâncias são as que realmente importam, e que levamos todas aquelas princesas, cavaleiros e lobos conosco por toda vida, além do arco íris.

Quando pensamos em Magico de Oz, nós aqui na Terra Brasilis automaticamente lembramos a versão cinematográfica de 1939 estrelada por Judy Garland. Compreensível, já que o longa-metragem era figurinha carimbada da Sessão da Tarde nas vésperas de feriados há muitos anos. Assim como Mary Poppins. Bons tempos.

Nos Estados Unidos, no entanto, a obra de L. Franks Baum sobre as aventuras, perigos e magia do mundo de Oz são um marco na literatura, o primeiro clássico da literatura infanto-juvenil que não veio do velho continente.

Nada de castelos com reis e rainhas ou inglesinhas se metendo saindo pela janela com um garoto perdido. Dorothy Gale, a protagonista do Magico de OZ, é uma garotinha do interior do Kansas, uma caipira doce e corajosa que não deve nada a Alice ou Wendy em suas historias (e não é supressa que as três sejam as protagonistas do controverso Lost Girls de Alan Moore).

Dorothy e seu cãozinho Totó são pegos por um tornado e são levados para o distante reino de Oz. Logo na sua chegada matam, de forma acidental, a terrível Bruxa do Leste e libertam o povo que vivia sobre seu domínio. Apesar de ser aclamada como heroína, a menininha quer apenas voltar para sua casa no Kansa, e para companhia de sua amada tia Emm.

Seguindo o conselho da simpática Bruxa Boa do Norte começa uma jornada até o Mágico de Oz, um mago conhecido por seu poder e sabedoria. Pelo caminho ajuda e faz amizade com três inusitadas figuras, o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão, que como ela pretendem pedir a OZ que realizem os desejos de seus corações. Juntos então partem pela estrada de tijolos amarelos enfrentando perigos e obstáculos até o Reino das Esmeraldas.

Desde que o velho Baum deitou suas histórias no papel, OZ teve um sem números de adaptações. Cinema, teatro, quadrinhos, séries para TV. A lista é infinita e multimídia. O roteirista Eric Shanower é mais que um fã de OZ. Ele cresceu com essas histórias e conhece cada ser mágico, cada bruxa boa e má que vive naquela terra de “parias” que “nunca foram civilizadas”. Ele ama os ama.

Em 2008, num curioso projeto com a Marvel, Shanower deu início a adaptação do primeiro livro da série de Oz para quadrinhos, respeitando e seguindo cada detalhe do livro. Pequenos detalhes, diálogos e construção dos personagens são seguidos a risca pelo seu roteiro, sem que isso o torne chato ou repetitivo.

A arte ficou por conta de Skottie Young, artista dono de um traço caricato e estilizado. Ele deu seu toque aos personagens, dando a eles aquele misto de estranheza e doçura, que todo conto deve ter. Não é a toa que o trabalho da dupla acumule prêmios (em 2010 eles ganharam dois prêmios Eisner pela HQ) e já produziram outras cinco adaptações da série de OZ.

Com tudo isso em mente, não foi a toa que dei alguns mortais de costas quando a editora Panini anunciou o lançamento do O Maravilhoso Mágico de Oz por aqui. A edição é caprichada, com capa dura, papel couché, prefácio de Shanower, galeria de capas, esboços e estudos dos personagens. A única queixa que tenho é quanto ao preço salgado da edição de R$ 54 Dilmas.

Não estou reclamando disso de barriga cheia lembrem, pois lembrem que a edição de luxo de Livros da Magia, de Neil Gaiman, tem o mesmo formato e sai por R$ 25,90. Apesar desse peso na carteira é uma publicação indispensável em qualquer prateleira seja por sua qualidade ou por trazer de volta esse pedaço da infância de cada um.

Somewhere over the rainbow…

O Maravilhoso Mágico de Oz
Editora Panini
Roteiro: Eric Shanower
Arte: Skottie Young
Capa dura
Papel couché
216 páginas
R$ 54,00

Lily CarrollNas bancas / Nas livrariasEric Shanower,L. Franks Baum,Marvel,O Maravilhoso Mágico de Oz,Panini,Skottie YoungCostumam dizer que as historias de nossas infâncias são as que realmente importam, e que levamos todas aquelas princesas, cavaleiros e lobos conosco por toda vida, além do arco íris. Quando pensamos em Magico de Oz, nós aqui na Terra Brasilis automaticamente lembramos a versão cinematográfica de 1939 estrelada por...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe