Corro o risco de parecer saudosista quando acontecimentos nos quadrinhos atuais me fazem lembrar sagas passadas. Mas isso acontece mais como curiosidade do que como saudosismo. No final da década de 1980 houve uma minissérie (e não um evento) conhecida como X-Men versus Vingadores (no Brasil, publicada pela Editora Abril no início da década de 1990).

Na ocasião, Vingadores era um grupo de poderosos heróis da Marvel e… e… tá. Mas, e daí? Eles não eram mutantes. Por outro lado, os X-Men passavam por uma fase (longa) de popularização que os tornavam um estrondoso sucesso editorial. E até isso denotavam outros tempos. Afinal, era um sucesso “editorial” e não um sucesso de bilheteria cinematográfica que se tornariam futuramente. Pois bem, mas eram os X-Men. E X-Men vendia. E Vingadores também… bom… vendiam. Mas não era X-Men. Logo, nada como ajudar os amigos com uma minissérie cujo título começava com o grupo que vendia versus o grupo que “até que” vendia.

O tempo passou e as coisas mudaram. Mudaram muito. E, em se tratando das duas equipes, isso não significa que a situação se inverteu. X-Men ainda vendem, mas seu sucesso (e agora já se pode somar a ajuda da bilheteria cinematográfica e como franquia) estava um tanto quanto diluído em uma overdose de minisséries, títulos e tudo mais relacionado aos mutantes.

Por outro lado, Vingadores começaram a se beneficiar de uma excelente fase nos quadrinhos, sob uma nova direção de competência no que diz respeito à equipe criativa responsável por suas histórias. E, comendo pelas beiradas, foi-se criando uma franquia de sucesso cinematográfico, meticulosamente planejada e muito bem sucedida que culminou com o filme do grupo.

Pois bem, todo esse percurso (que ainda está em movimento) nos trás até o evento Vingadores VS X-Men. Só que em uma época em que Vingadores ou TUDO relacionado a Vingadores vende e vende muito, muito mesmo. E X-Men… bom… vende também. E percebam como a situação mudou até mesmo pelo título. Dessa vez o evento (e não apenas a minissérie) tem seu título iniciado com “Vingadores”, o grupo que vende muito, versus os X-Men… que “até que” vendem.

Agora, a editora Panini traz ao Brasil esse importante evento que, dada as devidas proporções, trouxe mudanças significativas a todo o Universo Marvel. Diria até mesmo que para a Marvel enquanto empresa.

Para quem é leitor de longa data, pode até parecer que se trata de apenas mais uma briga entre grupos de heróis, como tantas outras. No entanto, é como se fosse uma espécie de reunião administrativa da Marvel em forma de quadrinhos com seus personagens. E, com o mais puro significado do termo, um evento!

O pontapé inicial para esse evento está no especial Vingadores vs X-Men n° 0 que, na verdade, tem como destaque uma minissérie anterior que traz uma relação, um significado, para o evento principal. “Sanção” (de X-Sanction) gira em torno do personagem Cable, viajante do tempo que está na época presente para tentar impedir uma catástrofe futura ligada a intervenção dos Vingadores contra um assunto relacionado aos X-Men. Ou seja, para o bem ou para o mal, o conflito entre as duas equipes terá sérias consequências.

Escrita por Jeph Loeb e desenhada por Ed McGuinness (parceiros de longa data nos quadrinhos Marvel) serve para preparar o leitor quanto ao evento principal. Aqui, as duas equipes (representadas apenas por alguns integrantes de ambas) agem até que harmoniosamente, mas há um discreto clima de desconfiança no ar.

Completa a edição três pequenos “contos” onde é mostrada uma enorme ameaça vinda do espaço (o verdadeiro “perigo” do evento), a volta da Feiticeira Escarlate e um pouquinho de ação com a mutante Esperança, pivô do conflito (essas duas últimas histórias, desenhada por Frank Cho, autor da capa do especial).

O interessante desse evento é a força que ele tem com aqueles que não são leitores dos quadrinhos Marvel. Afinal, para esses pode ser muito interessante ver os Vingadores (aqueles heróis do filme) contra os X-Men (aqueles outros heróis daquele outro filme). Os mais incautos até podem chegar a acreditar que há planos de levar tal confronto para as telas. Mas o encantamento acaba aí. Para esses, vai ser bem estranho ver uma formação de equipes tão diferentes do que conhecem. O que Wolverine está fazendo nos Vingadores? Por que o Hulk está vermelho? O que o Homem Aranha está fazendo nos Vingadores também? E assim por diante…

Porém, o início (e até mesmo o evento com um todo), apesar de surpreender os mais novatos, foi também feito pensando neles. Por isso a sensação de não se enfiar os pés pelas mãos (como é comum em se tratando de um mega evento) e a história fluir bem, de uma forma que TODOS possam entender o que está acontecendo. Com personagens novos ou não. E isso com o mérito de não recorrer tanto explicações do passado.

É, no final das contas, um agradável início de evento que pode até mesmo transmitir carisma e simpatia por determinados personagens, dentre os tantos espalhados entre ambas as equipes. É escolher um dos lados e se divertir com o desenrolar dos acontecimentos. Afinal, assim como a popularidade dos super-heróis, as apostas nesse tipo de evento estão muito mais altas do que décadas atrás.

Vingadores VS X-Men nº0
Editora Panini (Marvel)
Roteiro: Jeph Loeb, Brian Michael Bendis e Jason Aaron
Arte: Ed McGuinness e Frank Cho
Lombada quadrada
Colorido
17 x 26 cm
132 páginas
R$ 12,90

Marcos DarkNas bancas / Nas livrariasBrian Michael Bendis,Ed McGuinness,Frank Cho,Jason Aaron,Jeph Loeb,Marvel,Panini,Vingadores,x-menCorro o risco de parecer saudosista quando acontecimentos nos quadrinhos atuais me fazem lembrar sagas passadas. Mas isso acontece mais como curiosidade do que como saudosismo. No final da década de 1980 houve uma minissérie (e não um evento) conhecida como X-Men versus Vingadores (no Brasil, publicada pela Editora...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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