Lá pelos meus 12 anos, uma das minhas leituras favoritas em quadrinhos era Drácula. Na mesma época, a série de filmes produzida pela Hammer, a partir de 1958, também começou a passar na TV na “sessão coruja” e havia uma legião de fãs, mas pelo que eu me lembre, nenhuma das meninas que eu conhecia gostava. Nem dos gibis e dos filmes de vampiro. Sobre os filmes, atualmente, já sabemos que a opinião feminina já mudou, e agora com o mais recente lançamento da editora Rocco, a mulherada pode mudar de opinião também referente às HQs.

Na verdade, essa mudança de opinião feminina começou nos anos 80, e as meninas começaram a adorar as histórias de vampiros. Francamente, acredito que a grande responsável foi Anne Rice com o livro “A entrevista com o Vampiro”, que aqui no Brasil, foi publicado com a tradução da escritora Clarice Lispector, por volta de 1977.

interview-with-the-vampire-claudias-story-ashley-marie-witter-031A editora Rocco (que não tem a tradição de publicar HQs) recentemente lançou em formato de luxo, capa dura e papel couché, os quadrinhos em estilo mangá, baseado no livro mais famoso de Anne Rice, com adaptação e arte de Ashley Marie Witter, mas com um diferencial: a graphic novel é focada na personagem da menina vampiro Claudia.

Na história, Claudia foi vampirizada quando criança, mas vai amadurecendo com o passar dos anos, mas o corpo é sempre o de uma menina. Com essa característica, a autora faz com que Claudia seja uma das personagens mais interessantes da obra, e no livro de Luiz Nazário, Da Natureza dos Monstros (ed. Arte & Ciência), ele cita “…a inconformada Claudia, que serviu a Anne Rice como um exorcismo contra a perda de sua filha Michelle, morta de leucemia aos 7 anos de idade”, e afirma que a autora tem uma nova perspectiva, bastante original, sem concessões à velha mitologia do vampiro.

ku-xlargeAshley Marie Witter inova ao fazer, ou melhor, reinterpretar a história pelo olhar de Claudia. Ela é uma das personagens que mais sofrem com a maldição de ser imortal. O Nosferato de Werner Herzog em uma cena diz da maldição de nunca poder morrer sempre assistindo as mesmas futilidades da humanidade por séculos. Claudia sofre. Isso foi também foi bem explorado na atuação da ainda criança Kirsten Dunst, no filme homônimo, e de grande sucesso, de 1994 que ainda contava no elenco com Brad Pitt, Tom Cruise e Antônio Bandeiras.

A arte, toda em um tom sépia, como um velho diário ou um álbum de fotos dessa estranha tribo dos vampiros, imprime a nostalgia de um olhar de quem viveu por séculos e a melancolia de uma alma atormentada. Uma alma feminina, uma alma de mulher. Ashley só faz concessão a uma cor, o vermelho. Um toque dramático, mas funcional na narrativa.

claudiaroccoConfesso que os únicos livros que li sobre vampiros foram Drácula, de Bram Stoker e Carmilla, de Sheridan Le Fanu. Não li os livros de Anne Rice sobre o vampiro Lestat, nem assisti ao filme de Neal Jordan, mas estou satisfeito com a leitura dessa graphic novel que só chegou em minhas mãos graças aos nossos parceiros da Comix Book Shop.

Anne Rice, após escrever “A Entrevista com o Vampiro”, que basicamente conta a história de Louis, que, durante uma entrevista para um jovem repórter, narra a jornada de sua vida desde um homem comum, passando pela transformação em um ser sugador de sangue, até os dias atuais, escreveu uma série de livros que ficou conhecida como Crônicas Vampirescas.

A graphic novel que a editora Rocco traz, é agora, uma das melhores pedidas para as leitoras apaixonadas por essas crônicas conhecerem e também se apaixonarem pela linguagem dos quadrinhos. Vale a pena conferir.

Entrevista com o vampiro – a história de Claudia
Editora Rocco
Autor: Anne Rice
Arte e adaptação: Ashley Marie Witter
Tradução: Daniel Ribas
14 x 21 cm
224 páginas
R$ 44,50

http://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/05/entrevista_com_vampiro.jpghttp://impulsohq.com/wp-content/uploads/2015/05/entrevista_com_vampiro-300x300.jpgFloreal AndradeNas bancas / Nas livrariasAnne Rice,Ashley Marie Witter,Daniel Ribas,Entrevista com o vampiro,RoccoLá pelos meus 12 anos, uma das minhas leituras favoritas em quadrinhos era Drácula. Na mesma época, a série de filmes produzida pela Hammer, a partir de 1958, também começou a passar na TV na “sessão coruja” e havia uma legião de fãs, mas pelo que eu me lembre,...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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