A melhor revista mensal publicada no Brasil é independente

Já não é de hoje que as grandes editoras americanas planejam anualmente suas séries em função de mega-eventos, que se espalham por todas as suas publicações, cheios de encontros de personagens, troca-troca de membros de grupos de heróis, com uma variedade de capas e todo tipo de marketing que isso pode gerar. O resultado é que temos histórias em quadrinhos cada vez mais desinteressantes. Ainda bem que isso não acontece com as editoras independentes, o que pode ser comprovado pelo material da Valiant que a HQM Editora tem lançado no nosso país.

Ao chegar na quinta edição X-O Manowar é uma prova de é possível produzir boas histórias sem subterfúgios para prender o leitor, conquistando-o pela qualidade da obra. Se nas histórias anteriores vimos a abdução do bárbaro e sua fuga, até a chegada na terra dos dias atuais, a partir da edição 4 o que temos é uma reviravolta na trama.

O que antes parecia ser algo simples, agora se revela parte de um plano muito maior. Os aliens que capturaram Aric em 402 A.C. continuaram no planeta Terra e estiveram entre nós, como agentes infiltrados, cujo objetivo agora é recuperar a armadura sagrada que foi roubada pelo guerreiro visigodo.

Nesse momento entra em cena outro personagem antigo da Valiant que retorna em grande estilo: Nijak. Criado nos anos 1990, trata-se de um mercenário ninja, implacável, cujo design e as primeiras histórias foram feitos por ninguém menos que Joe Quesada, antes deste se tornar o homem mais importante dos quadrinhos nos E.U.A.

Até a capa da quinta edição é uma releitura de Patrick Zircher de outra ilustração antiga. O ninja entra na história como aliado dos alienígenas, mesmo que sem saber quem são seus empregadores, com objetivo de capturar Aric e sua armadura, após o fracasso de um grupo de mercenários convencionais, mas não consegue sobrepujar o poder da arma extra-terrestre. X-O Manowar também passa a contar com um aliado, que começa a revelar ao visigodo, ainda que muito pouco, quais são os planos dos perseguidores.

A segunda história das revistas é outra grata surpresa, já que Harbinger também começa a mostrar qual é o tom do enredo daqui pra frente. Se a ideia de seres com poderes que lembram muito os mutantes de uma outra editora, acolhidos por um benfeitor que os treina, não parecia algo muito original, agora vemos que não há bondade nenhuma nesses atos.

É quase que uma inversão do conceito dos X-Men, só que aqui o bonzinho professor é substituído por um empresário poderoso, cuja personalidade e objetivos começam a ser revelados. Também temos a inclusão de uma nova personagem, que pelo jeito terá um papel fundamental na série, e que é quase uma homenagem aos fanáticos por quadrinhos, filmes e séries.

Para fechar temos a continuação de Bloodshot, o super-soldado que está sendo caçado pelo governo, sem memória, mas que consegue dois importantes aliados na sua luta, sendo um deles um de seus caçadores, que não estava numa situação muito diferente de seu alvo, já que também é parte de um plano, e é manipulado pelo governo devido as habilidades especiais que possui.

Da mesma forma que nas histórias de super-heróis, as revistas da editora Valiant também têm algo em comum: todas as histórias mostram protagonistas que foram usados anteriormente, e agora encontram-se perseguidos por seus algozes. A grande diferença aqui fica pelo tom das séries, que lembram mais histórias de ficção científica, e filmes de ação e séries de TV, que histórias em quadrinhos.

Em X-O Manowar há uma mudança na equipe criativa, com a saída de Cary Nord da arte (infelizmente), e a entrada de Lee Garbett, porém, isso não afetou a qualidade da arte, pois apesar de Nord ser um artista superior a Garbett, este mostra-se seguro, e desenha quase tão bem quanto seu antecessor, seguindo praticamente a mesma linguagem visual. Vale a pena destacar também o escritor de Harbinger, Joshua Dysart, cujo roteiro mostra-se cada vez mais empolgante.

Se você leitor tem algum pré-conceito contra os quadrinhos independentes essa é melhor hora de rever seus conceitos, afinal, X-O Manowar é a melhor revista mensal que está sendo publicada no Brasil atualmente!

X-O Manowar 4 & 5
HQM Editora
Roteiro: Robert Venditti, Joshua Dysart e Duane Sweirczynski
Arte: Lee Garbett, Khari Evans e Manuel Garcia
Formato Americano
84 páginas
R$ 8,90

Fred TavaresNas bancas / Nas livrariasDuane Sweirczynski,HQM,Joshua Dysart,Khari Evans,Lee Garbett,Manuel Garcia,Robert Venditti,Valiant,X-O ManowarA melhor revista mensal publicada no Brasil é independente Já não é de hoje que as grandes editoras americanas planejam anualmente suas séries em função de mega-eventos, que se espalham por todas as suas publicações, cheios de encontros de personagens, troca-troca de membros de grupos de heróis, com uma variedade...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
Compartilhe