…ai, ai… lá vamos nós…

Rob Liefeld!

Pronto! Pra muita gente, este texto já acabou. Não é preciso dizer mais nada. Pra outros, ainda resta uma curiosidade mórbida para ver o que se encontra no caminho. Então… vamos em frente.

Rob Liefeld é o… hummm… artista dos quadrinhos, por assim dizer, mais odiado dos fãs e da crítica também. Sua arte é considerada péssima. Os enredos de suas histórias são considerados inexistentes (de lógica, ritmo e o que mais você quiser). Sequer como pessoa se salva, sendo também odiado por vários profissionais que já trabalharam com ele e que, de alguma forma, tiveram o desprazer de vê-lo desonrar suas obrigações contratuais (mesmo que sem contrato).

Apesar de ser uma pessoa pública polêmica, não é muito de aparecer para dar declarações que levem a isso. Existem, claro. Mas sua… obra… por si só já é suficiente para causar o arrepio no bom gosto aos quadrinhos.

Porém, toda essa aura maldita que carrega é usada como seu melhor marketing. Liefeld é praticamente a encarnação da máxima “falem bem, falem mal, mas falem de mim”. Seu trabalho é tão controverso que causa curiosidade. E talvez isso explique porque dura por décadas, apesar de já ter anunciado sua aposentaria dos quadrinhos (mas, assim como não honra suas obrigações, essa também pode ser mais uma das farsas que planta).

Muita gente ficou espantada com a renomada Editora Panini publicando um encadernado com os personagens Rapina e Columba sendo desenhados e escritos pelo odiado Liefeld. Porém, ao contrário do autor, a Panini apenas faz por honrar sua promessa de publicar todos os novos 52 títulos de heróis da editora americana DC Comics (o chamado projeto Novos 52). Ou seja, doa a quem doer.

Por mais certeza de que uma bomba de encalhe esteja prestes a acontecer, é curioso como a simples presença dessa edição causa uma curiosidade bizarra ao leitor. Imagine que você vai comprar seu quadrinho favorito, com seus autores renomados… e Rapina e Columba esteja lá, com a “arte” de Liefeld estampada logo na capa. Impossível ignorar. E, verdade seja dita, impossível negar a curiosidade em folhear e ver qual é a desse sujeito.

E eu fui um desses curiosos.

Nem vou ser hipócrita em dizer que o fiz em prol de informar o leitor dos danos cerebrais que essa revista porventura poderia causar ou que foi apenas para escrever esse artigo (afinal, alguém precisa fazer o serviço sujo). Não. A verdade é que passei várias vezes pelas bancas e, todos os dias, tentava afogar aquele mal que me consumia… essa curiosidade maldita que o igualmente maldito Liefeld causou. Enfim, assim foi feito.

As cinco primeiras histórias do encadernado são escritas por Sterling Gates, que tem lá seus méritos melhores que o do seu parceiro (que também co-escreve). A arte… bem… a arte é Liefeld. Explosiva, “estilosa”, aparentemente de encher os olhos… no primeiro segundo e meio que você os vê (e se você não é um leitor costumeiro).

Esse é o estilo do cara, ele desenha assim e eu não tenho nada a ver com isso (na verdade tenho, pois sou o consumidor final do produto… mas perdi esse direito quando abri a primeira página). Vamos perdoá-lo, então…

A… hã… história, mostra a dupla Rapina (super-herói avatar da guerra) e Columba (avatar da paz) lutando contra vilões que parecem ter poderes originários do mesmo lugar que o deles e visual idem. E nomes parecidos também, sendo formados pela dupla Condor e Cisne.

Em dado momento, o tal de Condor se torna um híbrido entre pássaro gigante e humano… E é aí que acontece… em um único quadro. Se você tentou perdoar a “grande arte” de Liefeld, vai ficar chocado com o que ele fez. Não há como descrever a cena. Mas imagine que você peça para alguém desenhar um… digamos… Homem Galinha.

Certo. Agora imagine que esse alguém, para o qual você pediu para desenhar… seja um criança de uns 5 ou 6 anos. Está lá. Naquele incômodo quadro. No meio de uma aventura de super-heróis. E é tão chocante que você, mesmo seguindo (tonto) em frente, ainda quer muito voltar lá e ver. Não acreditando no que viu. Bem, vamos em frente.

As histórias seguintes são escritas pelo próprio Liefeld (não sei em que clínica Sterling Gates foi internado). E há, sim, uma grande curiosidade. O “mestre” desenhando Batman. Eu não me lembro dessa “lenda” ter feito isso antes. E aquela (maldita) curiosidade me levou a ver no que deu. Bom, como já apanhei visualmente o suficiente até aqui, não me surpreendi com o que vi. Nem pra bem, nem pra mal. Simplesmente é um Batman de Liefeld. Tá. E é só.

Os personagens principais são heróis queridos do público e tem lá seu carisma. Mas aqui não tem nenhum aprofundamento em explicar ao que vieram. Fica claro apenas o óbvio. Rapina continua o cabeça quente violento e Columba (que agora namora o herói fantasma Desafiador) tem seus problemas em ser pacífica demais ao lado do parceiro. Há, na história, muitas pistas de subtramas com a intenção de aprofundar-se na mitologia dos personagens. Mas isso não acontece. Era uma chance da narrativa engrenar… ou foi apenas uma cruel falsa esperança dada ao leitor.

No saldo final, a Panini foi corretíssima. Além de cumprir com sua promessa, publicou de uma vez só as oito histórias de Rapina e Columba nessa fase. Afinal, a revista já foi cancelada nos Estados Unidos. Foi uma solução muito menos dolorosa que torturar o leitor em oito meses consecutivos em suas revistas mensais.

Fica a saudade de Rapina e Columba. E pensar que já haviam estrelado uma minissérie razoável no passado, feita por, pasmem, o mesmo Liefeld. Os verdadeiros fãs esperam que a dupla volte algum dia e tenham o espaço e tratamento que merecem.
Já Liefeld… bom… ele ainda foi atormentar outros heróis da DC Comics e depois disse que não retornaria nunca mais a espalhar sua vilania. Mas os verdadeiros vilões, assim como nos quadrinhos, um dia ou outro sempre retornam. O mal ainda está por aí.

Rapina e Columba

Editora Panini – DC Comics
Roteiro: Sterling Gates e Rob Liefeld
Arte: Rob Liefeld e Marat Mychaels (arte adicional)
Lombada quadrada
Colorido
17 x 26 cm
172 páginas
R$ 22,90

Marcos DarkNas bancas / Nas livrariasColumba,DC Comics,Marat Mychaels,Novos 52,Panini,Rapina,Rob Liefeld,Sterling Gates...ai, ai... lá vamos nós... Rob Liefeld! Pronto! Pra muita gente, este texto já acabou. Não é preciso dizer mais nada. Pra outros, ainda resta uma curiosidade mórbida para ver o que se encontra no caminho. Então... vamos em frente. Rob Liefeld é o... hummm... artista dos quadrinhos, por assim dizer, mais...O Impulso HQ é um site dedicado à cultura geek e traz, diariamente, novidades sobre quadrinhos, cinema e games, além de conteúdo em vídeo. Somos nerds a serviço do seu entretenimento. Bem-vindo!
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