No começo do ano as bobagens televisivas já apontavam no horizonte, seja num sítio, numa cozinha ou em uma casa. Uma reunião de figuras ridículas confinadas nesses lugares faz a alegria de outros idiotas em frente à tela da TV ou agora nos celulares. Contra esse circo de horrores das celebridades e a tudo que o cerca, que Stephen Collins aponta seu lápis afiado em A Gigantesca Barba do Mal.

Publicada no Brasil em outubro de 2016 pela editora Nemo, esta graphic novel nos apresenta o protagonista Dave, que mora na ilha de Aqui, um lugar onde você não pode escapar das regras onde todos andam bem penteados e barbeados e andar com a camisa para fora da calça nem pensar.

A grande diversão de Dave ao chegar em casa depois de um dia de tedioso trabalho é sentar em frente a sua janela e desenhar sua rua. Esses momentos de escapismos são sempre embalados sempre pela mesma trilha sonora, o hit romântico popular no final dos anos 1980, Eternal flame, do quarteto feminino The Bangles. A trilha sempre é tocada em repeat. Um looping eterno e tedioso, sem nenhuma novidade.

Porém, num fatídico dia um fio de barba desponta no rosto de Dave e mesmo cortado, raspado e pinçado ele retornava. Logo, a imensa barba de Dave vai ser o centro da atenção e preocupação de Aqui. Desafiando a lógica e a ciência, a barba não abala simplesmente a estrutura de Dave, mas também todos os poros da ilha de Aqui. Dave e sua barba se tornam uma questão de segurança pública, uma figura na qual a sociedade não sabe lidar ou encarar.

No filme O Grande Golpe (1956) de Stanley Kubrick, Kola um lutador de luta livre e amante do jogo de xadrex diz ao ladrão John Clay que “os americanos adoram seus ídolos e gostam muito mais de ver eles serem derrotados e jogados por terra”. É justamente essa realidade que o autor Stephen Collins lida em sua arrojada fábula sobre a sociedade moderna.

No final dos anos 60 e começo dos 70 assisti duas fábulas que falavam sobre diferenças: um desenho animado chamado “A Ponta” (1968), onde numa terra todos tem cabeças pontudas, um garoto é considerado fora da lei por ter a cabeça redonda. O outro era é o filme “O Menino dos Cabelos Verdes” (1948) de Joseph Losey, que apresenta um garoto que perde os pais na guerra e acorda um dia com os cabelos verdes e é alvo do preconceito de todos.

Apesar de distantes no tempo, essas três histórias tem muito em comum. O não entendimento e a sua consequente burrice social epidêmica sempre esteve presente na mente de grandes artistas e expostas para a sociedade refletir, seja em animação, filmes e agora em quadrinhos com Stephen Collins, que faz uma sátira a tediosa vida moderna, com seus cultos a celebridades, as corporações, suas milhares de regras e o medo a qualquer diferença.

Collins usa um tom cinza na arte para reforçar os tempos cinzentos que vivemos contra o conformismo. Leiam e passem adiante “A Gigantesca Barba do Mal”, não vamos deixar que aconteça com a nossa sociedade o mesmo que acontece com Dave nesse grande livro de quadrinhos.

A Gigantesca Barba do Mal
Editora Nemo
Autor: Stephen Collins
Tradução: Eduardo Soares
Acabamento brochura
17 x 24 cm
240 páginas
R$ 44,90

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