Entenda o porquê essa história que tinha de ser censurada!

Há muitos anos o mundo foi surpreendido com um crime cometido por um adolescente numa escola secundária dos EUA, fato que ficou conhecido como o Massacre de Columbine. Esse tipo de atentado não era novidade naquele país, e também não foi o último, na verdade até se espalhou pelo mundo, chegando inclusive ao Brasil, como o caso dos homicídios seguidos do suicídio do autor numa escola do Rio de Janeiro, há algum tempo.

Algumas vezes as histórias em quadrinhos abordam temas realmente adultos, problemas sociais, e esse foi tema escolhido pelo escritor britânico Warren Ellis para uma edição de Hellblazer que, ironicamente, foi censurada na época devido ao ocorrido em Columbine, sendo lançada somente alguns anos depois.

Somente em junho de 2013 a editora Panini resolveu publicá-la em nosso país, no especial Atire, da linha Vertigo. A revista é uma coletânea de histórias inéditas aqui, salvo por “Mate seu Namorado”, que já havia sido lançada pela extinta editora Metal Pesado. Mesmo contando com ótimos autores é bem provável que a revista não despertasse muito interesse do grande público, a não ser pela polêmica história, que acabou servindo de isca para atrair leitores. Eu mordi essa isca e comprei por curiosidade, e valeu a pena.

Sempre gostei do trabalho de Warren Ellis e dessa vez não foi diferente, o escritor não decepciona. Uma HQ não é um tratado de psicologia, nem de sociologia, mas o inglês mostra uma boa visão de mundo ao expor sua opinião sobre os massacres que ocorrem em escolas, principalmente nos EUA.

O que é chocante na trama não são as cenas de violência, que apesar do realismo com que foram desenhadas, deixam nítido o respeito do artista Phil Jimenez para com o tema, pra lá de delicado. O homicídio mostrado e as imagens pós-crime parecem até ingênuas se comparadas a muitos quadrinhos do Justiceiro ou do Wolverine, mas é o contexto da obra que a diferencia em relação as outras.

John Constantine apesar de ser o titular de Hellblazer pouco aparece na história, na verdade só dá o ar da graça no final, já que a trama é praticamente toda conduzida por uma agente do FBI, encarregada de investigar um assassinato cometido por um estudante do segundo grau. A policial tenta de várias formas encontrar um elo de ligação, algo que possa ligar o crime a tantos outros cometidos pelo país a fora. Somente nas últimas páginas ela é procurada, ou melhor, encontrada por Constantine, que expõe tudo que aprendeu sobre esse tipo de fato. O interessante é que aqui o personagem fictício passa a ser a voz de seu escritor.

Em poucas páginas Ellis nos dá uma visão extremamente realista dos acontecimentos, sem apontar culpados e sem incitar caça as bruxas. Com muito bom senso, o questionamento aqui é se realmente há um culpado.

Segundo o autor o que acontece é reflexo dos problemas da nossa sociedade, que atingiram os jovens em cheio e, seguindo essa linha de raciocínio, a culpa na verdade não é de uma única pessoa, mas de todos nós, que criamos e mantemos um modelo de sociedade que começa a apresentar sinais de ruína.

Não se trata de uma história em quadrinhos para entreter e divertir, é algo de difícil assimilação, mas não dá para deixar de se render a genialidade de Warren Ellis, porém, pela própria natureza dos argumentos que ele apresenta é claro que essa edição não teria outro destino além de ser censurada. Pelo menos a proibição não durou para sempre!

O restante de Vertigo Atire também é legal, mas nada fora do comum. A republicação de Como matar seu namorado, de Grant Morrison, é talvez a história mais pop e divertida da coletânea. Não é o melhor trabalho dele, mas vale a pena ser lido, principalmente para conhecer a arte de Philip Bond, um ótimo artista praticamente desconhecido por aqui.

Bruce Jones e Bernie Wrightson reeditam uma parceria de sucesso de décadas anteriores, no melhor estilo das antigas revistas de terror, e da Heavy Metal, quando essa ainda era uma referência em histórias em quadrinhos.

É difícil falar de todas as histórias da revista, pois são muitas e curtas, então fica difícil não revelar detalhes, portanto, o melhor que eu tenho a dizer é leia, sem preconceitos, sem medo, concordando ou não com a polêmica. Apenas leia!

Vertigo Especial – Atire

Editora Panini
Roteiro: Warren Ellis, Grant Morrison, Garth Ennis, e outros.
Arte: Jim Lee, Bernie Wrightson, Phill Jimenez, e outros.
Formato Americano
236 páginas
R$ 19,90

Fred TavaresNas bancas / Nas livrariasAtire,Bernie Wrightson,Garth Ennis,Grant Morrison,Jim Lee,Panini,Phill Jimenez,Vertigo,Warren EllisEntenda o porquê essa história que tinha de ser censurada! Há muitos anos o mundo foi surpreendido com um crime cometido por um adolescente numa escola secundária dos EUA, fato que ficou conhecido como o Massacre de Columbine. Esse tipo de atentado não era novidade naquele país, e também não...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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