O boxe rendeu grandes filmes como “Punhos de Campeão” de Robert Wise, “Touro Indomável” de Martin Scorsese, “A Trágica Farsa” de Mark Robson e “Cidade das Ilusões” de John Huston. E quem não se lembra de Chaplin lutando para ganhar dinheiro e pagar a operação da florista cega em “Luzes da Cidade ou Jacques Tati em “Sparring Por Um Dia”?

Nos desenhos animados o boxe também foi tema de episódios do Pica-pau e Pernalonga, aonde muitos galos foram boxeadores. O amigo Gualberto Costa que é um apreciador da “nobre arte” sempre falou de um desenho animado onde o personagem principal era Moe (acho que era um dos desenhos da Metro Goldwyn Mayer da dupla Hugh Harman e Rudolf Ising).

Já nas histórias em quadrinhos só lembro de um herói boxeador, o Big Ben Bolt, criado em 1950 por Elliot Caplin com desenhos de John Cullen Murphy, que vi no final dos anos 1960 (existem outros, mas esse foi o único que li). Mas isso mudou graças à editora 8inverso.

Lançada no Brasil em agosto desse ano, “O Boxeador”, premiada graphic novel de Reinhard Kleist, conta a vida do boxeador judeu polonês Hertzo Haft e sua luta pela sobrevivência nos ringues improvisados nos campos de extermínio na Segunda Guerra Mundial.

A HQ começa em 1963 na cidade de Miami com Harry (Hertzo) Haft e o filho a caminho do encontro de alguém importante do seu passado na Polônia. O modo rude como trata o filho mostra as marcas que ficaram na vida de alguém que sobreviveu ao inferno.

Com a frase dita ao filho “um dia te contarei tudo”, somos encaminhados pela perspectiva desse lutador da vida através de round a round aos os difíceis combates que ele enfrentou. O leitor passa por tamanha transformação que no final do álbum quando há um retorno ao reencontro passamos a entender melhor as motivações de Hertzo, e o porquê de toda a sua dureza.

Na narrativa, voltamos à Polônia, então invadida pelo exército de Hitler em 1939, e a dura vida de Hertzo, trabalhando desde quando era um menino. Presenciamos a sua internação nos campos de concentração, a fuga, a volta, e as lutas de boxe entre os prisioneiros dos campos.

Sobrevivente, com o fim da guerra Hertzo lutou como profissional nos E.U.A. para onde emigrou no final dos anos 1940. São várias passagens que mostram o horror e a marca negra que a Segunda Guerra deixou de herança para o mundo.

Todas essas histórias e muito mais estão na biografia escrita por Alan Scott Haft, filho de Hertzo e transformadas em graphic novel por Kleist. São 200 páginas com a história real de um homem que se endureceu para não cair.

A 8inverso mantém a mesma qualidade que as suas publicações anteriores de quadrinhos, e a edição ainda conta extras como fotos, textos e registros da época. O que faz o leitor entender ainda melhor o clima da luta que o “boxeador” enfrentou.

E com certeza você já identificou o nome do autor e fez a relação: Reinhard Kleist = boas biografias em quadrinhos.

O quadrinhista alemão já transformou em quadrinhos a vida de Elvis Presley, Fidel Castro e Johnny Cash, todos esses títulos já publicados pela 8INVERSO. E para dizer que a obra não tem referência internacional, O Boxeador ganhou o Prêmio PENG! 2013 de melhor álbum em língua alemã no Festival de Quadrinhos de Munique e o Grande Prêmio 2013 do Festival de Quadrinhos de Lyon.

Só posso dizer mais uma coisa sobre essa HQ: imperdível.

O Boxeador
Editora 8inverso
Título original: “Der Boxer”
Autor: Reinhard Kleist
Tradução: Augusto Paim
Preto e branco
17cm X 24cm
200 páginas
R$ 51,00

Floreal AndradeNas bancas / Nas livrarias8INVERSO,Augusto Paim,Hertzo Haft,O Boxeador,Reinhard KleistO boxe rendeu grandes filmes como “Punhos de Campeão” de Robert Wise, “Touro Indomável” de Martin Scorsese, “A Trágica Farsa” de Mark Robson e “Cidade das Ilusões” de John Huston. E quem não se lembra de Chaplin lutando para ganhar dinheiro e pagar a operação da florista cega em...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe